Zephyr Origens - Cap I - Gênese

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Zephyr Origens - Cap I - Gênese

Mensagem por Kalysta em Qui 28 Out 2010 - 13:31

Geórgia - 13 de Fevereiro de 2099 - Calendário Cristão
Suprema Corte Internacional - Divisão Científica

--x--

Clang Clang

Sons de passos no metal.

Ching Ching

Sons de correntes movendo-se de forma rítmica com os passos.

... ....

Uma respiração pesada porém regrada faz eco no corredor escuro.

Pat Pat Pat Pat

Duas pessoas mais, uma de cada lado.

Ao final do corredor, sob uma única luz fraca, vê-se a imagem em um dos monitores de segurança.
Duas pessoas fardadas ladeiam uma pessoa encurvada, vestida em uma camisa branca com mangas laçadas nas costas. Seus cabelos negros, lisos e brilhantes não permitem que seu rosto seja visto. Está descalço. Um dos guardas aproxima o olho de uma lente na parede. Um raio vermelho escaneia sua córnea e emite um silvo de aprovação. As portas de metais se abrem.

A luz toma conta do local.

---x---

Em um amplo salão reúnem-se os líderes mundiais. Várias mesas, dispostas em um grande círculo, abrigam humanos das diferentes raças até então conhecidas. Um burburinho é a única coisa que se ouve. Ao centro, um espaço vazio com apenas uma cadeira de ferro. À frente deste espaço, uma mesa normal com três cadeiras. Nas pontas, dois homens já de meia idade, vestidos de modo formal. Ao meio, uma mulher de cabelos brancos rigorosamente presos a um coque. Seus olhos azuis, por trás de óculos quadrados, fixam a porta do outro lado da sala fixa e silenciosamente. Uma luz vermelha acende-se e o burburinho cessa imediatamente.

Toda a atenção para a porta. Alguns realizam um sinal estranho no peito. Para cima. Para baixo. Esquerda. Direita. Por fim, levam a mão aos lábios.

A porta finalmente se abre com um ruído de metal sob metal.

Os guardas e o prisioneiro estão do outro lado, no aguardo. Em ritmo, seguem para a cadeira ao centro, onde o prisioneiro permanece... em pé. Os guardas dão dois passos atrás, mas permanecem em sentido, com as mãos sobre os coldres.

O silêncio se instaura.

... ...

Apenas a respiração pesada do prisioneiro pode ser ouvida.

---x---

- Prisioneiro número 6273, seção A-27. - Inicia o falatório a mulher, ao centro. Sua voz era firme e seus olhos fuzilavam o ser À sua frente. Sua expressão transmitia puro asco e desprezo - És acusado de manter um laboratório secreto, utilizando-se de recursos públicos e equipamento roubado. Como se declara perante esta acusação?

- ... - o prisioneiro mantém a cabeça baixa, seus cabelos longos e negros tampando suas expressões. - Culpado - sua voz é soprada. Muitos se arrepiam nas cadeiras.

- Também é acusado de realizar experiências proibidas por lei em todas as instâncias de pesquisas mundiais. Como funcionário público destas instituições de pesquisa, estava a par da lei e a infringiu mesmo assim. Como se declara perante esta acusação?

- ... - Novamente - Culpado.

- A acusação mais grave - aqui a mulher tomou fôlego, ou seria coragem - é de manter experiências perigosíssimas, de sério risco à raça humana. - o lábio inferior da mulher tremeu com raiva contida - utilizando-se de cobaias humanas para tal. Como se declara?

O prisioneiro parecia tremer. Frio? Medo? Arrependimento?
- Culpado.

A mulher respirou profundamente, sem tirar os olhos do prisioneiro.
- És considerado uma ameaça para esta sociedade e uma ofensa aos princípios da ciência. Sua reabilitação é algo inconcebível e seus crimes imperdoáveis. As mortes ocasionadas por suas experiências totalizaram 1334 ao todo, sendo 130 delas menores de 3 anos. Suas vítimas foram dissecadas e vivissecadas, costuradas e tiveram seu dna alterado enquanto vivas. - aqui todos na sala balançaram a cabeça e mostraram indignação. Agora a voz da mulher era alta. Agressiva - Devastou três cidades rurais, dois centros urbanos e a já conhecida catástrofe do Arno, que poluiu a água de milhares de pessoas que ficarão com sequelas pelo resto de suas vidas. O senhor é considerado um monstro que não pertence à raça humana. Como se declara?

O tremor do prisioneiro aumentou. Um chiado saía de seu peito. O silêncio novamente tomou conta do recinto. Seria um choro de arrependimento?
- ... hihihi.... - era uma risada, presa no peito até ser liberada em uma gargalhada - AHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAAHAH

O prisioneiro ria. Gargalhava. A tez de sua pele era morena, sua cabeça insanamente jogada para trás revelava seus olhos amarelos, seu nariz pontudo e um sorriso doentio. Os sons de seu escárnio ecoavam pelo metal, arrepiando todas as espinhas ali presentes.
Todos na sala murmuravam e se indignavam, mas a mais surpresa era a mulher. Finalmente ele parava de rir. Sua postura agora era ereta, seus cabelos aos lados do rosto e seus olhos fixos em sua algoz.
- Declaro-me ... - aqui o prisioneiro trazia lentamente seus braços para frente, para terror da juíza e dos presentes. Os guardas, iniciavam o saque de suas armas mas era uma câmera lenta perto do prisioneiro.

- Com prazer .... - era possível ver o contorno de duas armas por baixo das longas mangas brancas desatadas. Os olhos arregalaram-se. Os corações pararam por um segundo.

E um sorriso de caninos afiados em uma face enlouquecida pronunciava o veredicto:


- CULPADO!


Mais a seguir...

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Re: Zephyr Origens - Cap I - Gênese

Mensagem por Kalysta em Seg 8 Nov 2010 - 11:11

Geórgia - 13 de Fevereiro de 2099 - Calendário Cristão
Suprema Corte Internacional - Divisão Científica (ou o que sobrou dela)


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Um pilar de fumaça alcançava os céus já avermelhados da Geórgia. Uma fumaça negra e densa. Em sua base, ainda se podia ver explosões nas estruturas de metal. Uma catástrofe, sem dúvida, que seria notada em breve pelas autoridades locais. Não muito longe dali, no cume de uma das várias montanhas peladas da região, uma figura semi-nua fumava um cigarro enquanto admirava a paisagem com uma expressão de deleite, serena. Suas calças, única peça de vestuário, estavam manchadas e respingadas de rubro, assim como seus braços, tronco e rosto. Em suas costas, uma tatuagem circular estranha, assemelhada a uma mandala ou a um círculo de magia negra. Seu corpo era definido, porém magro. Duas pistolas estavam abrigadas no elástico da calça.

Sons de passos na terra podiam ser ouvidos por trás do fugitivo, mas este não se virou. Apenas inspirou fundo o ar e pôde logo reconhecer o recém-chegado.
- Dr. Albert Ludivog, eu presumo. - disse em um tom calmo, com uma voz aveludada e calma, sem se virar. Um sorriso brincou em seu rosto, enquanto tragava mais uma vez.

Ludivog parou a dois metros do fugitivo. Era um homem baixo e atarracado, com um nariz batatudo, óculos quadrados e uma careca reluzente. Trajava um paletó riscado marrom, um chapéu coco e limpava o brilho de seu rosto com um lenço vermelho.
- Sim, Professor. Vim dar-lhe a carona prometida. - Aqui o homemzinho olhou para a fumaça, ainda sem demonstrar sinais de espanto. - Vejo que as duas armas foram mesmo o suficiente.

- Se fossem as minhas crianças, eu teria terminado muito mais cedo. - disse o fugitivo - Mas isto será arranjado, tenho certeza, não é Doutor? - esta última parte soou como uma ameaça, que fez o gordinho pigarrear nervosamente.

- Ahn, sabe que eu não posso tomar nenhuma decisão. Sou apenas...

- Sim... Sim... uma vaca mandada. - o fugitivo riu entre os dentes brancos, enquanto pisava na bituca de cigarro. Finalmente se virou e encarou Ludivog, que fazia uma cara de desagrado. - Ora, não se ofenda com a verdade. Marco está no carro, eu suponho. Sinto cheiro de loção barata.

- Ahem... Sim. Lord Marco está no carro a sua espera. Acompanhe-me, se já terminou sua brincadeira.

- Aah, caro Ludivog. Eu apenas comecei. - rindo mais uma vez, o fugitivo passou por Ludivog e seguiu as trilhas montanha a baixo.

Alguns minutos depois, chegavam a uma limusine branca belíssima. A porta de trás se abriu e o fugitivo entrou sem demonstrar reações e nem delongas. Ludivog ocupou o assento do motorista e logo pôs o veículo em movimento acelerado.

Nos bancos de trás, a figura do fugitivo era contrastante com seu acompanhante. Um homem bem vestido, com um terno bege, chapéu de mesma cor e óculos escuros. Sua pele era pálida mas não aparentava passar dos 30 anos.

- Teve uma boa viagem, Marco? - perguntou o fugitivo, jogado nos confortáveis bancos de couro.
- Muito relaxante. Mas Ludivog dirige como uma velha. Espero que você um dia possa me mostrar suas habilidades automobilísticas. Quem sabe não o contrato como motorista e minha vida ficaria mais emocionante.

- Se quer emoção, Marco, melhor continuarmos com o trato original - disse o rapaz, rindo - Aliás... refresque minha memória, sim? Qual seria o trato desta vez? Fique certo de incluir um cartão "saída livre da prisão" desta vez. Quero ter uma garantia de não ficar tanto tempo esperando.

- Ah claro. Peço perdão por sua reclusa. Isto não voltará a acontecer.

- Claro que não. - o fugitivo encostava a cabeça no banco de couro, ainda fitando o Lorde com seus olhos amarelos de coruja. - Comece a falar.

Marco respirava fundo e entregava um envelope pardo ao fugitivo.
-Aqui estão os detalhes, documentos novos, passagens, contratos, dinheiro. Tudo o que se precisa para reaparecer sem levantar suspeitas. Você irá para Knoxville, no Tenessee. Já temos uma casa simples, um emprego estável de faxada e um laboratório a altura para a continuação de sua pesquisa. - Marco agora retirava os óculos. Seus olhos eram do mais puro azul e encaravam o prisioneiro. - Tem certeza de que poderá criar um exército em pouco tempo? Ainda se lembra da fórmula?

O fugitivo agora sorria largamente, mostrando os caninos estranhamente pontudos.
- Não se pode esquecer o que está no próprio sangue.

Marco demorou seu olhar na boca do acompanhante por alguns segundos, voltando a seus olhos logo em seguida.
- Então é verdade... - disse em tom surpreso, perplexo talvez, mas com a expressão imutável. - Mas você está sob controle. Quero algo fora do controle! Nem mesmo do meu controle! Quero soltar uma praga que não possa ser contida.

- Oooh... Alguém vai ficar sem presentes no Natal... - brincou o prisioneiro, ainda demonstrando prazer em ouvir tudo aquilo. - E eu quero meu laboratório e minhas crianças. Simples, não? E você poderá vencer esta guerra secreta ridícula que os homens inventaram.

Aqui Marco olhou o ex-prisioneiro com dúvida nos olhos.
- Fala como se não pertencesse à raça.

Os olhos amarelos do prisioneiro brilharam na meia-luz do veículo em movimento. Seus dentes brancos novamente se mostraram em um largo sorriso.
- Tem razão. - Foram suas únicas palavras.


Mais a Seguir...

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Re: Zephyr Origens - Cap I - Gênese

Mensagem por Kalysta em Seg 8 Nov 2010 - 13:08

Knoxville - 20 de maio de 2100, 23h46 - Calendário Cristão

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A placa verde enferrujada na beira da estrada dizia "Knoxville", 50 miles. Logo à frente, uma placa bem no meio da estrada interrompia o avanço de carro. Uma caveira com ossos cruzados dava um aviso - STOP. Faixas listradas de amarelo e negro circulavam o local. A cidade estava em quarentena.

Haviam viaturas e policiais armados por toda a extensão da barreira. Tanques podiam ser vistos em um cerco mais amplo. Todos usavam roupas totalmente fechadas, sem nenhuma parte de pele a mostra, como astronautas. Armas potentes eram carregadas e os olhos estavam atentos. Nenhum som era ouvido.

Porém, não muito longe dali, um policial observava apreensivo o entorno e seus colegas mais afastados enquanto guardava um farto rolo de notas verdes e permitia a dois homens passarem pelas faixas tranquilamente. Eram os já conhecidos Marco e Ludivog. Suas roupas escuras ajudavam a se camuflar, usavam botas, luvas e máscaras. Seguiram pelas ruas desertas de Knoxville. O baixinho olhava a tudo ansiosamente, mas Marco seguia com o olhar firme.

Lojas, postos de gasolina, carros no meio da rua. Tudo abandonado. Algumas luzes dos postes funcionavam, mas piscavam irritantemente. O som do vento era amedrontador, balançando portas e janelas quebradas, placas entortadas e outdoors rasgados. Cadáveres já em decomposição jaziam por toda parte. Ludivog levou seu lenço vermelho ao rosto, enojado pelo cheiro.
- Cristo....
- Pare com as lamúrias, Ludivog. Até parece que já não viu coisa parecida em suas pesquisas. Você seria a última pessoa a quem Cristo prestaria clemência.
- Mas... está nos jornais, Marco! Na TV! Há vídeos de fugitivos no Youtube! Cenas horríveis! Gravaram dos celulares, Marco! Está registrado e indubitável! Ele soltou a praga na cidade inteira!
- Claro que soltou. Eu pedi uma praga, não pedi? Uma que não tivesse controle. Ele apenas obedeceu rigorosamente.

Finalmente, chegaram a uma rua em especial. Cinnamon Street. Seguiram por ela até chegarem a uma casa amarelada, pequena e simples. Ali pararam e assim ficaram por alguns minutos.

- Quer que eu... - começou o baixinho
- Fique onde está. Ele já deve ter nos localizado e está vindo ao nosso encontro.
O baixinho parecia nervoso e apreensivo, olhando para todos os lados. Retirou uma pequena arma do bolso e a segurava.

Um som arrastado quebrou o silêncio e a tranquilidade dos dois. Alguém se aproximava. Era visível um vulto andando pela rua. Os dois fitaram o vulto com atenção. Não era quem estavam esperando. Era uma mulher. Cabelos longos e de camisola azul longa. Era magra. Muito magra. Parecia frágil e cansada.

- O-Olá? - disse apreensivo um gordinho nervoso.

A mulher parara. Sua respiração pôde ser ouvida, pesada e profunda.
- C-Comida... Por ... favor... - foi o que ela disse, em uma voz de súplica, voltando a se aproximar com os braços estendidos.

Ludivog olhou para Marco, rapidamente, e de volta à mulher, aproximando-se um pouco.
- Por Deus, o que aquele louco fez?
Marco nada respondia, apenas fitava a garota.

- Co... mi... da... por... favor.... - as palavras saíam quase como um choro. A mulher caíra no chão. Ludivog de pronto se aproximou da garota e virou seu rosto. Estava pálida como um lençol. Desmaiada.

Marco finalmente volta seu olhar para a casa. Em sua pequena varanda há um homem vestindo um sobretudo vermelho, calças e botas pretas de couro. Em seu tórax nu é visível dos coldres de couro cru, onde repousam duas armas - uma branca e uma negra - ambas com canos longos e inscrições pequenas. Seus cabelos longos batiam nos ombros e seu sorriso recepcionava as visitas ilustres.
- Mas que surpresa agradável. - disse. - Marco e sua vaca.

- Ora seu... - começou o baixinho, mas Marco fez um sinal discreto com a mão para que parasse.
- Professor... - iniciou Marco - Vejo que se lembrou da fórmula e não demorou a testá-la.
- Se bem me lembro... - o homem de vermelho sentava nos degraus - ... Você me contratou para desenvolver algo incontrolável, Marco. Uma praga. Uma peste. - aqui ele ergueu os braços - Eis sua peste. É toda sua. - riu entre os dentes, balançando os ombros.

Marco permaneceu em silêncio, depois voltou a falar.
- Eu gostaria que a tivesse liberado em um lugar e datas determinados por mim.
- Ah...mas ISSO, você não me disse. Deveria ter sido mais específico, Marco. Mas minhas criações são versáteis. Podem ser transportadas facilmente e levarão a contaminação para onde você desejar.
- Não sei se você está a par da tecnologia de hoje ou de sua atual situação, professor, mas todo o mundo já sabe disto aqui. Há vídeos, fotos e um cerco de segurança máxima. Como pretende se livrar disto?

O homem coçou o queixo, sorrindo.
- ]b]Ah, detalhes detalhes. Estava esperando sua chegada para me ajudar, caro Marco. Afinal, isto tudo foi feito para você. Chegou sua hora de agir e cumprir sua parte no acordo, não?[/b]

Marco sorriu.
- Bem, como você disse eu posso transportar suas criações e seguir com o meu projeto. Se você escapar de ser executado aqui mesmo e for preso, ficarei feliz em ajudá-lo como fiz ano passado. Mas comprometer a mim e ao meu projeto de uma vida por uma falha de cálculos sua, isto não estava discriminado no contrato.

O homem de vermelho sorriu.
- Mas Marco....Onde você vê falhas aqui?

Marco franziu as sobrancelhas e foi distraído por um urro ao seu lado. Ludivog urrava e segurava algo em seu ombro. Uma cabeça. Cabelos loiros jogados à frente se tingiam de vermelho. A mesma mulher que outrora pedira comida agora cerrava no pescoço do gordinho uma mordida voraz. O som do grito foi minguando até se tornar um gemido contínuo e moribundo. O corpo de Ludivog foi se curvando ao chão, com a mulher acompanhando-o. A expressão do homem foi se relaxando até não mais existir. Marco se afastou aterrorizado, enquanto sacava uma arma, a qual não sabia se apontava para a mulher, cuja face ainda respingava o sangue de seu funcionário, ou ao homem de vermelho que agora se levantava e andava em sua direção. Optou pela segunda opção.
- Cretino! Não pense que vai se livrar de mim assim! Mesmo que consiga, não vai conseguir sair daqui!

O homem de manto rubro desceu as escadas, que rangeram com seu peso, e avançava lentamente na direção de Marco.
- Quem disse que quero me livrar de você, Marco? - a confusão brilhou na face do Lorde. - Veja bem... A falha, que você disse, não existe justamente por você estar aqui, Marco.

A mulher sorria com seus lábios tingidos de um vermelho brilhante. Seus olhos vermelhos brilhavam à luz da lua, fitando o rapaz armado que se afastava.
- Você enlouqueceu! - Um tiro foi disparado.

O homem de manto rubro sumira. Marco estava perplexo e escutava as risadas da mulher, que parecia se divertir. Foi quando sentiu uma mão fria do lado de seu crânio. Seu sangue gelou nas veias e logo seu pescoço era perfurado por algo pontudo. Sua razão se esvaiu.

---x---

O policial contava o dinheiro tranquilamente, pensando no que iria comprar quando estivesse de folga. Talvez se aposentasse. Achava estranho alguém da imprensa querer se arriscar em um local isolado por perigo de contaminação, mas repórteres são assim. Pagavam bem, o que era estranho, mas isso não era de sua conta.
Um barulho próximo assustou e o fez virar com a arma em punho. Era o repórter que tinha passado por ele. Estava sozinho, mas era o mesmo rapaz.
- Ora! Seu idiota. - disse o policial nervoso, mas contendo a voz para não ser ouvido. - Não se aproxime assim! Quase lhe fuzilo.
- Ah desculpe. - disse Marco, com uma voz calma e mostrando as palmas das luvas. - Não foi minha intenção.
- Ahan.- o policial abaixava a arma, ainda olhando desconfiado. - Espero que não tenha tirado as luvas e nem a máscara lá dentro! Não quero saber de problemas.
- Não se preocupe. - respondeu Marco - Estou limpo.
- E seu amigo? Está vindo aí?
- Ele é fotógrafo. Quis se afastar para tirar mais fotos e eu deixei. Artistas são assim mesmo.
- Mas... - o policial esbranquiçou - Ele não pode...
- Ora. Ninguém sabe de nossa entrada, amigo. Não há provas que lhe incriminem. Se ele se arriscou, o problema é dele. - Marco voltou a caminhar, saindo do cerco e indo em direção ao carro escondido no qual viera. - Enjoy your money.

O policial ainda ficou olhando Marco se afastar, olhava em direção da cidade, novamente para Marco e para a cidade. Amaldiçoou tudo o que conhecia e mandou tudo às favas, entrando no cerco.

- E assim... a peste quebra o cerco. - disse Marco em um sussurro.

E assim, entrou no carro e retirou as luvas e a máscara. Seus olhos, antes de um azul puro, agora jaziam vermelho-vivo. Em sua boca, dois caninos afiados apareceram em um sorriso. Pelo espelho mirou o banco de trás do carro, uma figura de um homem de manto vermelho abraçado a uma mulher com o rosto ainda manchado de sangue.
- Para onde, Mestre?
O homem de vermelho sorriu.
- Para a eternidade, Marco.

---x---

Nos livros de história conta-se que a Quarentena de Knoxville fora um fracasso. O cerco fora quebrado inexplicavelmente, com a contaminação dos policiais em serviço, que apareceram todos mortos sem uma gota de sangue em seus corpos. O fato foi atribuído à nova doença e só restava o extermínio completo de toda vida em um raio de quilômetros dali, por meio de uma arma química desenvolvida para guerras. A região passou a ser conhecida como Fenda da Praga e o dia 25 de maio ficou conhecido como o "Dia da Gênese". Não foram divulgados mais casos da doença desde então e o povo esqueceu. Alguém, por trás de tudo, contava com esse esquecimento.
E assim, muito antes dos Sete Dias de Fogo, a raça dos Vampiros já existia. Vivendo por muito tempo nas sombras e sem ser descoberta. O nome de seu criador também fora esquecido pelos humanos e até hoje assim permanece.

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Re: Zephyr Origens - Cap I - Gênese

Mensagem por Kalysta em Qua 1 Dez 2010 - 22:42

St. Ursanne, Suíça - 24 de Dezembro de 2150, 18h - Calendário Cristão

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As badaladas das pequenas igrejas sacodem a neve do topo das construções. Os hinos de natal em vozes suaves embalam a noite de crianças já se preparando para dormir. Todas em seus pijamas grossos, recebendo as carícias de seus respectivos pais, que preparam as surpresas do dia seguinte.

A rua alva ainda se encontra repleta. As luzes públicas acendem em seu tom amarelado, pontualmente. Casais andam abraçados por entre os casacos, trocando juras de amor eterno a contar daquele dia.

Um homem vestindo um capote preto repleto de flocos de neve, atravessa a rua apressadamente. Em seus braços, um pacote pardo pesado. Seu gorro está tão enfiado em sua cabeça que mal dá pra ver a vermelhidão ocasionada pelo frio em suas bochechas albinas. Seus olhos azuis vívidos estão fixos em seu objetivo. Uma modesta e estreita casinha avermelhada, do outro lado da rua. Na porta uma guirlanda tão belamente feita que atrai a atenção de transeuntes. Obra de sua filha. Claro. E quem mais. O homem sorri com orgulho.

A porta está aberta. Ao entrar, tranca-a e despeja sobre o mancebo seu pesado casaco, cachecóis e o gorro, que cai no chão ignorado, libertando uma superfície calva no topo da cabeça de nosso rapaz. O pacote continua em seus braços. Logo ele segue por um corredor estreito. Apesar dos enfeites de natal e da casa bem iluminada, o ambiente está vazio. Ao fim do corredor, a direita, uma pequena porta abaixo da escada que leva ao andar superior é aberta, revelando o armário de vassouras. Ali, o estranho homem, encosta em um ponto da parede e espera. Uma luz do teto focaliza, piscante, seus olhos. Uma voz metalizada fala de algum lugar:

- Professor Albert Gut, registro 499-A, Divisão de DNA Aplicado. Acesso permitido. Boa noite, professor.
- Boa noite, MEGGY. - disse o homem, sorrindo. Sua voz era animada e alegre.

Uma porta se abrira ao fundo do armário e uma luz branca artificial invadiu o ambiente, fazendo Albert estreitar os olhos. Teria que trocar aquelas luzes, qualquer dia.

Seguiu por uma escada de metal que levava a uma ante-sala com três portas. A de sua frente possuía um pequeno vidro por onde Albert olhou, curioso. Ele via uma sala já familiar sua. Passara mais de 20 anos de sua vida ali embaixo. Era uma sala totalmente branca, sem qualquer adorno. No centro, uma mesa quadrada e duas cadeiras opostas, tudo em madeira branca. Seus olhos azuis olharam para uma moça, em uma das cadeiras. Era sua mulher, Alizi. Era loira, seus longos cabelos cacheados presos a uma trança. Seu rosto era redondo e alvo. Segurava um baralho nas mãos e colocava, alternadamente, cartas viradas para baixo na mesa, olhando para a pessoa a sua frente.

Pessoa. Era uma menina. Muito parecida com o casal, apenas com uma singularidade. Mais parecia um anjo. Sua pele era alva e perfeita, luminosa. Seus olhos azuis eram cristalinos, curiosos e bondosos. Seus cabelos lisos e de um loiro pálido, caíam perfeitamente sobre os ombros. Devia estar em seus 8 ou 9 anos. Olhava fixamente para a mulher, sem fitar as cartas, e dizia sem errar cada uma delas. Elas prosseguiram assim por um ou dois minutos, sendo observadas pelo homem na porta, que parecia orgulhoso. Quando o baralho acabou, a mulher se debruçou na mesa e sorriu para a menina.

- Muito bem, Ali. Acho que este foi o último. - disse, mostrando os dentes brancos e perfeitos em um sorriso orgulhoso.
A menina sorriu igualmente, o que pareceu iluminar todo o ambiente.
- Obrigada, mãe. Fico contente de não precisar mais fazer isso. Estava ficando chato. - aqui a menina fez uma cara um tanto sapeca e olhou para a parede vazia, oposta a porta. - Papai vai ficar do lado de fora por quanto tempo?

A mulher olhou para a porta, sem entender, mas quando viu o rosto de seu marido exibiu novamente um sorriso.
- Ali.... Quando o percebeu?
A menina deu de ombros e respondeu, balançando as pernas.
- Estou seguindo ele desde a loja de livros. Ele comprou o que eu pedi de Natal, mas prometo fingir surpresa quando abrir. - aqui a menina ficou em silêncio - E não, ele não acha que você engordou, antes que você me pergunte.
A mulher enrubescera, levantando-se e ajeitando os cabelos:
- Ora ... eu não ia perguntar isso nunca!
A menina torceu o lábio.
- Ahan... claro mãe. Vamos ver o que ganhei de Natal. Estou curiosa.

A mulher foi até a porta e pressionou seu polegar contra um pequeno visor. Uma luz verde acendeu e, após um bipe, a porta emitiu um som metálico e foi aberta. Albert abraçara sua mulher e, agaichando-se, abriu os braços. A menina estava colocando a cadeira no lugar, saiu correndo para se jogar em cima do rapaz.
- Aaah... está ficando pesada, e seu pai muito velho. - A menina torcera o nariz a isso, mas não emitiu som nenhum. O homem prosseguiu. - Está quase tão bela quanto sua mãe.
Alizi corou e fez um gesto com a mão. Albert então, levou o pacote pardo às mãos da menina.
- Oh Papai! Um presente!! O que será?
- Ora, eu sei que você já sabe!
- Mas juro que não sei. Estava tão entretida no exercício que nem me foquei em você hoje o diiiiiaa inteiro!

O homem riu. A menina tirava um livro grosso, porém curto, do pacote. Sua capa era velha e havia um desenho na mesma. Um belo lobo branco, emitindo chamas de um azul puro. Haviam marcas vermelhas por seu corpo e o título vinha igualmente em vermelho: "Lendas Japonesas". A menina olhava o lobo com os olhos sonhadores e uma expressão de gosto tão límpida que mesmo os anjos não poderiam evitar.
- Posso ter um destes, papai? - olhava agora Albert - Um lobo lindo destes como bicho de estimação?
Albert levou um de seus dedos à face da menina, beijando-lhe a testa carinhosamente, e depois fitando-a nos olhos.
- Já lhe disse... Você é o começo de um novo mundo. Poderá fazer o que quiser. - Aqui seus dedos seguiram do meio da testa da menina para o lado, trazendo fios de ouro pálido até atrás de uma orelha levemente pontiaguda. - Minha querida Alihanna.

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Mais a seguir...

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Re: Zephyr Origens - Cap I - Gênese

Mensagem por Kalysta em Ter 11 Jan 2011 - 22:09

Berlim, Alemanha - 13 de Julho de 2498 19h - Calendário Cristão

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Uma sala de escritório com nove cientistas, todos já de avançada idade. Uma cadeira jazia vazia. O clima da sala era de velório. O cientista da cabeceira, de nariz fino, óculos grossos e alva careca, iniciou a reunião.

- Senhores. Esta guerra já dura 19 anos. Amanhã ela completará 20 anos e promete durar por mais muitos anos. - O cientista olhou seus companheiros.
- Todos aqui... foram contribuintes para as atrocidades que nos cercam. Mesmo nosso colega - apontava para a cadeira vazia - o Dr Ashura sendo o principal algoz de nosso mundo, somos todos culpados. Por isso... Esta reunião está sendo gravada para recordar o que fizemos de bom, para contribuir com a sociedade. Estas informações serão guardadas em nosso cofre Delphos-3C para que, num futuro mais pacífico, possamos ser talvez perdoados por nossos atos.
- Sei que todos aqui realizaram pesquisas em segredo, por medo de roubo dos colegas. Mas agora este medo se torna ridículo, perante o que vem pela frente.


Um momento de silêncio se seguiu. Um dos cientistas, gordinho e de estatura anormalmente baixa, tomou posse da palavra. Os outros o olharam com admiração.
-
Eu, Dr. Elrich Dwart, modifiquei o DNA de humanos que nasceram com o código já alterado, apresentando nanismo. - apertando algumas teclas presentes na mesa, um aparelho de criação de imagem olográfica apresentou o esquema de um anão. Sua expressão e estrutura eram fortes. - São mais resistentes, não possuem as mesmas limitações que humanos como eu, com ossos e juntas frágeis. Consegui também que vivessem mais longamente, sendo meus exemplares com a idade de 300 anos agora. Já constituem família.

Os cientistas olhavam para o anão olográfico com admiração.
-
Não queria minha raça sucumbindo à guerra como se fosse lixo. Como se não pudesse fazer nada.

Concluindo assim seu discurso, o cientista se sentou e a imagem sumiu de cima da mesa. Todos se mantiveram em silêncio por muito tempo. Anos de trabalho em prol de uma parcela da humanidade constantemente deixada de lado. Um outro mestre da ciência, alto e encurvado, com farta barba e cabelos, pressionou outra tecla na mesa e começou.
-
Sou o Dr. Youko Kaiba. - neste instante, um homem lobo apareceu na olografia. OS cientistas exclamaram. - Sim. Eu também estava criando espécies para servirem de soldados na guerra. Criei geneticamente a mistura entre humanos e feras. Como a condição pôde ser transmitida pelo sangue, chamei-os de Licantropos. - aqui o médico pressionou outra tecla. O homem lobo deu lugar a uma menina de cabelos ruivos, com orelhas de gato e olhos curiosos. - Esta, por outro lado, é minha filha. - o cientista mostrava-se emocionado. - Diagnosticada com uma doença terminal, sua vida terminaria em meses. Vendo que minhas criações possuíam uma resistência maior que os humanos, modifiquei o gene e implantei em minha filha. Ela tem plena consciência de suas capacidades e possui uma velocidade e resistências amplas. Como nas lendas japonesas, ela se entitula uma Youkai, como nos livros de demônios antigos. Ela continua com minha pesquisa, agora.

Dito isto, Kaiba se sentou e a olografia sumiu.
A única mulher ali presente, levantou-se e pressionou uma tecla. Uma jovem, de cabelos loiros e infinita beleza, orelhas pontudas e pele alva apareceu na olografia. A seu lado, um lobo branco com marcas vermelhas. Sobrevoando sua cabeça, um pequeno ser que não pôde ser focalizado por sua rapidez. Os cientistas ficaram exacerbados com sua beleza.
-
Meu nome... é Marin Gut. Sou descendente de Albert Gut, pai deste ser que vos apresento. Esta é Alihanna. Meu ancestral a criou, e ainda ela aparenta ter a idade de 17 anos. Possui faculdades mentais fantásticas. Controle de elementos como fogo e água, criação de seres por sua vontade e sentimentos. Aquele ser que a sobrevoa, é uma Fada, criada a partir de uma imagem de livro. Tal qual é o lobo a seu lado. A intenção de Albert era criar uma raça pura, uma raça benigna, poderosa e imortal. Creio que ele tenha conseguido.

A conversa fora interrompida por um estampido na porta. O salão se encheu de poeira e os cientistas foram ao chão. Olhando para a porta. Lá, uma figura em manto rubro, calças e botas de couro. Seus cabelos negros caíam por seu ombro. EM suas mãos, duas armas de cano longo.
-
Ah... cientistas. Fáceis de prever. - disse o homem, já adentrando o salão e intimidando os presentes a se afastarem o máximo possível.
- Lamento, senhores, mas suas criações devem ser banidas. A única raça permitida será - os olhos do misterioso homem se mostraram por baixo das madeixas. Amarelos. Doentios. Mortos -
A MINHA!

Tiros. Uma gargalhada demoníaca. Sangue pelas paredes, vidros.
A figura da menina, com seu semblante magnífico permanecia, congelada no tempo. O homem de sobretudo, com respingos de sangue no rosto, sobe na mesa e se aproxima da imagem.
-
Eu vou acabar com esta sua beleza doentia. Vou criar uma nova raça juntamente com seu poder, e depois vou rasgar este seu sorriso de orelha a orelha.... ALIHANNA!

---x---
A seguir, o encerramento.

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Re: Zephyr Origens - Cap I - Gênese

Mensagem por Kalysta em Qua 12 Jan 2011 - 18:47

Genebra, Suíça - 14 de Julho de 2500 5h - Calendário Cristão

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Uma cidade em chamas. Aviões ainda sobrevoavam o local, despejando bombas devastadoras que queimavam casas, pessoas e esperanças. Sobre um penhasco distante, em segurança, uma pessoa enrolada em uma coberta cinza observa tristemente a imagem. Seus pés descalços são alvos como a neve que os circula. O frio parece não incomodá-la mais do que a visão de um mundo sendo destruído. Era Alihanna. Seus olhos azuis estavam imbuídos de uma tristeza imensa. Seu coração se apertava. Qual seria o destino deste mundo? O que aconteceria com os humanos?

Seus pensamentos foram interrompidos por uma chegada súbita atrás de si. Ao se virar deparou-se com ele. O homem que matara seus únicos conhecidos humanos. Aquele que jurara terminar com sua vida, após absorver sua dádiva. Seus cabelos negros esvoaçavam e seu sorriso era doentio.

- Este é o melhor que pode fazer, princesa? Pensei que tivessem lhe ensinado como se esconder. - disse o homem, sacando lentamente suas duas armas.
- Jamais me esconderia de tal monstro. - o semblante de Alihanna se fechou mostrando, além da beleza, uma força incomparável. O gelo em redor começou a se levantar do solo e circundar a garota, como uma espiral alva.
- Oh... - exclamou o homem, sem grande flexão na voz. Seus olhos amarelos observaram o gelo e seu sorriso se alargou. - Hehehehhehe... EU QUERO ESTE PODER!
- NUNCA! - a garota gritou e, com um salto, sumiu da vista do vampiro. Este rapidamente a localizou. Em cima. Seus movimentos pareciam em câmera lenta mas eram rápidos. Sobre humanos!
Alihanna riscou o ar com sua mão direita e pequenas farpas de gelo se enfileiraram. Quando pronunciou um comando de voz, tais farpas cresceram repentinamente e seguiram na direção do inimigo. Eram muitas. E não paravam de ser criadas.
O rapaz também era rápido e a partir daí, deu-se uma corrida. As farpas choviam à medida que Alihanna, agora no chão, lançava neve para cima. Seu oponente riscava o território com sua velocidade, fugindo das farpas. Algumas o arranharam, tingindo o chão de carmim, mas seus movimentos em nada diminuíram.

- Acha que vai ficar assim por muito tempo? Acha mesmo que este mundo ainda vale a pena ser protegido?
- Eu vou proteger os humanos. Meus amigos e eu fomos criados para este fim. Não permitirei que esta guerra se agrave com seres como você.

Agora a figura do homem se clareou. Seus movimentos haviam parado. Foi aí que a primeira elfa que o mundo conheceu, ergueu os braços e, do céu, milhares de pequenos pontos brilhantes surgiram. O céu se cobriu com farpas congeladas.
- Se sua função é protegê-los, princesa... A minha é queimar por terra qualquer ser existente... Para criar um novo mundo. Um mundo só meu!
Com um movimento de braços, milhares de lanças mortais caíram sobre o rapaz. O chão tremeu e poeira e neve se levantaram. Alihanna respirava profundamente. Havia usado muita energia de uma vez só. Tinha que recompor as forças. Mas um tremor a distraiu. Foi tão grande que quase a fez ajoelhar-se no solo. Quando olhou para trás, na direção da cidade, seus olhos se arregalaram e um grito cortou sua garganta.

A cidade continuava em chamas, mas agora algo se levantava da terra. Uma figura gigantesca, maior do que as montanhas. Parecia um gigante. Seus braços terminavam em três longos dedos. Sua cabeça ovalada possuía duas grandes fontes de luz, que miravam a cidade. Alihanna encarou aqueles olhos, aquela criatura erguendo-se como um deus sobre o mundo. Quando achava que nada mais poderia surpreendê-la, o gigante abriu a boca e dela um elemento negro foi despejado sobre a terra. Parecia pixe mas... era fogo. Fogo negro, que se espalhou como uma chaga desintegrando tudo.

A visão aterrorizante da realidade a paralizou. A Terra... A Terra estava morrendo. Aquele fogo... Aquele gigante. Quem teria criado tamanha atrocidade.
- Quem?
- Ainda pergunta?
A voz do homem ecoou em sua nuca. Estava encostado na garota, com suas mãos sobre seus ombros Alihanna não podia se mexer. Seus olhos embaçaram com a quantidade de lágrimas que despejava. Sua preciosa Terra. O fogo mataria o solo. Não haveria espeança.
- Tantas criações genéticas para o futuro glorioso da raça humana. Uma delas, foi vendida para o eixo de países aliados. Claro que nosso amigo Ashura teve uma pequena ajuda minha mas... O crédito é só dele. São os Telenos, gigantes de fogo. E, sim. São mais de um. Há um em cada continente agora. Um em cada país. Após terminada sua munição de fogo maldito, se auto-destruirão provocando algo muito interessante de se ver.

A garota tremia. Seus soluços eram incontroláveis. O homem agora aproximava sua boca da orelha da menina.
- Não é lindo? Um mundo novo. Só meu. Eu o criei com minhas mãos. Agora, com seu sangue, irei povoá-lo a meu bel prazer. - após uma risada maléfica, sua boca se escancarou e seus caninos longos perfuraram a pele alva da pequena. Um grito de mulher ecoou nos céus, com os Telenos ao fundo queimando a terra. O céu se tingiu de vermelho sangue, assim como o gelo. Duas figuras permaneciam no chão.

O homem, agarrado à mulher, com os lábios em seu pescoço e degustando aquele sangue único. Seu corpo não podia parar, exigia mais. Era como uma droga a infiltrar-se por seu organismo, como um ataque cardíaco em seu sistema já há muito falecido.
Já a garota, cada vez mais pálida, totalmente sob poder do vencedor daquela batalha. Não. Vencedor da guerra. Seus olhos semi-cerrados ainda miravam o gigante ao longe, uma visão embaçada por lágrimas e dor, desespero e a sensação de sua preciosa dádiva sendo sugada de seu corpo. Logo sua visão escureceu e nada mais sentiu.

---x---

O rapaz de há pouco, descia o morro, ignorando o céu vermelho que denunciava o inferno na Terra. Seus lábios estavam rubros e, misteriosamente, sua respiração estava acelerada. Ao chegar na base da montanha, havia um lobo branco de marcas vermelhas sentado. O homem parou abruptmente.
- Não foi salvar sua amiga? Não conseguirá me matar agora.
... - O lobo não se mecheu, mas o homem continuou falando.
- Eu serei o equilíbrio? - o homem riu - Acho que não está entendendo a gravidade da situação, Fido. Acabo de absorvre o poder de criar e controlar. Alihanna está morta. Só resta você, aquela lagartixa com asas e as demais aberrações.
...
O homem ficou em silêncio, olhando para o lobo. Passaram-se minutos infindáveis.
- Hehe... heheheh... hahahahahahaahahahahah - uma gargalhada cortou os céus. - O destino é algo engraçado! - agora o rapaz sorria insanamente para o lobo, aproximando-se e o olhando de cima com seus olhos amarelados brilhantes - Muito bem, ó grande Amaterasu! Eu, Alucard, estarei aguardando sua profecia cair por terra. Tenho todo o tempo do mundo. E, se Alihanna ainda está viva como diz, melhor correr.

Dizendo isso, o homem prosseguiu com sua caminhada e o lobo pôs-se a subir o monte calmamente.
--x--

21 de Julho de 2500 19h - Calendário Cristão

Os gigantes peregrinaram sob a Terra por sete dias e sete noites. Alguns, somente com seu caminhar, causaram tremores nunca vistos e o demoronamento de montanhas inteiras. Quando suas cargas de fogo terminaram, todos os Telenos caíram por terra. Seria esta a calmaria? Ainda não...

Cada qual em seu leito, causou uma explosão cataclísmica que inundou os céus com cogumelos de poeira e chamas. Placas terrestres foram partidas. O oceano se rebelou, inundando continentes inteiros.

O mundo havia mudado, a terra estava castigada por fogo e água.

E assim...

Iniciou-se um novo mundo.

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Re: Zephyr Origens - Cap I - Gênese

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