Máter - Um mundo sem fronteiras

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Máter - Um mundo sem fronteiras

Mensagem por GM Jure em Ter 6 Jul 2010 - 18:10

"O universo é limitado, porém sem fronteiras." - Einstein

"O universo não é limitado, a percepção do homem do universo é limitada." - Heisenberg

"Um espetáculo triste. Se forem habitados, que espaço para miséria e loucura. Se não forem habitados, que desperdício de espaço." - Carlyle

"Existem infinitos mundos, iguais e diferentes do nosso...Nós devemos acreditar que em todos os outros mundos existem criaturas vivas e plantas e todas as outras coisas que vemos nesse mundo." - Epicuro



Máter

Um mundo sem fronteiras
capítulo piloto

É noite de lua nova. No céu, há mais estrelas que o habitual. Parece que os deuses querem presentear todos os zephyrianos com um verdadeiro show de luzes. Para completar o espetáculo, uma chuva de meteoros corta a abóbada celeste, tornando a cena ainda mais sublime. Uma verdadeira obra de arte.

O pacato caipira assiste tudo sentado em sua cadeira de balanço na varanda de seu humilde casebre. Seu cão descansa aos pés do dono à esquerda, e à direita há uma garrafa de pinga...das fortes.

-- Ara, mas si num é a coisa mais bunita qui eu já vi na vida? --Diz o caipira com a voz ligeiramente arrastada. Já estava visivelmente embriagado. -- Sabe Cumpadi...a úrtima veiz qui eu vi um troço taum bunitu quantu essi aí, achu qui tinha prá lá di meus cincu anus. -- O cão pareceu reparar que o homem falava com ele.

-- Rapaiz...tô cum um sonu lazarentu. Vô ficá mais um tequinho i dispois vô mi adurmi. -- Nesse momento, a porta de casa se abre. É a "patroa".

-- Cletus ocê num vai ficá aí essa nôiti naum uviu homi? Taum dizenu qui tem um lobisômein na regiaum. É mió ocê entrá logu. -- Diz ela.

-- Já vô muié. Só mi dexa assisti mais um bucadinhu dessis meteó qui taum passanu nu cér. Tá bunitu qui só. --

-- Ara...ocê é qui sabi...só tôma cuidadu. -- Ela diz e entra em casa.

-- Num ti disse Cumpadi qui ôji é dia de ripá na chulipa? A patroa já até veio aqui nim fora cum discurpa di lobisômein pra mi chamá pra dentru. É ôji que eu vô prantá a simentinha du Cletus Júnior oitavu... -- Cletus dá uma risadinha sarcástica, estranhamente acompanhado de seu cão.

No meio de toda aquela agitação naquele fim de mundo (qualquer coisa é motivo para agitações no fim do mundo), algo surgia para causar ainda mais alarde.

No meio da chuva de meteoros, um dos corpos celestes parece ter seu curso desviado. Faz uma linha reta perpendicular ao fluxo. Demora um pouco, mas o caipira parece notar.

-- Ih, óia lá Cumpadi. Uma das istrêla cadenti si ixtraviô. Achu qui tumei pinga dimais. Vô vê si cuchilu um poquinhu antes di entrá pra drentu.--

Lentamente a luz desce riscando os céus. O pacato Cletus sequer imagina os mistérios e segredos que o futura reserva ao mundo. Mas terá uma breve prévia nessa noite.

A estrela cadente se locomove com imensa rapidez e mais, parece com destino certo para a paisagem bucólica e erma das terras ao leste de Kannin.
Sete minutos foi o tempo exato para que a luz se escondesse atrás de um morro muito próximo à propriedade de Cletus. Um clarão precedido de um som seco e alto, e logo o caipira já saltava da cadeira. O cachorro também se assusta e começa a latir incessantemente na direção do ocorrido.

-- Mais qui diabus é issu afinar? -- Mais latidos do cão. -- Cumpadi cala a boca! -- O cachorro se cala, apesar de rosnar baixinho.

A "patroa" de Cletus volta para a varanda, também com expressão de susto.

-- Cletus, vem já pra drentu ômi. As criança taum tudo churandu cum mêdu. --

-- Eu quero é qui ocê pegui minha ispingarda i a sacola di subrevivência. I dispois vai cuidá da cria, tá uvinu muié? --

-- Cletus...larga a maum di sê... --

-- TÁ MI UVINU NÃO MUIÉ? EU QUERU MINHA ISPINGARDA AGORA! QUÉ QUI EU PARTA PRA INGUINORÂNÇA? --

-- Já vortu cum a arma. -- Submissa, ela vai pegar a espingarda.

Cletus começa se preparar. Coloca suas botas e prende seu macacão com mais firmeza. Ela volta com a arma e a sacola.

-- Toma. Juízu ein ômi. --

--I num isquéci di fazê uma sôpa quenti pra quanu eu vortá. -- Diz ajeitando seu equipamento e seu chapéu de palha na cabeça.

Cletus chama seu cachorro e vai em direção a um burro próximo. Ajeita uma sela e arreios improvisados, uma bagagem e monta.

-- Vamu Teobald, vamu Cumpadi. Temu qui vortá antis di acabá a chuva di istrêla. -- Dá um toque usando os tornozelos no burro, como se usasse esporas, e sai em disparada na direção da queda.

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Não muito longe dali, Glenn procura, sem sucesso, uma maneira de despistar seus perseguidores. Já o perseguem desde Kannin, e parecem incasáveis.

"Se não vai por bem...acho que vai ter que ser por mal..."

Glenn freia sua corrida bem no centro de um oportuna clareira. Não há luar para iluminá-lo, mas uma chuva de meteoros produz parcialmente o mesmo efeito.

Sombras subitamente passam a margear a clareira, encurralando ele. Todos vis, sedentos por violência e outros pecados que somente uma mente insana seria capaz de desejar. De alguma forma no entanto, Glenn parecia se sentir próximo deles. Talvez fosse só a adrenalina mesmo.

Tudo é silêncio. Apenas olhares cruzam aquela ínfima parte da floresta. Olhares ferinos e vorazes à espera do menor sinal de fraqueza do oponente.

"Jamais irão me pegar."

Glenn sabia desde que se envolvera nisso, que eles jamais o deixariam em paz por conta própria. São predadores natos e que sabem como abater qualquer presa. Para o azar deles, Glenn não era uma presa. Ao menos não uma comum.

Sua sagacidade o revela que o momento oportuno é esse. Agora é a hora de fintar com todos eles e fazer com que caiam em uma armadilha letal.

Mesmo ainda tendo fôlego para correr uma maratona, Glenn deixa transparecer cansaço. Uma tática inusitada, mas que poderia dar certo.

Assim que abre sua guarda...o bote! Os perseguidores avançam para arrancar a vida de Glenn de uma vez por todas!

"É ai que vocês se enganam, imbecis!"

Com eles a centímetros de distância, Glenn sorri. Abre as mãos e mentaliza seu golpe único e final.

-- Giro de Cain! -- Seu grito é procedido pela aparição de lâminas afiadíssimas em ambos os braços. Ainda nesse minúsculo intervalo de tempo, Glenn gira como um pequeno furacão com suas lâminas cortando em todas as direções.

Coitados dos perseguidores. Suas sombras quase evaporam em pleno ar, o que nos faz chegar a uma óbvia constatação: deu certo.

Glenn sorri. Sua expressão não necessariamente exprime seus sentimentos.

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A cavalgada de Cletus já toma um bom tempo. Seu estômago e suas nádegas começam a reclamar.

-- Córri mais rápidu Teobald. Queru cumê lógu a sôpa da patrôa. Mais corri seim si mexê dimais, pucadiquê sinaum meu fiofó num vai subrevivê a essis trancus i barrancus...--

O ar fica estranho de repente. era como se mudassem alguma coisa do lugar. Havia um erro ali, daqueles impossíveis de descobrir. Incomodava, tanto por existir, quanto por não poder ser descoberto.

-- Ô diachu...num tô gostanu dissu naum...-- O cão de Cletus aparentemente fareja algo. -- Cumpadi, ocê achô arguma coisa?

O cachorro late e abana o rabo olhando para um ponto fixo. Cletus se aproxima e vê uma marca esquisita encravada no chão da floresta. É relativamente funda, e aparenta ter sido queimada. Algumas outras pequenas marcas em relevo aparecem por dentro da mesma.

Uma inspeção mais cuidadosa, e Cletus logo encontra um igualmente estranho objeto metálico. A fumaça lançada por ele dá claros sinais de que não é nada saudável tentar encostar...Nele há os mesmos relevos presentes na pequena cratera. Fica claro que ele foi arremessado

O cachorro começa a latir novamente. Ele parece ter farejado a trajetória do tal objeto.

Cletus contorna uma alameda e finalmente chega ao outro lado do morro. De repente a mata fica bastante densa.

-- Ora Teobald...num mi alembro di sê tudu taum juntinhu assim pur aqui...-- Ele pega seu facão e faz seu caminho por entre os galhos. Ele acaba se empolgando, mas um súbito surto de inteligência o faz apenas observar por uma fresta.

Cletus jamais imaginou que um dia seria capaz de ver isso. Talvez somente o Fukai lhe causou tamanho espanto. Teobald e o cachorro pareciam partilhar da mesma surpresa de Cletus.

-- ...deuses do cér...mas u qui qui... --

Finalmente, o erro foi encontrado. E incomodava ainda mais agora que estava explícito.

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