O Curandeiro da Alvorada

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O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qui 1 Set 2016 - 20:35

Vou começar com a história que eu quero empurrar pra frente e publicar uma serie de até uns 3 livros ou mais cheios de atos e complementos, algo que passe das 200 paginas por livro, ou que pelo menos passe das 100. Eu já fiz uma fic dele aqui no fórum, mas achei que estava muito amador, então comecei a reescrever e acho que está melhor.

 Este conto de chama "O Curandeiro da Alvorada". É a história de um menino chamado Morphy que vai aceitar entrar para o lado do mal por assim dizer, mas logo isso irá mudar e ao longo da serie eu gostaria que ele crescesse e mudasse sua personalidade fraca para um guerreiro muito poderoso... eu sei que é cliche, mas eu adoro mesmo assim :3


Última edição por Stained B. em Qui 29 Set 2016 - 15:51, editado 1 vez(es)
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qui 1 Set 2016 - 20:36

 Prólogo: Luz.
 Não havia nada, apenas trevas tomadas pelo vazio intenso e sem propósito, sem existência. Mas uma luz se pôs contra a escuridão, uma pequena luz emanando esperança naquele ambiente tomado pelas sombras, esta  serviu de exemplo para outras ao seu lado se erguessem, e opuseram contra a força negra e escura,muitas delas espalhadas por toda a escuridão o transformando em uma paisagem serena e brilhante como cristais. Entre essas luzes, existe duas muito próximas, uma delas coberta pelo gelo irrefreável que nunca descansa, ao lado desta estava uma menor que foi preenchida pela vida, seres evoluíram tomando formas e energias, energias que o deram poderes de realizar feitos incríveis, mas alguns dominaram o verdadeiro poder trazendo algo fora do comum para o mundo, estes feitos foram batizados de “Manas”.  Mas ainda existiam aqueles que foram capazes de ir além da magia, se tornando criaturas muito alem dos outros e esses foram comparados a deuses e batizados de “Damas” vistas nas lendas como poderosas musas, e “Senhores” chamados de bravos guerreiros pelos contos.
 A primeira dama foi conhecida como Ashara, uma criatura enorme que colocava o mundo em caos até que foi aprisionada dentro de um útero para eternidade por outro ser, um bardo. Outros seguiram seu exemplo se tornando poderosos, alguns buscando mais poder para serem louvados, outros buscando proteger os próximos. Logo houve guerras intermináveis entre eles por toda a terra que causou a morte dos seus adoradores, em fim houve um pacto, nenhum que fosse superior aos seres do mundo deveria interferir em suas terras, aquele lugar já não era deles.

 Eram tão poderosos que conseguiram criar suas próprias casas e castelos fora daquele plano onde viviam, como se estivessem em outro mudo imaculável pelos mais fracos. Ao passar dos séculos ainda houveram Senhores que quebraram o pacto, muitas vezes causando um terrível mal aos seres terrenos, assim forçando outros Senhores a descer de sua casa para combatê-los e trazer plenitude para as almas indefesas.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qui 1 Set 2016 - 20:38

1º livro: A Dama de fogo.
Parte I: Dentre as Trevas.
 Capitulo I: Môrga.
  Nosso conto se inicia em uma distante fazenda, perdida entre uma maravilhosa floresta, dessas as árvores tinham suas folhas cor de rosa e troncos pálidos chamada Morfia, suas arvores que eram afastadas umas das outras a quase cinco metros e seu aroma, apesar de fraco conseguia atrair os animais com olfato mais delicado .
 O dia estava quente, a luz do sol caia sobre o agricultor que carregava uma criatura ferida em seus braços, um pequeno cavalo branco deixado sobre a proteção da sombra de árvores. O agricultor era um homem alto e forte, sua barba ruiva escondia seu rosto e seus olhos intimidavam muitos que circulavam sua fazenda, muitas vezes os tomadores de terras eram afastados por tal homem.
 Por entre as arvores passou uma carruagem, ela se aproximou da propriedade e parou, dela saltou um homem bem vestido com palito e gravata cinza, um médico particular com pericia em magias medicinais. Ajeitou o par de óculos no rosto já caminhando na direção do agricultor. As duas mãos se apertaram em um comprimento forte, ambos possuíam um aperto firme.
 - Senhor O’Liz, como ela esta? – O médico perguntou. – Percebeu alguma diferença?
 - Não, me chame de Dooph. – O ruivo pediu. – Ela continua com dores de cabeça o tempo todo, muitas vezes vomita mais do que deveria, parece que esta piorando.
 - Gostaria de vê-la. – O médico ajeitou os óculos, parecia ser uma mania. – Môrga esta na cama como indiquei?
 - Sim, ela esta no nosso quarto.
 - O que é isso. – Percebeu o cavalo. – Parece que esta sangrando muito.
 - Eu a encontrei a pouco. – O agricultor acariciava o pequeno cavalo. – Acho que é fêmea.
 - Descobriu isso por instinto? – O médico usava magias anatômicas, reconheceu o sexo do animal sentindo sua aura, por outro lado o agricultor conhecia animais apenas por seus olhares. – Deixe me ver.
 O mago se aproximou impondo suas mãos, uma fraca luz surgiu naquele instante e logo a pequena égua estava cicatrizada. A pequena abriu os olhos vendo o sol raiar sobre si, viu a luz de uma vida nova ao redor das plantações.
 O agricultor encaminhou sua companhia até sua casa, passaram pela sala de estar e logo se dirigiram para as escadas. Ao entrar no quarto de cima, sobre a cama estava a mulher de cabelos escuros e olhos cor de rosa como se fosse um par de jóias. O médico fez uma saudação cordial, e sem perder tempo fez seus exames. Pôs suas mãos sobre a barriga da mulher, podia sentir tudo do lado de dentro. O médico temia o nascimento daquela criança, alguns garotos nasceram dotados de poderes, mas esta possuía algo incomum, independente do que fosse, esta força estava destruindo o corpo de sua mãe.
 - Me desculpem. – Ele dizia. – Mas temo que essa criança não vá nascer... Eu realmente sinto muito.
 Com melancolia nos olhos o doutor se despediu se retirando da casa partindo de volta para sua carruagem. Dooph trocava olhares com sua esposa, a mulher então reparou na pequena égua.
 - Hei... O que você trouxe? – Ela sorriu mesmo com as dores e o cansaço. – É tão branquinho e fofo.
 - Ela estava machucada. – Respondeu com um sorriso tímido. – O doutor a ajudou.
 - E você já decidiu o nome?
 - Não, mas se você quiser escolher...
 - Nós dois já tínhamos combinado que seria eu a dar nome para nosso filho. – Ela tentou se sentar na cama. – Então quero que você de um nome pra essa fofura.
 - Eu não sei... O que você acha de Halpra? – Ele trouxe o cavalinho para perto de Môrga. – Não sei se parece bom...
 - É perfeito. – Ela riu bem baixo. – Ele é uma menina?
 - Sim, na verdade eu acho que sim.
 - Esta com vergonha de olhar? – Ela estendeu os braços. – Me deixaeu descobrir.
 Dooph entregou Halpra nas mãos de sua mulher, então virou o rosto com vergonha até ouvir a conclusão Môrga.
 - É uma menina.
 
  Após sete meses de gestação, a criança gritava e chorava em quanto era segurada pelos braços do médico, o garoto possuía traços muito similares a sua mãe, ele abriu os olhos mostrando sua íris cor de rosa, estendia os braços buscando algo para se agarrar, procurando algum lugar que o protege-se.  Sua mãe trouxe o conforto que buscava, ela o agarrou sorrindo, entre seus lábios suspirou:
 - Morphy... parecido com a floresta.– Anunciava o nome da criança. – Morphy O’Liz.
 Suas palavras exigiam esforço, mal conseguia manter os olhos abertos de frente com a criança tão pequena nascida prematuramente.
 - Você é tão pequeno, mas vai ser forte como seu pai. – Ela ria estava feliz. – Vai ser lindo igual a sua mãe, e vai ter muitas namoradas, mas só uma por vez... Você vai fazer tanto amigos, eu sei porque sua mãe é muito simpática  e você também é.
 Os olhos começaram a serrar, mesmo assim ela tentava manter a consciência viva. O médico percebeu a dificuldade de Môrga para respirar, colocou suas mãos próximas ao tórax da mulher tentando usar algum encanto com sua mana. Dooph correu para o lado de sua esposa agarrando sua mão, tentava passar alguma energia positiva com isso.
 - Seu pai vai precisar de ajuda, ele esta ficando velho. – Continuava cada vez mais fraca. – Mas cuidado pra não ficar tapado igual ele e... Quando você se apaixonar, cuidado pra não se machucar muito, seu pai sofreu muito comigo antes da gente se casar... E... Seja um bom menino.
 Foi seu ultimo suspiro, seus olhos foram como um par de portas sendo fechadas impedindo que a luz do lado de fora alcançasse sua Iris. Abalado com o ocorrido, a primeira reação de Dooph foi cair de joelhos agarrado a mão de sua esposa, um homem tão grande com olhos marejados, lábios trêmulos e quase sem ar. O médico não conseguia reagir, também estava abalado e nunca lidou com a morte como daquela forma tão sentimental, a mulher morreu com um sorriso no rosto e seu filho nos braços.
 
  Enquanto as folhas caiam sobre a frente da casa, um sacerdote  vindo de um reino não tão distante e conhecido do médico, ele fazia sua reza durante o enterro de Môrga.  Nos braços de Dooph a criança dormia e enrolada em suas pernas a égua se escondia do sacerdote. Ao lado do agricultor estava o médico particular que acompanhou a gestação de Môrga até o fim. Mais ninguém compareceu ao enterro, a família vivia longe de reinos, não tinham contatos com parentes desde que decidiram fugir juntos e construir uma vida sossegada no campo, esta vida que chegou ao ponto dramático, um momento delicado na vida de Dooph. Entretanto uma nova vida surgiu, seu filho Morphy e a pequena Halpra.
 O sacerdote fechou o livro em suas mãos, havia encerrado sua reza. O velho vestido com robes brancos se virou para o pai da criança.
 - Agora me traga o garoto. – Ele pediu estendendo uma das mãos. – Vou orar por ele.
 Dooph se aproximou e o sacerdote colocou sua mão sobre a cabeça do menino. Suas palavras eram baixas, mesmo o ruivo que estava tão perto não conseguia ouvir o que ele dizia. Quando terminou, ele se virou na mesma hora e começou a ir embora sem despedir-se.
 - Obrigado! – O agricultor gritou. – Senhor...
 - Meu nome é Herefeu. – Respondeu o mais alto que pode. – As pessoas em Chijihi adoram seus cultivos.
 O médico tirou os óculos, sua carruagem estava distante dali. Ele trocou um ultimo olhar com Dooph e depois deu as costas se retirando, subiu em sua carruagem e deu sinal para o cocheiro ir à frente de volta para sua casa em Chijihi, o reino devotado a uma deusa do fogo.


Última edição por Stained B. em Qua 14 Set 2016 - 21:46, editado 1 vez(es)
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qui 1 Set 2016 - 20:40

 Capitulo II: Dooph.
  O garoto olhava aquele pedaço verde saindo da terra com atenção, imaginava se puxá-lo traria dor aquela planta, estava tão perdido em sua imaginação que quando Halpra surgiu de repente agarrando com a boca e puxando até sair uma verdura amarelada Morphy se assustou e caiu para trás. O cavalinho pôs o que colheu no colo do menino e Morphy riu de forma sutil pelo ato corajoso de Halpra.
 De longe, puderam observar uma carruagem chegando, não era como as outras que tinham compartimentos para levar e trazer cargas. Esta parecia ser mais bela e formosa, ornada com ouro e pintada de negro, para puxá-la estava quatro cavalos e até mesmo o cocheiro estava vestido como um príncipe. Dela saltou um homem baixo, uma cartola enfeitava sua cabeça e ele dirigiu-se adiante acompanhado por um homem forte e alto, um homem que Morphy nunca havia visto antes, pois não possuía um corpo humano, mas o forma de um tigre. A criatura que acompanhava o baixinho trazia com sigo um grande machado.
 Os dois seguiram até a vista de Morphy não conseguir mais acompanhar por trás das fileiras de plantações. O garoto se ergueu deixando o fruto cair de seu colo e correu até tropeçar e cair, mas ao levantar a cabeça percebeu que tinha uma visão melhor do lugar que estava antes e podia ver os dois estranhos alcançarem Dooph em frente a sua casa.
 O pequeno homem conversava, o pai de Morphy não se intimidade diante da dupla. Em um momento, pareceu que o homem de cartola deu uma ordem ao seu companheiro e este se aproximou a muito perto de Dooph com o semblante raivoso. Antes que pude-se haver qualquer tipo de confusão o homem de cartola deu outra ordem e a fera distanciou-se. Ambos foram embora de volta para a carruagem.
 Halpra parou do lado do garoto, empurrou seu ombro tentando levantá-lo. Morphy então se ergueu novamente e continuou correndo até seu pai ao lado de sua companheira. Conseguiu chegar até Dooph cansado e sem fôlego.
 - Pai? – Perguntava com a respiração pesada. – Quem eram eles?
 - Ninguém. – Respondeu cruzando os braços. – O que foi isso? Ralou o joelho?
 O garoto olhou para si mesmo, não percebeu que havia se machucado no momento em que caiu. O pai tossiu tapando a boca e entrou em casa.
 - Venha, vamos cuidar disto. – Chamava. – Não quero que isso infeccione.
 Os três seguiram para dentro e logo Dooph estava cuidando do ferimento de Morphy. Ao terminar, o homem foi até a cozinha trazer o almoço que já estava pronto. O primeiro cômodo que se encontrava depois da entrada era uma sala grande, sofás com peles de animas e mobilhas de madeira, sobre as mobilhas estavam enfeites como molduras e esculturas. Um tapete azul no chão feito a mão pela própria Môrga, o piso era de uma madeira alaranjada. Nas paredes havia quadros pintados por Môrga, a mãe de Morphy sempre foi muito artística, ela pintava, tricotava, esculpia, bordava dentre inúmeras atividades e hobbies.
 A frente havia uma passagem sem porta para a cozinha, esta que era pouco maior que a sala devido a área dividida para a alimentação da família, de um lado tudo o que se precisava para preparar qualquer refeição e do outro estavam tudo o que Ra preciso para ter proveito da mesma. Logo a direita da sala tinha uma passagem que daria para as escadas, levaria até o corredor de três quartos sendo um de hospedes.
 Dooph trazia uma panela gigantesca para o centro da mesa, colocou ao redor dela uma serie de panelas pequenas. Morphy já se acumulava a mesa em quanto Halpra esperava pelo de sempre, o ruivo pegou uma maçã da fruteira no balcão e lançou para a pequena égua, o animal agarrou a fruta com os dentes em um pequeno salto.
 A panela do meio foi aberta, nela estava um fera morta e assada, a fumaça subia da criatura temperada em quanto a faca nas mãos do homem cortava seu peito e levavam até o prato do menino. Dooph abriu outra panela e com uma colher puxou o molho dela e despejou sobre o prato de Morphy. Por mais que tudo parece delicioso, para o garoto era apenas mais uma refeição, algo de todos os dias ou pelo menos quase todos.
 
 A noite chegou, em quanto as duas crianças dormiam, o homem colocou os casacos, debaixo de sua cama puxou um baú  grande, feito madeira escura. Abriu vendo o interior, lá estavam seus instrumentos de caça, entre eles pegou uma besta grande, mas em suas mãos o tamanho era ideal. Para uma arma grande a flecha deveria ser de tamanho ideal, colocou todas em sua aljava e prendeu esta no cinto. Pronto para sua caçado, deixou a casa no meio da noite indo em direção a floresta, mas não seria aquela ao redor de sua casa pois esta era inofensiva, a zona que Dooph caçava era mais distante.
 O vento gélido da noite deixava as coisas ainda mais complicadas para o caçador que observava a densa mata. Suas presas estavam camufladas na escuridão, muitas estariam dormindo, outras na espreita observando o homem.
 Sua audição detectou um alvo, virou-se entre as folhas passando com cautela entre os troncos. Encontrou uma criatura negra, ela era semelhante a um cão, mas com uma larga juba cinzenta assim como os pelos longos das patas, sua espécie foi nomeada de “Nospe” e podiam ser agressivos.
 O caçador ergueu sua besta, mirou com cautela e estava pronto para puxar o gatilho quando sentiu sua garganta coçar, a tosse queria atrapalhá-lo, quanto mais tentava segurar a vontade mais imprecisa e instável ficava sua balística até que decidiu puxar o gatilho da forma que conseguiu e a flecha percorreu entre as arvore errando o alvo caindo entre os arbustos.
 O nospe ergueu a cabeça examinando o barulho da flecha, então correu para longe. Dooph cambaleou para o lado se apoiando em uma arvore então teve um ataque de tosse, colocou a mão próxima ao rosto até terminar e poder ver o sangue na luva marrom.
 Tentou se estabilizar, respirou fundo de costas para a árvore e chacoalhou a cabeça. Abriu os olhos observando em volta e notando que estava sendo vigiado por um par de olhos entre as folhas, aquilo era um urso adulto, provavelmente atraído pelos barulhos. Vendo a criatura enorme, Dooph se apegou a sua arma, deu um passo para trás tentando fugir do grande.
 O coração do caçador estava disparado, era arriscado enfrentar um urso daquele tamanho de frente sem nenhuma estratégia, armadilha, ou qualquer arma adequada. Outra vez sentiu sua garganta o condenar, tentava segurar, mas foi inevitável que sua tosse escapa-se. No instante que o urso viu o caçador tossir, ele partiu com uma velocidade absurda contra Dooph que ergueu sua besta, mas o animal conseguiu derrubá-lo antes que pudesse fazer qualquer coisa e fez com que  suas flechas caíram todas pelo chão espalhadas.
 O animal caiu sobre Dooph, lançou suas garras contra o caçador atingindo seu estomago. O homem puxou o braço acertando sua besta no rosto do animal, Dooph se arrastou para trás no instante que a fera recebeu o golpe e ficou zonza. O urso viu o homem tentando escapar e então atacou uma segunda vez, mordeu sua perna e o arrastou de volta, Dooph não conseguia resistir, o ferimento em seu estomago foi profundo e deixava um rastro de sangue pela floresta.
 Outra vez puxou a besta e golpeou sua arma na cabeça do animal, mas ainda não foi suficiente, tentou outra vez, mas o urso não o soltava. Pelo meio do caminho, encontrou um graveto comprido, pegou este com dificuldade e colocou na besta. Apesar de não ser uma flecha, era o que ele possuía naquele instante, puxou o gatilho da arma e o graveto foi atirado contra o animal penetrando seu olho esquerdo e rasgando a lateral. A era uivou de dor, então se enfureceu ainda mais, o urso atacou suas garras novamente rasgando o torso de Dooph e neste momento, em que o urso não conseguia ver mais nada alem do homem, a fera foi atacada por outra criatura. Um nospe surgiu, talvez fosse o mesmo de antes e este atacou o urso diretamente em seu pescoço cravando seus dentes, os dois animais caíram no chão ao lado de Dooph, o nospe afundava cada vez mais suas presas em quanto o outro animal se debatia para se livrar do lobo. Logo a fera estava morta, o nospe então puxou o urso pelo mesmo ponto que o mordeu, o arrastou entre as arvore o levando para sua família.
 Dooph sangrava muito, mal conseguia respirar, seus olhos tentavam se fechar, mas sua consciência não podia desaparecer e deixar seu filho sozinho. Abatido colocou o peso do corpo sobre o punho e se ergueu da forma que pode sangrando. Deu  o primeiro passo e seu corpo quase voltou para o chão, então fez outra vez com dores e continuou em um ritmo lento e sofrido.
 Passaram-se horas, seu esforço estava acabando com o que restava de suas energias, entretanto elas não se esgotavam. Dooph continuava a vagar sozinho pela noite deixando seu sangue secar sobre as folhas da floresta rosada, não deixava que o cansaço o domina-se e não permitia que sua vida terminasse.
 Viu a porta de sua casa, o sol nascia no horizonte deixando o céu alaranjado assim como a barba ruiva de Dooph. Abriu a porta caindo de joelhos dentro de casa, se arrastou pelo piso buscando os armários de sua cozinha, buscou encontrar suas gazes e medicamentos para se cuidar e continuar. Por fim, deitou-se no chão, enrolado em gazes e ervas.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qui 1 Set 2016 - 20:45

 Capitulo III: Haraphim.
  Pela porta aberta, com o pé direito e o rosto erguido entrou uma figura esguia. Roupas formosas e um rosto sínico e sem emoção, entretanto, emanavam ódio, superioridade e arrogância em seus olhos escuros. Trazia com sigo uma energia mórbida e cheia de ira, por onde pisava deixava um rastro de necrose. Seguiu o rastro que Dooph deixou até encontrar o ruivo sentado no chão e apoiado no armário. O ruivo sentia a presença de um ser maligno, sentia-se ameaçado mesmo dentro de sua própria casa.
 - Quem é você?! – O caçador se assustou. – Vá embora da minha casa!
 - Ousa me confrontar? – O homem não alterava o semblante. – Sou o Senhor dos Mortos e não preciso de permissão de uma formiga mortal para invadir seu formigueiro imundo.
 - Eu mandei sair da minha casa!
 Dooph se levantou mesmo ferido e cansado, puxou uma das gavetas da cozinha e arremessou a mesma, o cavaleiro acertou a gaveta com a palma da mão e rebateu ela para o lado fazendo os talheres caírem pelo chão, mesmo assim o ruivo atacou novamente. Agarrou a mesa no centro da cozinha e levantou contra o invasor, por sua vez o cavaleiro contra atacou de froma mais brusca. De trás do homem surgiu uma sombra, esta ganhou forma se tornando uma asa negra, as penas se espalharam pela cozinho durante o movimento da asa que se lançou contra a mesa a partindo ao meio, então a gigantesca asa golpeou Dooph e o empurrou contra a parede imobilizando o caçador.
 - Deveria temer o que esta além de você. – Se aproximou com passos lentos. – Mesmo assim, você é determinado, fará parte da minha horda.
 As penas da asa se enrolaram ao redor da cabeça do caçador, se apertaram deixando a respiração de Dooph acelerada. Não podia ser derrotado ali, deixar a casa e seus filhos desprotegidos a mercê de um estranho que emanava uma força maligna, o caçador levou suas mãos para a asa negra que o cobria, segurava e tentava empurrá-la para trás, tentava se livrar das penas de qualquer com toda a sua força.
 - É inútil. – Disse com serenidade. – Esta dificultando as coisas.
 Sentiu algo, a força de sua asa estava começando a ter dificuldades em sufocar Dooph, o caçador mostrava sua força. O Senhor então mudou de estratégia antes que o caçador trouxe-se estresse, e fez com que as penas puxassem a cabeça do ruivo. De seu pescoço gotejou sangue, foi fácil e rápido e com um forte puxão as penas da asa separaram a cabeça do corpo do ruivo.
 - Poderia ter acabado sem dor. – O cavaleiro serrou os olhos diante do piso ensangüentado. – Você será um de meus soldados, é inevitável.
 A asa negra trouxe a cabeça morta para perto, o invasor olhou dentro dos olhos sem vida da cabeça enrolada entre as penas sem remorso, mas mantinha seu olhar penetrado no rosto como se Dooph ainda estive-se ali para escutar.
 - Você não faz idéia de como sua morte vai ser importante. – O corpo de Dooph começou a desaparecer se tornando apenas uma luz alaranjada. – Deveria estar orgulhoso do que isso vai desencadear.
O brilho alaranjado da vida de Dooph correu até a palma da mão do Senhor de Corvos, o homem serrou os dedos cobrindo a luz até capturá-la.
 - Dooph O’Liz. – Dizia. – Agora você é meu soldado morto, servo de Haraphim.
 Do lado de fora ainda estava calmo e tranqüilo, em nenhum momento a presença de um Senhor trouxe conseqüência ao clima. Saiu pela porta da frente com o mesmo formato que entrou, caminhou entre as plantações até sumir entre as árvores.
 
O garoto acordou em seu quarto, não pode deixar de sentir a ausência de algo. Saltou da cama e seu movimento fez com que Halpra que roncava em baixo da cama acorda-se. Morphy passou pelo quarto de seu pai, espiou pela brecha da porta procurando por Dooph, Halpra então empurrou a porta antes que a criança pude-se perceber, entretanto o quarto estava vazio.
 Desceram as escadas acompanhados pelo silencio, silencio não era algo bom.  Pela porta havia o rastro de sangue deixado por Dooph quando entrou em casa ferido, a trilha vermelha seguia até a cozinha. Morphy tombou para trás apoiado no último degrau da escada, levou a mão para perto da boca assustado, era muito sangue e estava com medo de seguir a trilha até seu fim.
 Halpra era corajosa diferente do menino, ela agarrou o dedo de Morphy com a boca puxando tentando fazê-lo levantar, mas o garoto ainda estava hipnotizado pelo medo. Então o cavalinho mordeu mais forte e fazendo um machucado suficiente para acordá-lo. Morphy assustou-se com o ferimento no dedo indicador, sua atenção foi desviada para o pequeno animal, olhou dentro dos olhos de Halpra que transmitiam proteção.
 Se ergueu caminhando de vagar, sua companheira logo ao lado seguia seus passos. Quanto mais olhavam o interior da cozinha de longe, mais se preocupavam por não verem nada, até que passaram pela porta e se desconfortaram com o vazio. Não havia nada ali.
 A trilha não dava em nada, o lugar bagunçado com penas negras por toda parte, e ainda seu pai não estava ali. Morphy outra vez se apavorou, mas não se imobilizou desta vez, o coração do garoto se sentiu desesperado para fugir de seu peito. A criança correu  para fora quase escorregando no sangue, correu entre por volta da casa gritando por seu pai, entre as fileiras da colheita, foi até a boca da floresta e gritou sem poupar o fôlego.
 - Pai!!!
 Mas a única resposta era o vento que soprava contra seu rosto. Seguiu mais poucos passos e gritou mais uma vez, porem o resultado foi o mesmo, sentiu-se sozinho, como se estive-se sendo observado de todos os lados, como se fosse atacado de todos os lados. Caiu encostado em uma árvore e se sentou ali, tremendo e com medo, em sua imaginação de criança, qualquer coisa podia estar a espreita daquela árvore. Halpra apareceu correndo, quanto mais se aproximava de Morphy, menos corria até para pouco antes para ver o medo e desespero no corpo tremulo do garoto, sentiu a fraqueza da criança e então se aproximou e deitou apoiada no garoto.
 Morphy viu sua companheira ao seu lado, e a única coisa que conseguiu foi chorar, as lágrimas corriam por seu rosto caindo em seu colo, trouxe as pernas para perto e abraçou as mesmas com frio.
 - Dói ficar sozinho? – Perguntou de trás da árvore. – Sentir-se fraco e sem ninguém para te proteger ou pelo menos ter medo com você.
 A criança não conseguia responder de tanto pavor.
 - Ninguém para ouvir sua voz, ouvir seu choro, ouvir seu sofrimento. – Ele dizia caminhando para ao redor da árvore. – Você não quer ficar sozinho não é?
 - Eu quero meu pai. – Respondeu com medo de olhar. – E quero uma mãe...
 - Pai e mãe... eles são como anjos. – Passou mais uma vez por trás da árvore. – Eles te abraçam e nada pode te atingir por nenhuma das direções.
 Halpra olhava os movimentos do homem que caminhava em círculos, o cavalo sentiu o medo que aquela pessoa transmitia, como se sua presença causa-se pavor.
 - Eu já tive uma mãe, ela era linda, mas sabe o que aconteceu? – Esperou por uma resposta, mas o garoto não disse nada. – Eu tive que matar ela, por isso eu sei como você se sente criança.
 Halpra saltou entre as pernas e a barriga de Morphy e se encolheu ali.
 - Cresceu sem um dos pais e agora o outro está morto. – Morphy apertou os olhos, não queria acreditar em uma confirmação. – Levanta, você pode vir comigo se quiser e ser meu protgido.
 - Protegido?
 - Meu nome é Haraphim, sou o senhor dos Corvos, filho da Dama do Voide. – Ele estendeu a mão para o garoto. – E você pode ser meu protegido, Morphy, quer vir comigo?
 -... Eu quero meu pai.
 - Se você ficar aqui estará sozinho, eu quero te ajudar. – O garoto ergueu o rosto vendo o homem. – Por favor, também estou sozinho.
 Com cautela, o garoto ergueu sua mão direta e devagar a levou até Haraphim, os dois tocaram as mãos e do corpo do Senhor surgiu sua asa negra, Morphy olhou dentro da escuridão da asa e viu apenas o vazio, seus olhos cor de rosa ficaram escuros se tornando púrpuros. Das penas que caiam da asa, estas passaram por dentro das roupas do garoto até se fixarem em sua perna direita entrando em sua pele como uma pintura gravada em seu corpo.
 A asa negra foi guardada, os olhos de Morphy finalmente voltaram para a face de Haraphim, mas estava diferente. O garoto agora não sentia medo, nem sozinho ou desprotegido.
 - Morphy O’ Liz. – Declarou Haraphim. – O meu primeiro soldado vivo, o protegido de Haraphim.
 - Soldado vivo?
 - Venha, vamos sair daqui.
 Haraphim se virou e passou a caminhar entre as árvores, então o garoto se ergueu e foi logo atrás do Senhor dos Corvos.
 - A verdade é que minha mãe queria me matar. – Explicava. – Então eu a devorei e tomei seu poder para mim, me tornei isso e agora eu vou mudar o mundo.
 - Sua mãe? Isso é horrível. – Sentiu pelo homem. – O que você se tornou?
 - O Senhor dos Corvos.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qui 1 Set 2016 - 20:51

Capitulo IV: Chijihi.
 Cruzaram a floresta Morfia e encontraram uma planície verde, sem árvores, apenas grama, adiante existia um conjunto de três pontes colossais tanto em sua largura quanto em comprimento, essas que levavam para um enorme reino do outro lado da água. O reino era como uma colina, uma ilha gigantesca que subia em morros por todos os lados e possuía camadas de muralhas e escadarias. Não podia ver muito mais de longe.
 - Essa é Chijihi. – Haraphim mostrou. – É bem pacifico, eles acreditam em uma deusa chamada Rezuria.
 - Deusa? – Morphy desconheceu o nome.
 - Rezuria é a representação da ressurreição. – Explicava sem mudar o semblante sínico. – Isso significa que depois de morrer ela pode voltar, talvez ela já esteja ali.
 O Senhor começou a andar na frente, Morphy então continuou  segui-lo e logo atrás do garoto Halpra também seguiu. A ponte era gigantesca, logo em seu inicio havia um cocheiro com sua carruagem esperando por um serviço.
 - Pode subir garoto. – Haraphim indicou. – Sinta-se a vontade.
 Haraphim se aproximou do cocheiro em quanto a criança entrava pela porta da carruagem com o cavalinho. O Senhor dos Corvos trouxe a mão para perto do homem grisalho como se estivesse pagando, mas por trás de suas mãos não haviam moedas, Haraphim abriu os dedos e surgiu uma nevoa escura que tocou o cocheiro e logo o imobilizou, a nuvem escura correu pelo corpo entrando por sua boca e o devorando por dentro.
 O cocheiro não conseguia gritar ou se defender, estava paralisado pelo poder de Haraphim e em instantes parecia estar morto.
 - Hedro Garto. – Anunciava. – Você agora é meu soldado morto, servo de Haraphim.
 O homem ergueu a cabeça, uma face sem vida, olhos escuros e pele pálida como um doente. O Senhor dos Corvos apontou com o dedo para frente da carruagem e como se fosse uma ordem o cocheiro subiu a frente preparando os cavalos.
 
Passaram pela ponte feita de tijolo de pedra, demorou quase que uma hora, outras carruagens vinham e iam por ela, mas não era corriqueiro. O garoto observava o interior, nunca havia visto uma dessa antes pelo lado de dentro, Halpra se colocava entre os pés de seu dono com olhos para Haraphim, podia se ver nos olhos do cavalinho que ela se preocupava com aquela figura vestida de negro.
 Finalmente chegou ao fim, o cocheiro abriu a porta para todos saírem de dentro da carruagem colocando os pés na estrada de pedra, Morphy e Halpra primeiro e o homem por último. Logo atrás das crianças, Haraphim estendeu a mão aberta e o cocheiro se transformou em uma luz azulada, então esta foi para os dedos do Senhor e desapareceu como se fosse absorvida.
 Ao lado da ponte havia um porto onde barcos pequenos ou grandes amparavam, no alto do muro estavam poucos guardas e logo abaixo existia uma porta colossal feita de madeira e revestida de ferro. Os soldados se vestiam com armaduras de ferro e capas azuis, eles olhavam para a carruagem em que o trio desceu e discutiram baixo entre eles. Um corvo surgiu dos céus e pousou próximo no parapeito no alto do muro, o pássaro observava a dupla de soldados distraídos entre eles, estavam discutindo sobre abrir o portão para aqueles estranhos.
 - Quem se aproxima destes muros? – Um deles perguntou com a voz alta e grave.
 - Um viajante. – Haraphim respondeu com o semblante de sempre. – Venho em busca de abrigo para esta criança e para mim.
 Os guardas voltaram entre eles e decidiram abrir as portas, do lado de dentro as correntes se movimentaram e lentamente criou-se uma vista para Morphy ver o lado interior de Chijihi.
 Uma estrada de pedra que seguia entre comerciantes, estes que chamavam e anunciavam suas vendas de todos os tipos. Estradas entre os estabelecimentos e lojas formando quarteirões e quadras. Estalagens e tavernas, alfaiates, bijuterias, ferreiros, entre outros e mais outros gêneros. Ainda existiam casas de camponeses e cidadãos de Chijihi, nada maior que a outras, mas ainda diferentes em seus formatos.
 Não havia mendigos, os necessitados eram trazidos para abrigos onde eram cuidados da melhor forma possível com suprimentos baratos dados pela realeza, mesmo assim não havia do que reclamar. Também existiam orfanatos e asilos, os prisioneiros eram levados para o calabouço do castelo que ficava no alto da colina.
 - O que acha? – Haraphim perguntou enquanto caminhava entre as pessoas. – Já viu tantas pessoas juntas assim?
 - Não. – Respondeu tentando ficar perto do homem. – Nunca vi um lugar assim.
 - Vamos ficar um tempo aqui. – Ele dizia seguindo reto. – Esta com fome?
 - Eu... – Nesse instante o garoto sentiu o estomago roncar. – Acho que sim.
 - Vamos procurar um lugar mais calmo. – Haraphim desviou-se para a esquerda, a criança e a pequena égua o seguiram até encontrarem um pequeno restaurante na esquina.
 Não era como uma taverna, não havia os bêbados festejando e as garçonetes avantajadas. Janelas próximas as mesas por onde passava a luz do dia iluminando o ambiente amigável. Sentaram-se a mesa, o Senhor cruzou as pernas e o garoto ficou a sua frente, logo passou uma mulher, sorridente de cabelos alaranjados e olhos azuis, parecia nova e provavelmente aquele seria seu primeiro emprego.
 - Boa tarde! – Seus olhos refletiam simpatia. – Vocês vão querer alguma coisa.
 - O que você recomendaria. – Até diante de uma pessoa tão carismática Haraphim ainda era tão sínico, sua voz não expressava vida.
 - Bem, eu sei que agora não é mais hora de comer esse tipo de coisa. – Ela se curvou para se aproximar da mesa como se conta-se um segredo. – Mas eu sou apaixonada pelo sanduíche dos meus pais, eles colocam tudo nele e ainda não tem nem nome.
 - Seus pais trabalham aqui com você? – O Senhor perguntou.
 - Sim, e com amina irmã também. – Respondeu alegre. – Eles são adoráveis.
 - Mas eu não vejo mais ninguém aqui, onde esta sua irmã?
 - Ela teve que ficar em casa hoje. – Ela achou estranha a pergunta. – Eu tenho que levar seu pedido, depois eu volto com ele.
A moça deixou a mesa e seguiu entre as mesas do lugar pequeno e quase vazio. Morphy estava tímido naquele ambiente, não sabia ao certo para onde olhar então não tirava os olhos da garçonete, Halpra estava aos seus pés, observando por debaixo da mesa.
 - O que você achou dela? – O homem trouxe a atenção de Morphy para si.
 - Feliz. – Respondeu rápido.
 - O nome dela é Agatha.
 - Como você sabe? – Morphy estranhou. – Vocês não parecem se conhecer.
 - Não nos conhecemos. – O Senhor dos Corvos se levantou. – Venha Morphy, preciso de você.
 Se ergueu da mesa e acompanhou o homem, o cavalinho foi logo atrás. Agatha estava ocupada em outra mesa, ainda não tirava o sorriso do rosto enquanto falava com uma mulher. Haraphim chegou até a porta, apenas funcionários deveriam passar por ela, mas mesmo assim seguiu sem receio.
 Ali era a cozinha, onde estavam um homem e uma mulher cuidando de comidas e lavando pratos, copos e talheres. Estes dois logos notaram a presença dos três, Morphy nem ao menos sabia onde estava ou o que Haraphim queria.
 - Algum problema? – A cozinheira perguntou. – Precisa de alguma coisa?
 - Morphy, meu protegido. – Haraphim chamou a criança. – Mate os dois.
 - Matar?! – Se assustou, jogou o olhar para Haraphim sem entender porquê do pedido.
 O homem saltou segurando a mão de sua mulher em direção a porta dos fundos, mas esta for fechada em sua frente de forma brusca. Entre o vão da porta esvaia uma nevoa escura e densa que se espalhava pelo chão. Halpra correu para frente de Morphy, o olhava com olhos arregalados.
 - O que vocês querem? – Ele perguntou em quanto sua mulher tremia atrás. – Podemos dar dinheiro ou comida, não precisa no machucar.
 - Em seu corpo esta parte do meu poder. – O deus se direcionava para o garoto. – Você pode fazer tudo com isso, esta vendo?
 Ele tocou na criança, por sua mão correu uma energia escura, ela percorreu o corpo de Morphy de forma indolor e quente, ganhou forma como uma roupa de couro negra, ao redor da cintura surgiu um cinto com uma bainha, nela estava uma espada curta.
 - Por que? – O garoto perguntou ainda com angustia.
 - Porque eu quero que você se torne forte assim como seus pais queriam.
 Foi suficiente, o garoto deu um passo a frente, o cavalinho tentou ficar entre ele e o casal, Halpra puxava os pés de Morphy com a boca, mas o garoto não parava. Puxou da bainha sua lâmina, feita de um metal polido que refletia o ambiente ao redor.
 - Por favor... – O homem pediu vendo a criança se aproxima. – Você não quer fazer isso.
 Morphy ainda mostrava medo nos olhos, mas fazia isso pelo que acreditava e mesmo com receio realizou um corte horizontal, a ponta percorreu pelo ar encontrando seu alvo fazendo o sangue ser espirrado por sua face. Enquanto sua primeira vitima caia com a mão na garganta, o garoto estocou a ponta da espada no estomago da mulher, perfurou até ver a lâmina sair do outro lado e encontrar a parede atrás.
 Ela caiu com as mãos no ombro da criança tremula, Morphy sentiu a respiração dela e com angustia deu uma passo para trás deixando a cozinheira cair com a espada em seu corpo. Observava os dois se agonizarem no chão, de seus lábios emanavam sons roucos e fracos como se quisessem dizer algo, e o garoto os observou até o ultimo suspiro passar entre estes lábios.
 - Ótimo, você foi perfeito. – Haraphim elogiou.
 Virou-se para trás e viu Halpra, a pequena o olhava debaixo. A criança olhou de volta sem palavras, então confuso saltou para a porta dos fundos e apesar da nevoa negra,o garoto passou pela porta sem danos os esforço. Se viu no beco atrás da estalagem e caiu no chão apoiado nas parede, sentado e com olhos marejados.
 Haraphim viu o cavalinho correr atrás de seu dono, mas a porta não se abria mais, o animal tentava empurrá-la, mas era inútil. O deus caminhou para os corpos com a mão estendida, logo estes foram convertidos em luzes amareladas que correram no ar até encontrarem a palma do Senhor dos Corvos.
  - Elisy e Gataro Brurr, agora ambos serão soldados mortos, servos de Haraphim. - Serrou os dedos e entre eles, ambas as luzes desapareceram.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qui 1 Set 2016 - 20:53

Capitulo V: Taiga.
 A garota abriu a porta da cozinha, Agatha então se viu de frente para uma enorme poça vermelha. A garçonete caiu para trás, mas não alcançou o chão, ao invés disso tocou alguém logo atrás de si. Sua voz desapareceu, nunca esteve com tanto medo.
 - Calma... – Ele pediu, mas a garota apenas pensou em correr, entretanto os braços do homem a entrelaçaram em um abraço forte. – Calma, eu posso te ajudar.
 - Quem é você? – Ela tremia.
 - Um amigo. – Respondeu com a voz suave. – Meu nome é Haraphim.
 - Por favor... – Ela começou a chorar, não sabia o que dizer. – O que está acontecendo.
- Agatha, seus pais morreram. – Haraphim foi direto e fez a jovem ficar ainda mais assustada. – Mas eu estou aqui, vou te ajudar. – A garota já não conseguia responder, apenas chorar nos braços do homem. – Aghata, você quer minha ajuda.
- ...Por favor. – Ela olhou para trás e viu seu rosto. – Me ajuda.
 Das costas do Senhor abriu sua asa negra, ela se encolhia para caber naquele espaço enquanto cobria Agatha. A garota viu o profundo sombrio e por seu corpo as penas caíram, as penas perfuraram seu braço direito e o marcaram como tatuagens negras.
 - Agatha Brurr, agora você é minha protegida. – A asa negra voltou para trás encolhida embaixo do teto, então ela retornou para o corpo de Haraphim. – Vamos encontrar sua irmã.
 
 A garçonete não estava mais circulando, a cozinha estava silenciosa demais e logo o cliente incomodado se ergueu, um homem apressado, os demais podiam ver que iria gritar e reclamar da demora de atendimento. Ele passou pela porta e viu o chão lavado de sangue, o homem assustado se paralisou por aquele instante e depois correu para atrás e caiu entre as meses chamando a atenção dos poucos ali. E então foi uma questão de tempo para chamarem por ajuda.
 Passou pouco tempo, mais pessoas se reuniam ao redor da cena, algumas assustadas e outras curiosas, outras nem se arriscavam a entrar na cozinha quanto menos na estalagem. Ele se vestia formalmente, trajes beges como ouro, seu cabelo era ruivo caindo ao redor do pescoço e seus olhos alaranjados como chamas. Ao lado dele estava uma garota, uma menina cansada com o redor dos olhos tão escurecidos como a cor negra do cabelo, estava morta de sono.
 Eles passaram entre a multidão, o homem guiava sua companhia sem empurrar ninguém passando nos espaços que encontrasse. Quando chegou ao fim ele conseguiu ver o ambiente, não havia corpos e os funcionários haviam desaparecido.
 - Você... – Uma pessoa observou o ruivo, parecia reconhecê-lo. – Você é um dos protegidos?
 - Todos vocês. – O ruivo chamou a atenção. – Preciso que se afastem e voltem para suas casas, pode ser perigoso já que não sabemos o que causou isso.
 - Do que está falando? – Alguém perguntou. – Quem fez isso?
 - O que causou isso. – Ele corrigiu, tinha esperança que não fosse alguém. – Seria melhor se todos aqui voltassem para casa e se protegessem porque se existe alguma coisa perigosa em Chijihi ela ainda pode estar por ai.
 - Mas quem é você? Nem se veste como um soldado!
 Eles se exaltaram, gritavam para o homem como se ele não tivesse o direito de tirar todos dali. Ele ergueu a mão e dela brotou uma luz e logo ela se materializou como uma chama dourada. Foi suficiente para todos se assustarem por um momento, o fogo com a cor de ouro foi inesperado.
 - Ele é um dos protegidos! – Mudaram seus gritos por algo mais agradável.
 - Me chamo Phir. – Respondeu a pequena multidão na cozinha. – Agora por favor, peço que retornem as suas casas e fiquem alerta.
 Assim eles fizeram, deixando o local enquanto o sol se pusera. Phir se virou para a garota que o acompanhava, ele sorriu como se tive-se achado engraçado alguma coisa.
 - O que foi? – Ela perguntou quase rindo dele também.
 - Nada, eu só... – Ele abaixou o rosto.
 - Está sorrindo a toa de novo. – Ela percebeu. – Você é sempre tão risonho, chega a assustar sabia?
- Me desculpa Taiga. – Ele riu para baixo. – Seria melhor você examinar isso.
 - Como consegue estar de bom humor em uma cena dessas? – Ela caminhou para perto do sangue, então se agachou observando. – Bem, é obvio que eles nunca saíram daqui, não tem rastros por nenhum lugar e sequer gotas.
 - Então é um necromante capturando almas? Eu já vi isso antes.
 - Não, necromantes não capturam almas, eles levantam os corpos na hora. – Ela olhou o redor procurando uma porta ou janela. – Ninguém viu ele saindo, então é claro que saiu pelos fundos. – Ela foi até a porta e percebeu logo de cara a marca de um par de mãos. – Parece que ele tem a minha altura ou é um anão, mas as mãos não são tão largas pra isso.
 - Acha que foi mesmo uma criança?
 - Poderia ser um lich ou... Eu não sei. – Saiu para o lado de fora e Phir a acompanhou. – Uma criança mata um casal que estava trabalhando e depois rouba as almas deles? Isso não é normal.
 - Lichs deixam um rastro por onde passam, não pode ter sido um.
 - Já viu um lich?
 - Sim, Druvh estava comigo nesse dia. – Phir olhou para a porta do lado de fora, não havia nada que pude-se ver, mas sentia algo naquela porta. – Taiga, acho que ele fez alguma coisa com a porta, estou sentido uma mana negra aqui.
 - Mas ele abriu com as mãos, por que ele...
 - Ele trancou a porta para ninguém fugir, mas abriu ela com as próprias mãos ao invés de fazer a própria mana abri-la e deixou uma pista bem aqui tão fácil. – Ele tocou a porta com a mão direita. – Ele tranca a porta com as mãos, mata o casal com uma faca e depois abre a porta com as mãos.
 - Uma criança que sabe usar mana a ponto de roubar almas, mas não a usa para atacar. – Ela raciocinava. – Eram duas pessoas.
 - Taiga, você é incrível. – Ele conseguiu arrancar um sorriso tímido da garota. – Vamos para a residência dos Brurr, talvez possamos conseguir mais alguma coisa.
 - E toda essa bagunça? O lugar esta pintado de vermelho.
 - Vou falar com alguém depois, mas agora estamos atrás de um crime. 


 Eles caminhavam até o destino, pelo caminho encontraram um soldado que patrulhava, ele vestia uma armadura de metal e um símbolo vermelho pintado no peito. O dia estava chegando ao fim, logo iria escurecer.
 - Com licença, eu vim da catedral. – Retirou um relógio do colete e mostrou que falava a verdade. – Gostaria de pedir que manda-se alguém para a estalagem dos Brurr.
 - Soube do ocorrido. – Respondeu com firmeza.
 - Está uma bagunça lá, alguém deveria fechar o lugar por enquanto até decidirem quem irá cuidar daquele lugar. – Phir sorria com simpatia para o homem. – Obrigado e tenha uma boa tarde.
 - Sim, cumprirei suas ordens protegido de Resuria. – O soldado passou pelos dois e seguiu pela estrada.
 Taiga e Phir então voltaram a caminhar enquanto o céu ganhava tons alaranjados. A casa que procuravam não estava muito distante e a garota esfregava seus olhos de sono.
 - Porque você continua fazendo isso? – O protegido perguntou preocupado. – Você está acabando com si mesma.
 - Eu sei, mas... Se eu não posso me tornar sua aluna então vou fazer meu melhor pra ajudar a catedral. – Terminou de esfregar os olhos e continuou andando apesar do sono.
 - Taiga, eu sei que você quer muito ajudar, mas desse jeito você está se destruindo. – Phir ainda continuava sorrindo. – Nosso dever e proteger todos aqui e isso é mais do que minha obrigação como um protegido de Resuria, também é meu desejo que todos estejam bem e por isso eu quero que você pare e se cuide, ficar noites acordada não é saudável.
 - O discurso foi bom, mas eu vou passar. – Ela sorriu por um instante e depois bocejou. – Eu não posso parar de estudar, é meu desejo ajudar não importa como.
 Por fim, eles encontraram a porta da residência, a mesma estava aberta e o interior silencioso.  O protegido fez sinal para sua companheira ficar ali, então seguiu só para dentro da casa. Taiga então esperou parada do lado de fora até ver Phir retornar e fechar a porta.
 - Está vazio, mas eu senti novamente a mesma mana do restaurante.
 - Acha que eles vieram até aqui depois incidente?
 - Não sei dizer. – Ele estava confuso. – A casa está organizada, e as filhas do casal também não estão aqui. – Phir estava preocupado, dava pra ver em seu olhar.
  - O que vamos fazer agora então?
 - Está escurecendo, então vamos voltar.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Sab 3 Set 2016 - 2:35

Capitulo VI: Agodeu.
 O soldado havia encontrado a porta da catedral, veio informar as ordens de Phir para fechar e cuidar da cena onde ocorreu o assassinato misterioso. A catedral de Resuria ficava no topo de Chijihi, apesar de ser chamada de “catedral” na verdade era um castelo grande onde os protegidos de Resuria se encontravam quando não estavam cumprindo ordens do sacerdote, este que obedecia somente ao rei de Chijihi que também se encontrava sempre me seu trono dentro da catedral.
 Havia dois guardas a porta, um de cada lado não impediram a passagem de seu companheiro de armadura. Então ele abriu a porta e viu o interior do salão principal.
 O ambiente era enorme, as paredes eram muito distantes e o teto era alto chegando a altura de três casas ou mais. Colunas sustentavam o teto, estatuas próximas as paredes e um longo tapete vermelho que passava entre os vários bancos de madeira. Ao fim do tapete estava uma pequena escadaria que levava ao púlpito largo, logo atrás deste estavam quatro tronos sendo um deste maior e mais formoso que os demais e sobre eles estavam três homens o quarto estava vazio pois seria impossível seu dono se sentar neste.
 No trono mais a direita estava um velho senhor, seu rosto era barbeado, mas seus cabelos brancos e suas rugas revelavam uma vida longa. Usava trajes longos e brancos ornados de ouro. Sobre cabeça o chapéu semelhante à de um bispo. Mostrava seriedade em seu olhar rabugento.
 No ao lado do velho, estava o trono mais formoso dos quatro, Sobre ele estava um homem de cabelos e barba loira que já estavam começando a ficar grisalhos.  Vestia-se de forma elegante com jóias vermelhas, sobre sua cabeça estava uma coura de ouro. Este era o rei de Chijihi.
 Ao lado do rei estava um homem mais jovem, parecia estar na casa dos vinte anos. Mas sua aparência era anormal, entretanto não era assustadora. Possuia uma pele pálida e olhos cor de magenta, cabelos brancos e lisos, parecia ser muito magro. Se vestia com um manto branco que se dividia no meio e era fechado por um tecido ao redor do abdômen. Tinha um rosto delicado e sorria com ironia. Sobre seu colo estava um gato preto que dormia enquanto seu dono o acariciava.
 O último trono estava vazio, mas seu dono estava ao lado dele. Uma criatura hibrida de homem e cavalo, um centauro forte que portava uma imensa armadura dourada, mas o que mais chamava atenção nesta era a joelheira que crescia a frente do centauro como um imenso escudo espesso. Era pálido, e tinha os olhos de um azul muito forte, era careca e seu bigode e cavanhaque eram compridos e negros.
 Estes eram os três senhores que respondiam somente ao rei. Fora eles, o salão estava repleto de pessoas, todas bem vestidas de forma elegante e usavam branco como predominante nas roupas. Também havia outros como funcionários, alguns soldados ou guardas e pessoas aparentemente vindas de outras partes do reino. O soldado chamou atenção ao entrar e logo um dos que estavam ali se aproximou.
 - Precisa de algo? – Foi direto ao recém chegado.
 - Phir, um dos protegidos me pediu para vir aqui. – Explicava com firmeza na voz. – É sobre o incidente na propriedade dos Brurr, ele quer que isolem a área e cuidem d bagunça até que outra pessoa assuma o estabelecimento.
 - Compreendo. – Ele ajeitou o par de óculos. – Vamos fazer isso já, irei chamar mais alguém para nos acompanhar. – O homem dizia, queria resolver o problema o quanto antes. – Qual o seu nome soldado de Chijihi?
 - Me chamo Agodeu senhor.
 - Certo Agodeu, obrigado por vir aqui. Me chamo Philiph.
 - É uma honra conhecer outro protegido de Resuria. – Colocou a mão no peito e fez um reverencia abaixando a cabeça.
 O homem que abordou o soldado usava um piloto branco e possuía cabelos grisalhos apesar do rosto jovem. Estava sempre ajeitando os óculos como seu fosse uma mania. Ele foi até outro dos que se vestiam de branco e o convidou para acompanhá-lo, este não recusou o pedido. Ele tinha cabelos escuros com mechas azuladas, também vestia-se de branco usando um palito azul aberto, e em seu olhar passava um ar de melancolia e tristeza.
 - Estamos prontos para ir, este é Syllo. – Apresentou o convidado.
 - Estou honrado de ajudar vocês. – Novamente Agodeu fez a mesma reverência.
 Os três deixaram a catedral e seguiram para o lado de fora que agora já estava de noite e tomado pela escuridão. A noite estava ficando fria.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Seg 5 Set 2016 - 13:29

Capítulo VII: Morphy.
 Morphy e Halpra vagaram pela por do sol sozinhos enquanto viam a maioria das pessoas se retirando das ruas e se acomodando em suas casas, aquecidos e protegidos. Viu pela janela de uma casa, um homem e uma mulher loiros, estavam colocando a janta sobre a mesa, era semelhante a forma que Dooph organizava as refeições.
 - Você não acha injusto? – A voz surgiu por de trás do garoto que se assustou. – Ver eles assim com o melhor e você...tão acabado, sozinho. Eles não merecem isso.
 - Você mandou eu matar aquelas pessoas. – O garoto estava prestes a chorar outra vez.
 - Mas era necessário Morphy, nós precisávamos fazer justiça por nós dois. – Haraphim se agachou de ante a criança. – Eu e você precisamos arrumar este mundo juntos!
 - Mas...meu pai...
 - Esqueça seu pai e pense grande criança! – Disse alto. – Vou te entregar meu poder e você conseguirá passar por cima de qualquer um que seja melhor que você.
 - Mas eu não quero isso. – Abaixou o rosto deixando as lagrimas escorrerem.
 - Você quer seu pai? Prometo te entregar seu pai se você fazer como eu disser.
 - Você pode fazer isso?
 - É claro que posso, eu sou seu Senhor. – Conseguiu manipular o garoto mais uma vez. – Segure minha mão Mophy.
 O garoto lhe entregou os dedos e ao toque uma energia escura percorreu pelo corpo do garoto. A aura envolveu a criança como se a devora-se, Morphy virou o rosto para a casa e via os dois lá dentro rirem.
 - Agora por favor meu protegido, Mate os dois. – Haraphim se ergueu outra vez e deixou que o garoto fizesse o resto.
 Halpra estava assustada vendo aquela energia que circulava o corpo de seu dono, a égua deu poucos passos para trás enquanto o garoto se dirigia para a residência até chegar próximo a janela. Morphy colocou a mão no vidro e então a janela foi devorada pela energia negra como se corroesse até a matéria desaparecer por completo.
 Então saltou para dentro da casa chamando atenção dos dois, o homem e a mulher se assustaram, ele logo ficou em frente de sua esposa com intuito de protegê-la.
 - Quem é você? – Perguntou para o garoto que invadia sua casa.
 Morphy não respondeu, apenas chegou mais perto exalando aquela energia maligna. A criança mostrava certo medo em seu semblante, estava claro que Morphy não gostava do que estava fazendo. Com forme o garoto se aproximava, o casal caminhava para trás com medo, até a criança decidiu investir suas mãos contra o homem  e saltou para atacá-lo.
 Neste instante uma porta dentro da casa rangeu, Morphy parou e olhou para sua direita vendo pelo vão da porta um par de olhos assustados. Era uma criança, talvez três anos mais nova que o garoto. Vendo isso, Morphy percebeu o que estava fazendo e assustado com suas próprias atitudes o garoto caiu para trás e passou a se arrastar no chão assustado e com olhos marejados. Se arrastou até encostar em algo atrás de si.
 - Você me decepciona. – Era Haraphim. – Eu dei uma ordem; Mate-os.
 O garoto balançou a cabeça tremulo de forma negativa. O Senhor então fez um movimento com a mão e o garoto foi arremessado contra a parede por uma sombra, ele acertou a cabeça ao atingir a parede e ficou tonto enquanto sangue escorria por seu rosto. Haraphim viu o casal logo a sua frente, o homem continuava a frente de sua mulher e apesar de assustado ele iria defender sua amada e seu filho que correu para s braços da mãe.
 Halpra entrou na casa saltando a janela com dificuldade, a pequena correu para seu dono mordendo seus cabelos e puxando para levantá-lo. Morphy estava com a visão turva e audição abafada alem do rosto manchado de sangue e lagrimas, mas conseguiu ver o esforço de sua companheira, depois viu o Senhor dos Corvos se aproximar do casal e já com as mão erguidas para atacar.
 - Herico, Clarihe e Heithor G’Or. – Haraphim já juntava uma aura sombria ao redor de seus dedos. – Agora vocês serão meus soldados mortos, servos de Haraphim.
 Esticou a mão contra a família unida, mas foi impedido. Mal pode ver quando o garoto havia se levantado, Moprhy havia saltado contra o corpo do vilão agarrando como um abraço e o empurrando para o chão. O Senhor assim que compreendeu a situação outra vez usou o poder de suas sombras para atacar o garoto o erguendo para fora do chão e o jogando para o lado de fora passando pela janela já destruída.
 A criança caiu no chão do lado de fora, tentava se erguer, mas os poderes de Haraphim estavam sugando usas forças e o machucando cada vez mais. Mesmo assim, ignorou as dores e tentou se levantar vendo seu inimigo do lado de dentro da casa. Haraphim em menos de um segundo desapareceu se tranformando em um enxame de corvos, esses que voaram para o lado de fora da residência e se juntando novamente até ganharem a forma do Senhor outra vez.
 - Eu te dei uma oportunidade de fazer parte do meu reinado, a oportunidade de ser o primeiro de meu exercito. – Ele dizia decepcionado.
 - Um exercito de crianças?! – As lagrimas já tinham passado. – Você está matando os pais delas, e depois você manda elas te obedeceram igual fez comigo.
 - Você é tolo, não consegue ver o que estou construindo?! – Seu tom era mais alto. – Você é só uma criançinha idiota que vive em um mundo de imaginação e acha que esta vida é como as histórias que seu pai contava parra você dormir, mas isso é o mundo real, o mundo real é morte e se você não mata Morphy, você morre! – O rosto de Haraphim sempre estava sínico, mas seu olhar revelava toda sua ira. – Não adianta discutir com alguém que não pode ter consciência do mundo ao seu redor, você é só uma criança perdida e fraca.
 O Senhor dos Corvos ergue as mão e apontou para o garoto, mas antes que fizesse qualquer coisa, sua perna foi mordia por Halpra, e para responder a pequena ele a chutou para longe com força a fazendo cair desapagada. Então ergueu a mão outra vez e de seus dedos uma energia rapidamente se formou com um tom sombrio e esta foi disparada como a sombra de uma flecha. A sombra percorreu contra o ar indo em direção ao seu alvo e por fim atingindo o peito de Morphy e atravessando até tocar seu coração e se fixando ali. O garoto viu a visão escurecer e o corpo simplesmente parar e então sem força alguma caiu para trás.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qua 14 Set 2016 - 21:49

Capítulo VIII: Philiph.
 Antes que pudesse cair por completo no chão, o corpo foi acolhido por alguém que amparou sua queda. Phir encontrou de longe a cena e logo surgiu em segundo, correndo pela estrada Taiga se aproximava, entretanto Phir fez um sinal com a mão para que ela parasse e fica-se longe.
 - Então é você que anda fazendo todas essas bagunças por Chijihi? – O ruivo deduzia sem tirar o sorriso do rosto. – Estava procurando você sabia?
 - Quem é você? Ousa atrapalhar o Senhor dos Corvos?!
 - Um Senhor? – O protegido colocava o corpo do garoto deitado ao chão. – O que um deus faz atacando uma criança inocente?
 - Não é de sua conta mortal. – Ergueu a mão outra vez apontando para Phir, e mais uma a mesma energia sombria surgiu.
Todavia, antes de Haraphim usar qualquer outro poder, sua mão foi atingida por um projétil, esse que puxou seu braço para o lado e fez o poder que o Senhor lançaria em Phir atingir o chão. O vilão olhou e viu uma corrente que vinha de um homem do lado oposto que Taiga e Phir vieram. Era uma corrente espectral, possuía um tom azulado e semitransparente que se originava de um arco manuseado por Syllo e corria pelo ambiente até encontrar a mão de Haraphim por onde se alojou. O deus então agarrou a corrente com a outra mão e em um puxão a mesma ficou aos pedaços.
 Agodeu correu passando ao lado de Syllo para se juntar a Phir e ao seu lado também estava Philiph. Assim que o grisalho chegou, ele colocou a criança sobre o colo.
 - Acha que consegue salva-lo? – Phir se preocupava com Morphy.
 - Não sinto nada, ele parece estar morto, mas... – O médico sentiu algo no garoto, uma aura incomum. – Existe alguma coisa viva dentro dele.
 - É como uma mana? – Ficou curioso.
 - Sim... eu não vejo uma mana natural assim há alguns anos. – Se lembrou do filho de Môrga. – Vou trazê-lo de volta Phir.
 Philiph ergueu a mão para trás e nela surgiu uma faísca de tom esverdeado, depois outra e logo sua a palma de sua mão estava coberta por essas. Então o mago golpeou com a palma da mão o peito do garoto.
 - Não foi suficiente. – Havia fracassado. – Phir, vou precisar de uns minutos.
 - Certo, não precisa ter pressa. – Sorriu para o companheiro.
 Phir puxou o relógio de ouro do bolso, abriu o mesmo e então naquele instante o relógio foi devorado por uma luz dourada e em seguida desapareceu, no lugar do objeto agora estava um livro. A luz que havia surgido a partir do relógio se esticou pelo braço do ruivo e percorreu por todo o seu corpo transformado suas vestes brancas em uma armadura de ouro ornada de vermelho e uma capa branca. Em sua outra mão nasceu uma haste que se esticou ganhando uma lâmina e se tornando uma espada dourada. Para terminar, uma chama dourada brilhou do livro e cresceu como um marca-paginas, e este percorreu até a haste da espada unindo os dois objetos.
 Agora trajado para uma batalha, o protegido de Resuria pôs sua arma contra Haraphim, os olhares de ódio do deus apontavam contra a face sorridente de Phir que mesmo diante um Senhor não demonstrava temor.
 - Você um humano carnal acredita que pode se colocar diante um Senhor? – O inimigo desacreditava.
 - Você não é tão forte quanto um Senhor, do contrario todos já estaríamos mortos. – Deduzia. – Deuses poderiam derrubar Chijihi com facilidade, mas você está hesitando para nos atacar.
 - Está subestimando alguém como eu? – Pareceu mais irritado. – Você enlouqueceu.
 Haraphim estendeu a mão para o chão e então do solo cresceu uma nuvem negra, entra a sombra cresceu um objeto. Um bastão se erguia do solo até alcançar os dedos do Senhor e por fim ser semelhante a um cajado. Da cabeça do cajado surgiu uma ponta que cresceu de forma curva e por fim revelar aquela arma como uma foice. Philiph começara a juntar outra vez sua energia na palma da mão.
 O deus fez um movimento rápido, lançou a foice contra o ar em uma reta horizontal e um feixe negro correu pelo cenário até Phir que por sua vez puxou a espada de baixo para cima e cortou traçando uma reta vertical e ficou no caminho do feixe servindo como um escudo. A espada do protegido se iluminou, sua lâmina estava em chamas, um fogo dourado que iluminava aquele lado da batalha.
 O poder de Haraphim começava a absorver a luz da espada, podia se ver a chama começar a se enfraquecer e o protegido começar a ser empurrado para trás. Do outro lado, mais uma corrente foi disparada pelo arco de Syllo, a corrente se prendeu no poder sombrio e com o arco em mãos o arqueiro puxava a corrente no intuído trazer o feixe para trás. Apesar do esforço de Syllo, ele percebeu que não era suficiente e com uma das mãos colocou a mão no bolso e dele arrancou um relógio dourado.
 O arqueiro abriu o relógio e da mesma forma que aconteceu com Phir, o arqueiro foi envolvido por uma armadura dourada ornada de azul, por suas mãos estava um par de luvas brancas e o relógio havia se tornado um livro. Syllo pôs o livro no arco, abriu e fechou as páginas na corrente deixando a mesma energizada com uma aura azul.
 O feixe finalmente começou a ser trazido para trás, mas o Senhor dos Corvos não permitiria. Haraphim outra vez passou a lâmina contra o vento e lançou mais um ataque sombrio que trilhou seu caminho pelo ar até alcançar o primeiro feixe e passou a empurrar este com mais força.
 A energia negra estava se expandindo, Phir fazia seu melhor para segurar aquela força, mas já conseguia sentir sua energia ser sugado por aquela aura. Agodeu naquela batalha não conseguia fazer nada, era apenas um soldado, não era como os demais, ele apenas conseguia observar e isso já estava o corroendo por dentro, sentia-se um inútil.
 Phir conseguia ver apenas a fogo de sua espada e as trevas devorando a luz da chama, ele podia sentir o quão aquele feixe era poderoso, a única coisa que segurava aquela coisa era a espada em suas mãos que tragava a energia negativa para dentro das chamas.
 - Talvez tenha sido idiotice dizer que ele não poderia derrubar Chijihi com facilidade. – Phir percebeu que era isso que Haraphim queria provar.
 A aura na mão de Philiph estava mais forte, as luzes em sua mão se expandiam por todo seu braço circulando por seu corpo. Por fim o médico jogou seus dedos contra o peito do garoto, perfurou a carne, atravessou os ossos e encontrou o coração, a energia de Philiph correu por dentro do órgão e alcançou as veias do corpo de Morphy se espalhando por todo o corpo do menino.
 Retirou os dedos e no mesmo instante viu os ossos se recomporem junto com a carne. Entre os lábios surgiu um sopro e Philiph sorriu vendo uma vida salva.
 - Phir, eu consegui! – Virou o rosto, e então viu alguém interferir entre a luz e as trevas.
 Agodeu lançou se corpo contra a magia de Haraphim e permitiu que sua vida sugasse todo o caos, foi como se entregasse seu corpo para o feixe e este entrasse por dentro de Agodeu maculando tudo com escuridão, apodreceu os órgãos por dentro, devorou o sangue por suas veias e trasbordou para fora pelos poros da pele até estar satisfeito com o corpo. Por fim o feixe desapareceu.
 - O que? – Haraphim nunca havia visto algo do gênero. – Como isso é possível?!
 - Agodeu! – Philiph viu o corpo cair para trás, mas Phir o segurou antes de atingir o chão.  – Não, por que você fez isso?!
 - Porque é meu dever proteger Chijihi...
 - Mas não era sua batalha soldado! – Philiph odiava a morte. – Deveria ter mantido seu posto!
 - Sim... Talvez... – Tentava respirar, mas sequer conseguia falar.
 Philiph rapidamente deixou o corpo de Morphy deitado no chão e foi até Agodeu que estava nos braços de Phir. Então juntou sua aura ao redor dos dedos como fez antes e lançou a mão contra o peito do soldado, entretanto, seus dedos foram empurrados para trás pela energia sombria que havia se alojado pelo corpo de Agodeu.
 - Philiph. – O ruivo chamou. – Ele morreu porque quis, vamos respeitar seu desejo.

 O médico virou os olhos para o inimigo, Haraphim não havia saído do lugar dês que tudo começou. Philiph puxou seu relógio do bolso e assim que o abriu este se tornou seu livro e seu corpo foi envolvido por uma armadura branca ornada de ouro, no lugar de seus óculos surgiu uma fina bandagem branca cobrindo seus olhos. Em sua mão esquerda estava o livro, e na outra mão estava uma rosa vermelha. Por fim o médico trouxe a planta para o rosto e a deixou entre os lábios. Colocou-se de pé e caminhou sobre o salto alto até o lado de Phir. Pelo outro lado, Syllo se aproximou e os três protegidos ficaram diante do Senhor dos Corvos.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Qua 14 Set 2016 - 21:50

Parte II: Dentre a Luz.
 Prólogo; Madrugada.
  A noite observava o evento, Phir fez um sinal com a mão para Taiga e ela correu para trás dos protegidos e colocou ao garoto adormecido sobre os ombros, a garota então levou Morphy consigo para longe da luta.
 Haraphim percorreu da direita para a esquerda com os olhos, observando cada um de seus inimigos tão frágeis como todo mortal.
 - Não há como vocês tolos me vencerem. – Foi arrogante. – Sou um deus!
 - Já conversamos disso antes. – Phir respondeu com sarcasmo.
 - Não baixe sua guarda. – Pediu Philiph, estava mais sério. – Estamos em um combate, não é momento para isso.
 - Eu sei, mas não posso deixar o sorriso de lado. – O ruivo respondeu. – Além disso, é a primeira vez que te vejo em combate Philiph.
 - É a primeira vez eu me trajo de fato, mas até então não estávamos enfrentando deuses.
 - Vocês vão ficar conversando? – Syllo puxou o aro do arco.
 - Desculpa. – Phir coçou a nuca.
 Syllo ergueu o arco e com o livro puxou o aro, soltou e uma corrente foi lançada, Haraphim jogou a foice contra a corrente e a fez em pedaços no ar. Phir levantou sua espada e saltou contra o inimigo, mas Haraphim conseguiu bloquear com dificuldade para responder a tempo. Por ultimo, Philiph correu para direita, era visivelmente mais rápido que os outros dois, deslizou a mão pelo chão e enão puxou a rosa dos lábios e a arremessou. Hraphim saltou para trás esquivando-se deixando um rastro negro, escapou da flor inofensiva e ignorou o ruivo, os pés do bruxo tocaram a parede da casa logo atrás e então viu outra corrente espectral ser disparada. O deus usou o impulso da parede para se projetar de volta para o chão desviando do ataque de Syllo.
 O médico agarrou a fina corrente e puxou a rosa de volta, Haraphim logo viu a flor retornando e puxou sua foice para atacar a rosa no ar, mas Phir surgiu lançando sua espada contra a lâmina de Haraphim o forçando a defender. O Senhor empurrou a espada do ruivo para trás e logo atrás de si Philiph saltou arremessando a rosa outra vez, o vilão por sua vez desviou outra vez, se tornou uma bando de corvos e esses voaram para várias direções escapando de Philiph. A rosa atingiu o chão com brutalidade causando rachaduras pelo solo.
 Outra vez Syllo puxou o aro, o arqueiro correu contra a parede das casas e soltou a corrente, Haraphim segurou esta e puxou para perto de si trazendo Syllo próximo, por fim o deus ergueu a parte inferior de sua arma atingindo o estomago. Pelo outro lado podia se ver a aura atravessando o corpo de Syllo como um fantasma, os olhos do arqueiro se reviraram e apesar de estar trajado da armadura sagrada ele ainda conseguia sentir uma dor absurda percorrer seu corpo. Foi apenas um golpe e Syllo já se sentia acabado, tentava manter os olhos abertos, mas uma força lhe orientava a desistir. Phir viu seu aliado ferido e logo partiu para um ataque, Haraphim por sua vez jogou o corpo do arqueiro para o chão e se agaixou por de baixo do golpe horizontal do ruivo, então o deus se ergueu por dentro da defesa do protegido e agarrou a face deste com sua mão, empurrou a cabeça de Phir para baixo levando o corpo inteiro do ruivo junto até afundar o corpo de seu inimigo contra o chão.
 A rosa outra vez voou contra o vento, a planta delicada correu em direção a Haraphim, entretanto o deus deixou a mesma passar por seu lado, Philiph então puxou sua arma para trás e esta retornou contra o Senhor dos Corvos, porem foi um ataque falho outra vez quando o deus deu um passo para o outro lado vendo o médico falhar. Philiph se preparou para arremessar a rosa mais uma vez e assim vez lançando a mesma para um erro obvio. O caule da rose perfurou o chão a um passo do protegido, estava claro que Philiph não queria atingir seu oponente.
 Haraphim ergueu a foice para atacar o ultimo protegido de pé, a energia se acumulou rápido na lâmina e era visível que ele usaria o mesmo golpe que derrubou Agodeu. O Senhor sentiu um puxão, seu pés foram trazido para trás e perdeu o foco. Phir que estava no chão conseguiu agarra a canela do inimigo e puxá-la fazendo a deus perder o foco e abrir sua defesa. Philiph lançou seu braço para trás junto com seu livro, as paginas brilharam e então Haraphim foi envolvido por uma força poderosa.
 - Mas.. O que?! – Não conseguia entender o que o estava prendendo. – O que vocês fizeram?!
 -Eu apenas desci a teia. – Philiph respondeu. – Não consegue ver?
 - Foi a sua maldita rosa! – Compreendeu.
 A cada vez que o médico lançou sua arma, a corrente que a conectava com o livro se espalhou pelo cenário de forma quase que invisível, assim por fim Philiph envolveu o vilão com a rosa por todos os lados e agora ele estava preso no abraço da fina corrente que lhe apertava. O protegido trouxe sua rosa de volta para entre os lábios e viu sua preza imobilizada por suas ações.
 - Isso é impossível! – Recusava perder. – Vocês são apenas humanos frágeis e...
 - Sim, nós somos. – Phir ajudava Syllo a levantar.
 - Por isso você nunca vai saber o que é lutar por nossas vidas e pela vida dos outros com medo de perde-los. – Philiph sentia a energia de todos ao seu redor, as bandagens o tornavam cego, mas a mana dentro de cada ser naqueles quilômetros eram sensíveis para ele. – Porque nós só temos uma chance e se não formos capazes... Seremos inúteis.
 O livro de Philiph ganhou um brilho vermelho, eis que as correntes do médico ganharam o mesmo tom sendo agora visíveis e com facilidade elas apertaram o corpo de Haraphim até este se explodir em uma neblina negra e fria.
 
 - Foi como eu disse. – Phir sorriu. – Ele não era tão “deus” assim.
 - Não importa, ele ainda era uma ameaça. – Philiph respondeu. – Viu o que ele fez com Agodeu? Se ele não tive-se nos protegido daquele ataque... Talvez dez ou vinte ou até trinta metros de Chijihi poderia ter acabado como ele.
 - É sua primeira batalha Philiph. – O ruivo sorria cada vez mais. – Como se sente?
 - Não é a primeira vez que luto, apenas odeio a morte. – Fechou o livro em sua mão e sua armadura desapareceu em um brilho branco, a rosa em seus lábios também sumiu junto com a faixa em seus olhos. Os óculos outra vez voltaram e o primeiro movimento de Philiph foi levar os dedos até este para ajeitá-lo em seu rosto.
 - Ouvi dizer que ninguém nunca morreu em sua presença. – Syllo citou, mas não ouve uma resposta.
 Phir serrou o livro e sua armadura e espada também desapareceram. Por fim Syllo fez o mesmo e todos estavam trajando suas roupas formais outra vez.
 - Seria melhor nós voltarmos para a catedral e reportar. – Philiph orientou e outra vez ajeitou o par de óculos.
 - Ainda não. – Phir caminhou para a outra direção e olhou pela janela da casa. – Vocês estão bem?
 A família da qual Morphy invadiu a casa fez um sinal positivo com a cabeça, a criança olhava para Phir com admiração pelos seus feitos. Então a mãe do menino esticou o braço apontando para um pequeno animal desmaiado no chão, era Halpra. Phir logo foi até a pequena e a ergueu no colo.
 - Philiph. – Chamou pelo médico. – Você pode dar um jeito?
 O mago colou suas mãos sobre o animalzinho e conjurou seu poder sobre a pequena Halpra que logo já estava curada. Isso lhe trazia recordações.
 - Vamos logo. – Phir dizia andando na frente. – Vocês deveriam andar mais rápido, está tarde demais pra ficar aqui fora.
 Os três então caminharam sob a lua até encontrar as escadas de volta para a catedral de Resuria.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Sab 24 Set 2016 - 15:52

Capitulo I: Hella.
 A sensação de morrer, uma dor física que apesar de ser a pior que o garoto poderia sentir terminara rápido, foi apenas um golpe e a vida desapareceu no mesmo instante. Porem, Morphy não morreu, ele estava vivo e respirando e a primeira coisa que pode sentir ao acordar foi a dor de morrer como se a mesma lhe empurra-se para o caminho contrario;  a vida. O menino ergueu o torso, sua respiração era ofegante, estava com medo por acordar em um lugar totalmente desconhecido, seus olhos ainda estavam embaçados e mal podia ver o ambiente.
 Podia até ser uma cama arrumada e limpa, mas nunca seria a sua cama, o teto que protegia da chuva que ecoava do lado de fora não o teto de sua casa e a figura que estava no ambiente não era seu pai. Pelo vidro da janela passava a luz do sol que tentava sair de trás das nuvens chuvosas naquela manhã, esta luz iluminava o quarto. Pelas paredes estavam prateleiras de livros e figuras esculpidas, também podia se ver uma estante livros logo ao lado da porta e uma escrivaninha com folhas em branco e outras rabiscadas.
  - Acordou cedo. – A garota percebeu, mas nem tirou os olhos de seu livro. Taiga estava sentada no chão com uma pilha de quatro livros ao seu lado e ainda mais um em suas mãos. – Eu tentei te deixar na ala médica, mas me disseram que você estava muito bem. – Ela pegou um lápis e fez uma anotação na página. – Não acha estranho que depois de ontem você possa estar bem? Sem nenhum arranhão? Sequer um vestígio de mana? Philiph fez um bom trabalho.
 - Cadê a Halpra? – Perguntou apertando forte o lençol.
 - Quem? Seu cachorro? Deve estar na ala médica. – Virou a página. – Eu não sei.
 - Ela é minha irmã! Não um cachorro. – Pareceu ficar irritado.
  - Que seja. – Respondeu de forma curta.
 - Eu quero a Halpra.
 - Eu também ia adorar que você saísse daqui, mas Phir me disse pra não deixar você sair por ai.
 Morphy ignorou e saltou da cama, cambaleou um pouco, mas conseguiu se equilibrar. O garoto seguiu para a porta, colocou seus dedos sobre a maçaneta e abriu, entretanto, antes que pude-se continuar Taiga se levantou do chão e puxou o braço do garoto, ela era claramente mais velha e mais forte que ele.
 - Vou deixar claro. – Empurrou o garoto no chão. – Eu só estou cuidando de um pirralho igual você porque Phir mandou, não gosto que entrem no meu quarto e odeio ver você na minha cama.
 - Você nem dorme nela. – Pela porta aberta ele entrou sorrindo como se o dia lá fora estivesse coberto de luz e pássaros. – Taiga, não seja rude com o convidado.
 - Ele que me desobedeceu.
 - Mas isso não é razão pra você ser rude com ela, alias, você vai acabar igual Quitara se não manerar esse mal humor. – Ele sorria. – Desculpe, meu nome é Phir e essa é a Taiga! – O homem estendeu a mão para ajudar o menino a se levantar, Taiga arregalou os olhos ao ver aquela gesto, mas logo desviou o olhar ignorando os dois..
 - Onde ta a Halpra? – Morphy insistia na pergunta.
 - Ela está bem, vou te levar até ela assim que ela se recuperar.
 - Eu quero ela agora! – Ele se levantou sozinho.
 - Desculpa, não sou eu que faço as regras, mas... – Não pode terminar de falar, o garoto passou por Phir e caminhou até a porta.
 Morphy saiu do quarto de vendo em um corredor, não sabia para qual direção ir, porem seguiu mesmo assim, descalço e desorientado. Cortinas vermelhas em frente a janelas, pinturas pelas paredes, lustres cristalinos, pisos de tom bronze e muitas decorações por aquele corredor.
 - Oi! – Uma mulher cabelos verdes viu o garoto sozinho. – Está perdido? – Ela se abaixou para conversar, mas foi ignorada.
 - Desculpa Hella! – Phir se desculpou pelo garoto, o protegido seguia Morphy pelo corredor acompanhando seu passo. – Se você for sozinho vai acabar se perdendo.
 - Eu vou achar a Halpra. – Respondeu. – E você não vai impedir.
 - Eu sei. – Ele riu. – Eu acredito em você e é por isso que vou ficar no seu caminho. – O ruivo entrou na frente do garoto. – Se quiser ver Halpra, vai ter que passar por mim.
 - Tá bem! – Moprhy correu pela direita, mas Phir apenas colocou a mão no peito do garoto e gentilmente o virou para trás.
 Hella se aproximou para ver, a mulher cruzou os braços e ficou logo atrás da cena. Ela sorria tanto quanto Phir, se vestia de branco como os demais protegidos, seus cabelos eram verdes e apesar de presos em um coque eles ainda cresciam até seu tornozelo. De cada lado de sua cintura estavam três bainhas portando três espadas, todas do mesmo tamanho.
 - Estou esperando você passar. – Phir provocava.
 - Não liga pra ele, vai consegue! – Hella torcia por Morphy. – A propósito, qual o seu nome menino? – Ele não respondeu.
 - Eu também queria saber. – Phir coçou a nuca, e então outra vez viu o garoto tentar passar por ele, mas o protegido não permitia.
 - Para com isso! Deixa eu passar!
 Uma terceira vez ele correu, mas Phir o puxou pelo braço de volta para o ponto inicial. O garoto tentou mais uma vez, tropeçou no caminho e Phir o segurou antes que caísse, e então, outra vez colocou o garoto para trás. Morphy já estava ficando com raiva do protegido, saltou contra o homem tentando lhe empurrar, mas sua força de criança era incomparável com a resistência do ruivo. Passou a dar socos na altura da barriga do protegido, mas ainda era inútil.
 - Não quero parecer mal falando isso, mas é que você bate igual uma menina. – Ela segurou o punho do garoto antes que ele o acertasse outra vez. – Na verdade... Você tem cara de menina também.
 - Para, eu só quero ver a Halpra! – O protegido não cedia.
 - Então porque você ainda não viu?
 - Cala a boca! – O garoto gritou, puxou o punho para trás e novamente atacou Phir, sua mão correu pelo ar enquanto uma energia cobriu a mesma e o golpe e outra vez Phir ergueu a palma da mão para se defender.
 O protegido sentiu a energia passar do punho para dentro de seu corpo, a dor foi anormal para um golpe vindo de alguém sem experiência e ainda tão jovem, mas não surpreendeu Phir, era exatamente isso o que o protegido queria ver.
 - Por favor... – O garoto pediu, já estava ficando triste e frustrado. – Deixa eu passar, por favor.
 -... Qual o seu nome? – Phir sorria para o menino.
 - Morphy. – Respondeu. – Morphy O’Liz.
 - É um prazer te conhecer Morphy, meu nome é Phir Ky’Rhey. – O protegido que segurava o punho do jovem puxou os dedos do garoto e fez com que as duas mãos se apertassem em um comprimento. – Eu vou te levar até a Halpra. – O protegido então seguiu para a direção aposta da qual Morphy queria ir. – A propósito, é pra cá.

 O garoto olhou para o ruivo caminhando pelo corredor, abaixou a cabeça para Hella como se fosse uma reverencia. Morphy correu atrás de Phir antes que ficasse para trás, a mulher acenou para o garoto antes que os dois fossem embora.
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Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Sex 27 Jan 2017 - 8:47

Capitulo II: Protegidos.

 Os dois passavam pelo corredor, o tapete vermelho abafava os calçados ao caminharem sobre tal. Agora Morphy acompanhava o passo do homem, observava Phir pelas costas vendo aquela figura alta como um escudo em sua frente. As roupas brancas se pareciam com as roupas de Hella. O garoto estava tímido, antes estava com coragem para atacar o ruivo, mas agora nem conseguia conversar com ele. Morphy engoliu a saliva, então com certo receio perguntou:
 - Quem era ela? – Se referia a Hella.
 - Hella? Ela me ajudou muito a estar aqui, é quase que uma mãe. – Ele virou o rosto olhando a criança. – Ela me deu um lugar para chamar de casa e então me treinou, foi graças a ela que agora eu faço parte dos protegidos de Rezuria.
 - Protegido? – O garoto se lembrava das palavras de Haraphim.
 - Sim, somos os guerreiros que recebem graças de um Senhor ou uma Dama. – Ele parou de caminhar e se virou para um quadro na parede. – Os protegidos de Rezuria tem o dever de servir Chijihi e não importa o quão difícil seja, não importe o que custe, nosso dever é proteger a todos aqueles ameaçados e ajudar todos os necessitados colocando o próximo a nossa frente em todas as circunstâncias até mesmo se for um inimigo. – O quadro mostrava um grupo de homens ajoelhados perante um pássaro de fogo. – Mas existem criaturas que devem ser mortas, monstros sem vida vindos das mais profundas trevas, sendo assim, nós não podemos hesitar em destruí-lo. – Virou-se para o corredor e continuou caminhando.
 - Protegidos tem... Poderes? – Morphy era o protegido de Haraphim, imaginava se isso significava ter algum desses poderes ou se já não era servo do Senhor dos Corvos.
 - Na verdade qualquer um pode ter algum tipo de magia, encantos e feitiços são um privilégio nessa vida. – Respondeu com o sorriso de sempre, era uma informação básica do mundo. – As vezes nos tornamos protegidos por sermos dotados desses poderes ou termos pratica com eles porque nosso cargo exige de nós uma grande força e alguns aqui já á possuíam, mas outros como eu treinaram aqui para conquistar essa força e ser digno desses poderes. – O corredor chegou ao fim, não demorou muito. Assemelhava-se á uma sala de espera, com bancos de forro vermelho, os mesmos traços de pinturas elas paredes. O lugar estava vazio, havia uma porta única diferente das portas de quartos que eram de uma madeira castanha escura, essa era branca com uma maçaneta cor prata.
 Phir deu uma pausa e olhou para o menino, então foi adiante trazendo Morphy para o lado da porta com ele. Foi aberta, o ruivo adentrou ao consultório e abriu passagem para o garoto, e foi um susto para Morphy. Mal havia observado o lugar e já havia sido atacado pela pequena que saltou de cima da cama de recuperação para o peito da criança a fazendo cair no chão. O cavalinho esfregava seu rosto na face do jovem que já abraçava sua companheira. Morphy ria feliz, fechava os olhos escapando de Halpra da forma que podia.
 Durou alguns segundo até que o menino consegui-se abraçar sua companheira e fazê-la se aquietar. Os dedos atravessavam pela crina da égua, o bichinho dobrou os joelhos de deitando sobre o torso de Morphy e fechou os olhos. Philiph encarou a cena jonto com Phir, o médico trouxe os dedos para os óculos o empurrando para cima até o topo de seu nariz alcançando a posição inicial.
 - Obrigado. – Phir se aproximou.
 - A condição dela precisava de cuidados simples, diferentes do garoto que tive que curar usando magia. – Dizia de braços cruzados e se apoiando na cama. – Foram ferimentos superficiais e físicos, isso demora mais, mas não é uma boa idéia desgastar um corpo frágil com magia.
 - Por sorte, parece que o menino ali é bem resistente com isso. – Phir se encostou logo ao lado de Philiph. – Mostrou uma força à pouco tempo, não consegui identificar muito bem, mas me parece ser forte... Digo, forte para a idade dele é claro.
 - Ele teve contato com Haraphim, talvez possua seu poder.
 - Não, no restaurante eu vi que o garoto não usou nenhum tipo de poder, Haraphim o faria usar se tive-se lhe entregado parte de seu poder ou qualquer coisa do gênero. – Estava certo disso. – Não existe motivos para não mostrar a criança seus poderes se ele lhe entrega-se e se não quisesse então nem deveria ter concedido ao garoto.
 - Tem certeza disso? – Questionou. – Eles são imortais, seu conhecimento é maior que o nosso e sendo mais inteligentes a um ponto desconhecido por nossas mentes... – Deu uma pausa para ajeitar seus óculos. – Tornam-se imprevisíveis.
 - Acho que você pode estar certo, mas não vamos pensar assim. – Riu baixo. – Otimismo. Vamos esperar que Haraphim não tenha preparado nada para esse garoto.
  - De qualquer forma ele está morto, é menos um problema para nós.
 - Sim... Foi ótimo conversar com você, é melhor eu voltar e deixar você trabalhar.
 - Claro. – Foi até uma outra cama de recuperação, sobre ele estava o que aparentava ser uma pessoa por debaixo de uma pano branco. – Você vai deixá-lo aqui?
 - Até descobrir se tem família, se tiver alguém então será melhor que fique com um responsável.
 - Concordo, nenhuma criança deveria crescer aqui. – Puxou o pano e revelou um corpo por debaixo, era Agodeu. – Obrigado pela companhia Phir, é sempre solitário aqui.
 O ruivo olhou para o corpo, não tirou o sorriso do rosto, mas seus olhos estavam marejados. O protegido então acenou com a cabeça para Philiph e deu as costas.

 - Vamos lá Morphy. – Ele chamou caminhando ao lado do garoto e seguindo de volta para o corredor. 
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