Histórias de Morte

 :: Home. :: Flood. :: Fanfics.

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Histórias de Morte

Mensagem por Lord Death em Qua 17 Ago 2016 - 16:00

Contos de Morte
Capítulo 1 - O Tirano

Certa vez em um reino, um soberano tirano havia ascendido ao trono matando todos os nobres em jogos de traição e sabotagem, usando a vida de seus soldados como peões descartáveis para convencer o restante do exército de que quem governava era o grande mal daquelas terras, assumindo assim o trono e com uma "justiça implacável" mantinha a ordem e que os deuses tivessem piedade da alma de quem contrariasse, pois do corpo não sobraria mais nada,sendo inúmeros deixados a exposição para "servir de exemplo". 

Mas como tudo no mundo, o tempo passou e o tirano envelheceu, o peso de seu reino curvara-lhe as costas e as rugas brotavam em sua face em abundância, sem ter tido tempo suficiente de usufruir tudo que poderia de seus domínios. Já com a saúde debilitada, certa noite recebeu a derradeira visita: a Morte chegou. 

Diziam as lendas, que pessoas comuns ao morrerem tem suas almas sugadas ou devoradas, enquanto aqueles que possuíam algum destaque eram acompanhado por donzelas guerreiras, lindas em aparência mas incomparáveis em combate, levando-os até seu destino, seja um inferno propício ou algum paraíso. Apenas lendas, heróis e soberanos recebiam a honra da própria Morte vir pessoalmente buscar suas almas, talvez por suprir uma curiosidade particular sobre o que tornou tão peculiar aquela existência, seja para melhor ou para pior, Ele era imparcial. 

E dessa vez não foi diferente. Estava parado em um canto escuro do quarto mal podendo ser notado, todo coberto por um manto negro que parecia ter vida própria balançando lentamente sem vento algum ali, segurando uma foice negra em uma mão e um livro prateado em outra. Apavorado mas ainda assim arrogante, o homem tenta não demonstrar temor diante da figura negra em seu quarto, sentia o aposento mais frio que o normal mas mesmo assim não conseguia disfarçar o suor que teimava em brotar de sua testa. 

O homem esbravejou, alegando não ser sua hora ainda, que ainda haveria muito o que fazer e pretendia em breve expandir seu reino. A figura foi seca em sua resposta, com uma voz de gelar a alma de qualquer ouvinte:"-Sua hora se aproxima" . O homem no desespero e tentando provar ser mais poderoso e esperto, propôs: "- Eu sei como agrada-lo, sei como estender meu tempo. Me dê mais um dia e você irá ficar satisfeito com o que acontecerá!". Um breve silêncio reinou no quarto e a resposta veio com certo tom de desafio: "- e o que um mortal poderia fazer para me satisfazer?"  

Após aquela pergunta e antes da resposta do soberano, Ele havia deixado o quarto. O regente não perdeu tempo e mandou mobilizar o exército imediatamente, queria todos prontos antes do nascer do sol. Assim foi feito e no raiar do primeiro dia de primavera, o exército estava marchando, mas não para um campo de batalha distante e impessoal, eles marchavam para a periferia, as casas humildes, das prostitutas, ladrões e mendigos. 

As ruas ficaram manchadas de rubro e o governante do alto da muralha contemplava, acreditando que aquelas vidas tomadas a força e entregues a morte poderia estender seu tempo de vida em uma troca nefasta. Entretanto, vislumbrou próximo a ele novamente aquela figura mórbida, podendo ver agora um pouco de sua face cadavérica e imutável, dando-lhe a certeza: apenas aqueles pobres não seriam suficiente. 

Imediatamente começou a esbravejar, ordenou que toda a vila ao redor do castelo fosse sacrificada em seu nome, o reino iria perpetuar caso os cidadãos dessem suas vidas por seu rei. Os soldados se entreolharam, receosos pois suas famílias e amigos viviam na vila e eles teriam que seguir tal ordem? Os oficiais se colocaram a questionar o regente e em um ímpeto de fúria sacou sua espada e cortou a cabeça de um capitão. 

Aquele derradeiro golpe foi o que faltava, uma revolta começou e decidiram destronar o rei tirano, dando-lhe o mesmo castigo que vinha aplicando a população, com torturas e açoites, com revezamento de quem iria fazer o que com o velho, mas a pesar de velho o homem parecia resistente pois ainda teimava em morrer. Em sua agonia, após um dia inteiro de sofrimento o tirano via a figura negra lhe encarando e falando para que ele pudesse ouvir com uma voz fria sem qualquer tipo de sentimento: "- Achou mesmo que a vida daqueles humanos iriam bastar? Nem mesmo a vida de todos os mortais de seu reino bastariam para trocar algum tempo extra para você. A vida de um simples gafanhoto é o que bastaria. É isso que você não passa, uma criatura que devora tudo a seu redor, jamais satisfeito. Ainda está vivo pois irei demorar a levar sua alma, você mesmo me prometeu satisfação e assim estou aguardando, mas até o momento não cumpriu. Aquelas almas que matou já estavam marcadas sua data, você simplesmente fez-se cumprir o destino delas e serviu para motivar seus lacaios a cumprirem o seu próprio destino, se revoltando contra você."  

E assim as festividades macabras seguiram por mais três dias, quando decidiram cortar a cabeça do velho e coloca-la em um mastro na praça. Dizem que até antes dos corvos virem comer seus olhos, alguns podiam jurar que a cabeça olhava para quem por ali passasse...
avatar
Lord Death
Herói
Herói


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Histórias de Morte

Mensagem por Lord Death em Sab 20 Ago 2016 - 22:06

Capítulo II - O Herói

A cidade parou para ver o cortejo passar e prestarem suas últimas homenagens a um valoroso e conhecido herói, com donzelas chorando já sentindo falta de seu amado e crianças dizendo para si mesmas que um dia serão melhor do que ele,enquanto que os irmãos de armas do morto o carregavam pelas ruas saindo da catedral em direção ao cemitério real, onde ocuparia uma última posição de destaque. 

Do alto de um dos prédios, a alma do herói observa o cortejo ao lado da figura tenebrosa da Morte, ambos em silêncio. O Herói sentia satisfação vendo que não apenas a cidade havia parado mas também haviam pessoas de fora que vieram, sentindo como se seu dever estivesse cumprido. - Me acompanhe... disse a Morte, se virando e o Herói prontamente o seguiu, ambos desaparecendo. 

O Herói sentia como se estivessem andando, mas era como se percorressem milhares de metros a cada passo, vendo o cenário a seu redor mudar constantemente, como se pudessem estar em qualquer lugar a qualquer instante, mas era como se propositadamente não chegasse a lugar nenhum, não por hora. 

- O que torna um herói um Herói? Suas ações? Nesse instante o Herói olha ao seu redor e vê vários lugares pelos quais ele lutou e percebe seres feridos, construções destruídas e miséria se erguendo através daqueles que lutam para sobreviver as consequências de sua passagem pelo local. Ele tenta responder a seu guia, mas sua voz não sai. 

- A satisfação daqueles que o cercam? Continuou falando e dessa vez o Herói via aquelas mesmas donzelas que tanto lhe foram amáveis em vida agora brigando como animais selvagem, pois estavam grávidas dele, todas alegando serem a legítima e todas tendo sido expulsas de suas famílias por terem perdido sua inocência e pureza. Logo em seguida sua visão muda, estava olhando uma taverna recheada de seus antigos companheiros, mas em vez de tristes pela sua partida eles comemoravam, dizendo em alto e bom tom "- já foi tarde! Hahahaha" , livres daquele que se vangloriava e roubava todos os méritos, daquele que sempre ficava com as melhores recompensas e tratava os companheiros como inferiores,terminando por um deles mijando na antiga bandeira do grupo. 

- ou quem sabe o futuro que ajudou a construir... . Nesse instante viu ladrões e saqueadores comemorando e juntando suas armas, se preparando para agir impunes. Os dois viajantes foram além, até as montanhas, onde um dragão estava dominando tribos e selvagens para destruir a cidade, buscando vingança pela morte de sua fêmea e seus filhotes pelas mãos do Herói que ainda teve a ousadia de expor a cabeça dela no muro do castelo. 

O Herói conseguir parar de andar, estavam em uma colina a noite contemplando a cidade arder em chamas com grossas pilastra de fumaça negra subindo ais céus e gritos por todas as partes. Ao seu lado, seu guia finalmente encerrava sua caminhada, dizendo:
- Não há diferença alguma entre aquilo que você julga ter combatido sua vida toda e a criatura nefasta que você se tornou. Os infernos o aguardam, pobre criatura, carregue eternamente o peso de suas ações, pois aqueles que você enviou para lá o estão aguardando.  
E terminado de falar, o Herói sentiu ser puxado violentamente para baixo, com o chão se abrindo e o fogo subindo, podendo ouvir as risadas nefastas daqueles encarregados de lhe recepcionar...
avatar
Lord Death
Herói
Herói


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Histórias de Morte

Mensagem por Lord Death em Seg 22 Ago 2016 - 17:12

Capítulo III - "A Mãe" 

Ela havia sido torturada naquele dia, como os outros últimos desde quando havia sido pega. Os corredores estavam cada dia mais silencioso, menos gritos e lamúrias, alguns por terem se conformado com seu cruel destino, outros por não terem retornado para suas celas. 

Ela, como as outras, lutou e resistiu com todas as suas forças, segurando seu grito e agonia para não dar o prazer sádico que seus captores buscavam. Mal se alimentava dos ratos e vermes que andavam por sua cela, o frio era constante e doloroso ainda mais para alguém privada de suas vestimentas e o sono era algo que mal se lembrava como era pois cada vez que dormia era acordada de forma violenta a caminho da próxima sessão de dor. 

Em silêncio, ela rezou para seus deuses, suplicando que poupassem seus dois filhos, principalmente o recém nascido que ela mal conheceu, tendo tido a sorte de nascer livre na noite anterior de ter sido capturada. Rezou, dessa vez para si, não por forças ou escapar dali, mas que a Morte viesse lhe buscar, pois já ansiava pela sua hora. 

A noite, sem perceber ela cochilou e ao acordar se deparou com uma figura de vestes negras próxima a ela. Estava abaixado, até sua altura encolhida no chão e em seu lado esquerdo carregava um livro prateado, mas sua mão direita gentilmente tocava-lhe o rosto, era uma mão fria, como se fosse feita de gelo, mas na verdade era de puro ossos descarnados. Com uma voz sobrenatural falou em tom baixo e, por mais peculiar que fosse, soou agradável para ela, ouvindo seu dialeto com perfeição. 

- Diferente dos outros deste lugar, você parece não me temer, até mesmo me chamou e eu respondi. Você parece buscar seu fim pelas suas palavras, mas será mesmo que é isso que busca? Quer mesmo que tudo acabe aqui e agora apenas porque sofre? Quer algo assim para seus filhos?

Conforme falava, os olhos da mulher se enchem de lágrimas e chora principalmente quando ouve sobre seus filhos. 

- Ou você está buscando desesperadamente pela vida que não vive?  

Nesse instante ele se levanta, ficando ao lado dela e as sombras começam a se agrupar na mão direita dele, formando uma foice, mudando um pouco o tom de voz, se tornando mais autoritário e firme. 

- Irei coloca-la a prova: que tipo de ensinamentos você transmitirá para seus filhos e seu clã? Será que a amazona que você já foi um dia morrerá em uma cela imunda dando prazeres a esses homens "civilizados"? Ou será que resistirá até o último segundo e sairá daqui de cabeça erguida e ensinando a todos a me olharem nos olhos com medo mas não pavor, como se olhassem ao mais importante dos seus, e só aqueles que assim o fizerem eu irei buscar. Será que seus filhos se tornarão futuros escravos desses muros ou senhores da guerra que irão manchar de vermelho essas e muitas outras paredes? 

A mulher respirou fundo, quase bufando e com os olhos inchados pelas lágrimas não derramou mais nenhuma, trincando os dentes, olhando direta e firmemente nos olhos da Morte, enquanto que sem dizer nada, após ver o olhar dela ele se virou e começou a caminhar para a escuridão, desaparecendo. 

O dia seguinte havia começado igual e ela parecia renovada pois resistia bravamente, ainda mais do que quando havia sido pega, enquanto que do lado de fora os barulhos estavam diferentes, algo acontecia. O castelo estava sendo tomado pelos bárbaros, estavam se vingando por terem sido atacados e tentando uma missão suicida de resgate dos corpos daqueles que foram levados e deveriam ter os ritos fúnebres para descansar em paz. Ao chegarem a sala de tortura, entretanto, até mesmo eles se espantaram, pois aquela mulher havia aproveitado a confusão e se soltado, prendendo e mutilando os seus captores que choravam mãos do que crianças. 

Seu retorno para seu clã era algo visto como impossível, um milagre e ela havia mudado muito com aquilo tudo,se tornando tão firme quanto aço, inflexível e mesmo assim cuidava de cada um como apenas uma mãe poderia cuidar. O tempo passou e seus filhos se tornaram senhores do clã, um era um exímio caçador, habilidoso com o arco e facas, rastreando melhor do que animais que caçavam, enquanto o outro era maior e mais robusto de todos, um lutador nato, qualquer coisa se tornava uma arma em suas mãos, mas ambos tinham aprendido as lições de sua mãe, sendo fiéis a seu povo, sua história e sobre o que os aguardavam quando chegasse a hora,mas até lá, haviam muitas vilas e castelos a saquear e famílias para proteger e quem sabe poderiam fazer como sua mãe, que um dia olhou para Morte e em retorno a Morte sorriu.
avatar
Lord Death
Herói
Herói


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Histórias de Morte

Mensagem por Lord Death em Seg 19 Set 2016 - 9:02

Capítulo IV - Vida e Morte
No começo de tudo, existiam distintamente duas forças opostas mas complementares, Vida e Morte, cada um em seu próprio espaço, muito próximos um do outro, porém sem jamais se tocar. 
Aonde existia a vida era uma constante mudança e caos criativo, nada permanecia, tudo constantemente se transformava num piscar de olhos, formas essência, aparecia, interior. Talvez seja por isso mesmo que dali nada surgia, pois nada perdurava. 
Em contrapartida, aonde existia a morte era tudo determinado e fixo, frio e estático como estátuas, tudo resolvido e imutável, o que existia iria existir para sempre, privados de qualquer possibilidade de mudança, em existências muitas vezes sem significado. 
Curioso, Morte começou a se aproximar mais da Vida, perguntando como era estar em constante mudança, se isso não seria um problema pois nada duraria, nada permaneceria e com isso tudo se tornava um caos e desordem, impossível de qualquer existência. 
A Vida então decidiu ajuda-lo a compreender e se aproximou ainda mais, pretendia dar-lhe um presente, compartilhando um pouco de sua essência aonde Morte estava. Pela primeira vez eles se tocaram e a Vida morreu.
Angustiado com aquilo, pelo o que havia acabado de fazer e se sentindo responsável, decidiu pegar o que restava da Vida e criou tudo que existe, compartilhando sua essência com toda a criação, permitindo que ela ainda continuasse. 
Mas ao mesmo tempo, por ter vindo de suas próprias mãos, tudo que Morte criou ainda está impregnado com sua própria essência, havendo agora um equilíbrio entre Vida e Morte, permitindo que as coisas pudessem surgir e durar, gradativamente mudando em um ritmo lento mas constante. Guardou para si um fragmento puro Dela e desse fragmento fez um livro em sua homenagem, registrando tudo para que Ela ainda pudesse ver aquilo que ele fazia e vendo o quanto Ela ainda poderia fazer,permitindo assim que Ele pudesse experimentar um pouco do que ela poderia oferecer. 
Talvez fosse essa a intenção da Vida, o presente que decidiu compartilhar com Ele e agradecidamente aceito, observando o quanto a essência Dela vai lentamente diminuindo de cada coisa que existe e quando é chegada a hora Ele vem e recolhe, guardando consigo como uma lembrança de alguém tão especial. 
avatar
Lord Death
Herói
Herói


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Histórias de Morte

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 :: Home. :: Flood. :: Fanfics.

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum