O Curandeiro da Alvorada

 :: Home. :: Flood. :: Fanfics.

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Ter 24 Nov 2015 - 21:12

 Antes de qualquer coisa, aviso que esta história esta incompleta e passando por transformações. Vou deixa-la postada aqui com medo de que algum dia eu perca isso do notebook (Como já me aconteceu antes. ) Então apresento-lhes: 

 Não havia nada, apenas trevas tomadas pelo vazio intenso sem propósito e sem existência. Mas uma luz se pôs contra a escuridão, uma pequena luz emanando esperança naquela ambiente tomado pelas sombras negras, ao lado dela, outras se opuseram contra a força negra e escura, muitas delas espalhadas por toda a escuridão o transformando em uma paisagem serena e brilhante. Entre essas luzes, existem duas muito próximas, umas delas coberta pelo gelo irrefreável que nunca descansa, esta luz é chamada Ciliza, ao lado dela está uma menor conhecida como Agharis. A pequena Agharis foi preenchida pela vida, seres evoluíram cobrindo a luz com sua existência, mas poucos entre eles puderam absorver a essência interior de si junto com o poder da terra e transformá-la em uma algo único batizado por eles como “Magias”, “Encantos”, entre outros nomes. Após a evolução de magias, um homem pode alcançar algo único em seus poderes que logo foi repetido por outros magos e guerreiros, até mesmo pessoas pacificas, eles chegaram a se tornarem deuses imortais, cada um foi venerado por um povo que os chamavam de seus “Reis”. Por séculos os reis e rainhas lutaram entre eles com o auxilio de seus súditos, lutando por poder e conquista, mas tudo apenas gerava a destruição de suas amadas terras e aqueles reis que eram contra as guerras criadas por poder criaram uma lei aceitada pelos demais. “Deixai o mundo para os mais fracos”, essa era a regra, mas logo foi usado um meio para ser quebrado, um rei poderia reencarnar em uma pessoa comum, nem mesmo ele mesmo conheceria seu próprio poder, mas logo o descobriria e o usaria a seu favor, por isso é importante para que o rei ou rainha escolha a cria certa para seus planos.


 O Curandeiro da Alvorada.
Capitulo 1: Que me traga a nevasca.


 Nosso conto se inicia em uma distante fazenda, perdida entre a bela floresta de arvores de folhas rosadas. O dia era quente, o agricultor tirava do chão outro fruto e se levantava com o corpo suado e cansado, um homem enorme e ruivo, possuía uma barba que deixava seu olhar ainda mais intimidador. O agricultor olhou adiante e viu uma carruagem a se aproximar de sua propriedade, dela saltou outro homem bem vestido e com um par de óculos  no rosto, ele se dirigiu até o enorme homem e logo o cumprimento.
- Como ela esta?O homem de óculos pergunta. – Alguma diferença?
- Não. – O ruivo respondeu. – Minha esposa continua tendo fortes dores de cabeça e muita febre doutor.
- Posso ir vê-la? – O médico pediu. – Ainda esta de cama?
- Sim, ela esta no quarto de cima.
 Ambos se dirigiram para a casa, subiram os degraus curtos para o e chegaram no quarto de casal, sobre a cama estava um mulher de lisos cabelos negros e olhos cor de rosa. O médico com saudações e pôs suas mãos sobre a barriga da mulher, a criança dentro dela era diferente de muitas, possuía uma estranha força que não caberia dentro de um corpo tão pequeno. O doutor conjurava seus poderes e temia a morte do garoto antes do nascimento.
 - Me desculpem. – Ele dizia. – Mas temo que essa criança não possa nascer... Eu realmente sinto muito.
 Com melancolia nos olhos o doutor se despediu se retirando da casa.
 
 Após sete meses de gestação, a criança gritava e chorava em quanto era segurada pelos braços do médico dotado, o garoto quase que idêntico a sua mãe estendia seus braços naquela noite buscando qualquer coisa. Tão pequeno, ele olhava para todas as direções procurando pelo conforto de sua mãe. Ela o agarrou nos braços sorrindo, ela com falta de ar disse baixo como um suspiro:
 - Morphy.
 Os olhos dela começaram a serrar, o médico percebe ela mudar a respiração e sente seu corpo fraco, ele desesperado tenta fazer o que pode conjurando seus encantos, mas inevitavelmente a mãe de Morphy não resiste ao ocorrido.
 Em meio as folhas cor de rosa, o funeral é tão melancólico que até os animais a volta se aproximam demonstrando condolências, o agricultor com a criança no calo não pode fazer nada além de observar sua esposa ser enterrada pelo médico. Ninguém mais compareceu ao funeral, ninguém  mais foi chamado.
 Sem a proteção materna, a garoto Morphy se ergueu perante o mundo sendo um fazendeiro ajudando o pai, a criança tinha um elo especial com tudo o que fazia, a forma no qual cuidava dos animais ou a maneira que lidava com plantas era encantadora. 
 Seus cabelos que caiam sobre o pescoço era negros como os da mãe, mas desfiados como os do pai. Seu rosto era delicado e a íris de seu olhar era rosado como a mãe, seu coração era determinado e corajoso como o pai, mas era sensível e dócil como o de sua mãe. Vestindo roupas costuradas por sua mãe antes dela falecer, o pai sempre tinha que remendá-las com o tempo. Morphy vivia cada dia na mesma rotina, mas não reclamava de sua vida, ele tinha tudo o que precisava e assim era perfeito. 
 Um dia o pai da criança voltou para casa com um pequeno filhote em suas mãos, parecia que o pequeno havia sido deixado para morrer no meio das árvores. O animal era do tamanho da mão do homem, um cavalo branco com três cabeças que soltavam um vapor frio ao abrirem a boca. Um animalzinho tão formoso e belo, o homem ruivo estendeu a pequena fera para seu filho perguntando:
 - Qual vai ser o nome?
 - ... - O garoto olhava pensativo boquiaberto, ele estava mais preocupado com a situação do bichinho do que com o que o pai dissera. - Ela vai se chamar Halpra. 


 As duas crianças era a família do velho agricultor, o homem se orgulhava do que sua mulher deixou para ele, um garoto bondoso e corajoso com formosura no olhar. Mas ele não contava com o que o destino reservava para si próprio.
 O pai de Morphy então ficou doente, as plantações começaram a morrer, como se já não bastasse ter de cuidar delas sem a ajuda do pai, o jovem ainda tinha que tomar conta do próprio agricultor. 
 
- Morphy... - Ele chamava com fraquezas. - O que você teme?
 - As sombras.
 - Elas não podem te tocar, você não vai deixar. 
 - Não vou. - Respondeu segurando as mãos do velho. - Eu prometo. 
 - Elas quem devem te temer meu filho.

 Em fim o dia chegou e Morphy ficou só com Halpra, compradores de terras tomaram as plantações expulsando a criança sem o menor ressentimento e fizeram ela ficar só perdido nas florestas de pétalas rosadas. Morphy que Abraçava Halpra nos braços, apoiado em uma arvore próximo ao rio sentia o frio da noite ao seu redor, a neve começava a se erguer sobe seus pés descalços e tornar seus dedos negros e congelados. Seus lábios quase pretos tremiam em quanto sua respiração passava como névoa entre eles.
 - Você quer viver?- Chamou a noite. - Posso te ensinar.
 - Não. - Respondeu sem temor. 
 - Não? - Insistia. - O que é mais preciso para você? Vou ter o prazer de tomar.
 - Quem é você?- Perguntou Morphy. - O que quer?
 - Me chame Haraphim e quero que me obedeça.
 As mãos sombrias se abaixaram levantando o rosto do menino, a figura em sua frente era sombria e rodeada de trevas com um físico enorme e arrepiante, ele escondia sua face com uma mascara branca de cera. O garoto já desesperava com a solidão.
 - Se eu aceitar... - Suplicava. - Você trás minha família de volta?
 - Esta feito.
 Haraphim então fez o acordo, e chamou o garoto para se por de pé em quanto ia em direção a floresta.
 - Venha meu escravo, vamos espelhar o mundo a minha imagem.
 Com fraqueza Morphy se levantou tremulo com sua amiga nos braços, ele então se pôs a seguir a sombra com passos curtos e lentos por debaixo da noite.


 Haraphim deu as ordens e Morphy as seguiu, a neve ainda caia sobre ele e sua companheira e o garoto pensativo ouvia as palavras de seu mestre ecoar em sua mente. "Vamos começar por aquela cabana".
 Morphy deixou Halpra encostada na pedra em quanto decidiu cumprir a tarefa sem o vigio do pequeno animal. Com os olhos os olhos centrados no objetivo, o garoto faria qualquer coisa para recuperar sua serena vida. Então ele avançou na direção da cabana de madeira, observou pela janela e viu sua tarefa adiante de seus olhos. Com o punho serrado, jogou a mão contra o vidro o fazendo em pedaços, em seguida entrou no lugar passando partes de seu corpo pelos restos de vidro ao redor da madeira. Com a mão esquerda agarrou um dos estilhaços de seu golpe e partiu em direção a mulher espantada caída da cadeira onde antes estava a costurar. Sem pensar duas vezes o menino atacou a desconhecida friamente, puxou o colar de prata no pescoço da vitima em quanto com o pedaço de vidro em suas mãos perfurava sua barriga, então a viu sangrar e gritar. Os gritos de socorro fizeram um homem arrombar a porta e antes de poder ver a cena, Morphy já estava o empurrando contra parede e o acertando com o vidro, de novo e de novo, mais uma vez e mais uma vez. Até que a cabana ficou vazia de seus donos e Morphy se via como um assassino, mas isso nem se quer passou por sua mente.
 Soltou o vidro de sua mão, esta que agora estava com profundo cortes e sangrando. O garoto cansado foi até a porta girando a chave e então caindo no chão do lado de fora com o rosto enterrado na neve a chorar.
 
- Muito bem. -  Haraphim elogiou em sua frente. - Não cometeu um erro... Nem se quer hesitou em fazer.
 A sombra admirava sua criação caída em quanto acariciava Halpra que agora estava dormindo nos braços escuros e tenebrosos.
 - Vamos fazer isso outras vezes. - Avisou a sombra. - Espero que goste.


 Mais de um ano se passou, e Morphy já havia realizado mais de centenas de tarefas para Haraphim, a maioria incluindo assassinato. O garoto e sua companhia Halpra estavam um pouco mais crescidos e haviam se acostumado a viajar de cidade para cidade, vila para vila, império para império. O garoto sempre afastava o pequeno corcel de suas tarefas sanguinárias, era uma forma de proteger os olhos do animal.
 O dia escurecia, Morphy parou em frente a um cartaz, o garoto já estava nos arredores a semanas e seu trabalho foi reconhecido, o cartaz se referia aos assassinatos noturnos ocorridos recentemente, mas nele não havia foto ou informações do culpado.
 - Idiotas. - Disse o jovem. - Se eles estivessem no meu lugar fariam o mesmo, o que você acha Halpra?
 O cavalinho ignorou a pergunta, Halpra continuou até a fonte no centro da cidade e lá deitou na sombra. Morphy o seguiu e se sentou na beira, então observou um grupo de soldados andando pelas redondezas, mas com certeza não faziam parte da guarda da cidade, eles eram independentes e cada um vestia uma armadura de cor diferente, eram como jóias. 
 - Devem estar me procurando. - O garoto cruzou as pernas. - Mas não vão achar, depois de hoje nós vamos sair daqui.


 A noite escura cobriu o reino, passos silenciosos se colocavam contra a casa feita de madeira escura e pedras. Mais uma vez era um casal como a maioria das vezes, um homem e uma mulher com aparentemente mais que trinta anos. A mulher saiu pela porta e fechou o quarto, mas quando se virou o invasor já estava lá a agarrando e puxando para o chão, ela gritava pedindo por ajuda. Morphy retirou a adaga de suas vestes e investiu a lâmina contra a vítima, mas então foi impedido pelo homem da casa, os gritos o fizeramele correr até a sala e salvar sua mulher entrando na frente do golpe e recebendo o corte no abdômen. 
- Papai!
 A porta do quarto havia sido aberta e uma criança correu agarrando Morphy pela perna como se pudesse salvar seu pai dessa forma. Morphy via o menino chorando com os olhos desesperados e teve uma horrível sensação de remorso, sentiu a culpa de todos os seus assassinatos. A adaga caiu no chão, o som ecoou pelo ambiente e Morphy caiu para trás, o menino em fim soltou as pernas do assassino em quanto este se arrastava para o canto da sala, com a respiração pesada, ele olhava para o caos que causou ali.
 - Desapontaste... - A sombra de Haraphim estava em volta da casa. - Vai e desobedecer? 
 As paredes eram arranhadas mesmo sem nada as tocarem, a escuridão pairava ao redor da residência e o medo podia atingir todos ali. A porta foi aberta com uma forte ventania, em frente a saída estava a própria escuridão. 
 - Eu te dei uma nova vida criança tola. - Haraphim estava furioso. - Te entreguei uma chance de sobreviver, mostrei o caminho para você e é assim que me retribui?!
 - Cala a boca! - Morphy se levantou com ódio no olhar e lágrimas na face. - A vida que você me oferece é a mesma que vai oferecer para essa criança?! 
- O que esta dizendo?!
- Todo esse tempo eu não estava apenas destruindo vidas, eu estava criando vidas tão imundas quanto a minha, eu estava criando um exército de crianças para serem seus escravos! 
- E o que vai fazer? - Haraphim menosprezada. - Tudo o que você sabe fazer é tomar essas vidas inocentes...
 - E agora... - O garoto interrompeu agarrando do chão sua adaga. - Vou tomar a sua.
 Morphy saltou contra a sombra, mas seu corpo foi arremessado para trás com tanta força quanto seu ataque.
 - Criança tola, não pode me tocar. 
 - Vai... - Morphy tentava se levantar. - Para o inferno...
 Com a mão estendida Haraphim fez a cabeça do garoto voltar para o chão, era uma forte pressão negra que fazia as forças de Morphy se asfixiar tornando seu corpo mais pesado e fraco.
 - Foi mesmo uma pena perder meu primeiro soldado. - As trevas diziam. - Não me deu outra escolha.
 Morphy sentiu um aperto gigante em seu corpo, foi como se seus ossos perfurassem seus órgãos internos, o que o fez vomitar sangue pela boca e nariz. A dor era insuportável, ele tentava gritar, mas não tinha ar nos pulmões para isso, apenas conseguia tremer com o rosto caído sobre o chão pintado de vermelho. 
 - E aqui eu encerro sua história. 
 Haraphim deu as costas e deixou a casa, mas seus curtos passos pararam quando pode ouvir o jovem se levantar apesar dos ferimentos tão brutais. Mal conseguia se por de pé, seu corpo pesava, mas tentava cumprir o seu desejo de enfrentar a escuridão. 
 - Ainda consegue se levantar? - O vilão se virou. - O próximo golpe será o último, é minha promessa. 
 - Já... Falei para... - Com a voz rouca ele tentava responder. - Você calar a boca...
 - Criança rebelde!
 Haraphim ergueu os braços e a onda de trevas cercou o garoto, o corpo de Morphy foi jogado para cima perfurando o teto da casa e sendo levado para o alto, então a mesma força o puxou para baixo e o fez cair de cabeça na lateral da fonte de água, seu corpo caiu para dentro da fonte e de longe o pequeno animal correu para seu dono, Halpra tentava acordar Morphy passando as cabeças pela mão do garoto, mas ele não reagia.


 Morphy abriu os olhos assustado se arrastando para trás, mas se acalmou quando viu que já não estava naquela casa, agora ele se via em um chão úmido, paredes repletas de fungos e uma fraca iluminação vinda do outro lado das grades. Preso ele permaneceu pelo menos dois dias dês de que acordou, seu corpo ainda tinha marcas da batalha, mas não doía mais.
 A cela foi aberta, um homem se aproximou e se ajoelhou de frente ao garoto que estava encolhido no canto escuro da cela.
 - Oi, meu nome é Phir.
 Ele sorriu, seus olhos vermelhos como o fogo e sua armadura dourada brilhavam em meio a escuridão, os cabelos eram arrepiados e loiros, em sua cintura estava presa uma capa branca e junto a cintura uma espada guardada em sua bainha.
 - Eu faço parte do conselho deste reino e as vezes a voz da Ordem não é ouvida. - Ele explicava. - Peço desculpas pela minha demora.
 -...
 - Me diga qual o seu nome?
 -... Onde esta Halpra?
 - Eu já tomei conta do cavalo, ele esta esperando por você no templo.
 -... Morphy, meu nome é Morphy.
 - Estou feliz em te conhecer. - Phir estava sempre sorridente. - Eu consegui a sua liberdade, gostaria que me acompanhasse.
 O garoto não o respondeu, não confiava no homem mesmo não tendo escolha.
 - Se não quiser vir não irá ser problema, a escolha é sua.
 Phir se ergueu e saiu da cela deixando Morphy sozinho e com a saída em sua frente. Depois do que fez pelo último ano, ele não sabia se conseguiria viver no mundo outra vez. Mas o impulso era forte, suas pernas o levantaram e o empurraram para fora daquele lugar imundo, Morphy correu pelos corredores até alcançar o homem e então o acompanhou para fora daquela prisão.


 Caminharam pelas ruas, saíram da cidade e subiram a colina verde até encontrar uma enorme construção semelhante a uma enorme catedral. Paredes feitas de tijolos brancos e altas janelas com vitrais coloridos, torres pontiagudas com sinos dourados que refletia a luz do sol, uma enorme porta de madeira revestida de ferro ficava a frente logo após cinco degraus. Corredores cobertos com tapetes vermelhos do lado de dentro, portas e mais portas espalhadas pelos corredores e salões, escadas que subiam de forma espiral, por onde passavam podia se ver guerreiros com armaduras coloridas e brilhantes, velhos com robes longos, empregados energéticos cuidando de tudo e até mesmo pessoas mais jovens com armaduras simples ou roupas do cotidiano. Entre os corredores, Phir foi interceptado por uma mulher visivelmente mais velha que o paladino, vestia uma armadura de cristal, mas não vestia nada para proteger seu torso além de roupas comuns. Os dois trocavam palavras e então o garoto foi chamado.
 - Morphy, esta é Hela. - Apresentou. - Ela me ensinou tudo o que sei e que vou ensinar a você. 
 -... Por que você não veste armadura no corpo todo?
 A mulher abaixou a coluna para cochichar a resposta no ouvido do jovem.
 - É porque não cabe.
 - Como assim?
 - Um dia você vai entender. 
A mulher passou a mão nos cabelos negros do menino e continuou seu caminho pelo corredor. Na parede a direita, algo chamou a atenção de Morphy, a parede estava esculpida com o que parecia ser uma mulher, não era a única imagem de uma mulher que havia visto pelo templo, outras vezes percebeu a figura espalhada como uma divindade pelos corredores e salões. 
 - Venha Morphy. - Chamou Phir caminhando. - Eu deixei seu animalzinho a cuidado de uma pessoa, e agora você vai poder reencontrá-lo.
 Entre as portas, o paladino bateu em uma delas e esta foi aberta com demora, uma garota esfregando os olhos se mostrou de antes os dois, o interior era um quarto bagunçado com inúmeros livros espalhados e abertos.
 - Estava dormindo até agora? - Phir riu. - Taiga, isso faz mal.
 - Eu sei... - Respondeu sonolenta. - Mas eu passei essas noites estudando e...
 Do quarto, uma fera saltou para fora sobre Morphy, Halpra parecia ter crescido consideravelmente apesar de muito pouco. A égua caiu sobre seu amigo esfregando o rosto na face de Morphy, a alegria de Halpra era visível e chamava atenção dos que passavam ali.


- Vejamos... - Phir pensava. - O que combina com seus olhos?
 Os três caminhavam entre armaduras organizadas como em um museu, todas elas vestindo um molde com a arma empunhada de alguma forma. Algumas eram pesadas, outras mais leves, poucas com robes incluídos, todas criadas partir de pedras preciosas e metais, ouro, rubi, jade, ferro e até mesmo materiais leves e simples. Algumas portavam espadas e escudos, outra machados, clavas, manguais, martelos, cajados e cetros.
 Halpra correu entre elas até parar de frente para uma armadura branca com uma jóia rosa no peito, Phir se aproximou vendo a armadura de perto, observou a espada leve que possuía uma pedra semelhante à jóia da armadura.
 - Sério? - O garoto questionou. - Vai me fazer usar isso?
 - Prefere se proteger com os punhos ou com ela?
 - Não tem chance de me fazer vestir essa coisa.

  
 O vento circulava pelo gramado do campo aberto, um círculo sem árvores e perfeito para eles. O sol tocava o material das armaduras e o refletia com um forte brilho. Os dois lados eram calmos e serenos, nenhum movimento ou se quer um piscar de olhos, a lâmina saltou para fora da bainha e navegou pelo vento até encontrar a espada inimiga,as duas se chocaram com um grito agudo de guerra, as armas foram abaixadas ainda próximas e os olhos puderam se encarar de perto.
 - Quero me mostre o que aprendeu depois de um mês. - Phir pediu sorridente. - Não me decepcione. 
 O fio das lâminas dançavam com formosura, o som ecoava a cada vez que se tocavam para beijar os golpes da oponente, a graça era coberta pelo céu azul de verão e as folhas a voar enfeitavam o confronto. Sobre uma pedra debaixo das sombras das árvores, Hela observava cada movimento de seu antigo aprendiz e do pupilo dele, com o rosto apoiado na mão ela apreciava o combate como uma perfeita obra artística. Ao lado da mulher estava a pequena companheira fiel de Morphy, Halpra não podia tirar os olhos de seu dono.
 Por fim a defesa foi aberta e Phir golpeou os pés de seu aprendiz usando a espada, a força do ataque conseguiu puxar os pés de Morphy para o lado e assim derrubando o garoto no gramado.
 - Foi bom. - Elogiou. - Parece que você tem um talento natural. 
 - Mas não é suficiente. - Morphy sentou no chão. - Ainda não posso contra você. 
 - Mas no ritmo que você está, será um grande paladino rápido. 
 - ... - O garoto pensou. - Essa armadura machuca meus braços. 
 Hela aproximou-se, seus passos entre a grama e o brilho da armadura cristalina.
 - Ele é talentoso. - Hela disse de longe. - Se parece com você, lembro de me surpreender com suas habilidades dês de criança.
 - Eu nunca fui tudo isso. - Phir respondeu. - Ainda não sou melhor que você. 
 Hela possuía três espadas presas do lado esquerdo da cintura, puxou uma dessas e com formosura mostrou sua postura em combate. Phir aceitou o desafio e ergueu sua lâmina, ambos com passos calmos para direita esperando o momento adequado. 
 De uma árvore se desprendeu uma folha, esta que foi levada pelo vento e circulava o ambiente até ser levada entre Phir e Hela e cair no gramado. Ao toque da folha ambos saltaram contra seu adversário em uma velocidade absurda, as duas lâminas se tocaram e luzes fugiram para todas as direções de forma independente.


 O templo estava lotado, pessoas e pessoas do reino outra vez se reuniram para um culto. Estavam todos no térreo, após atravessar a porta existia um local semelhante uma igreja, bancos organizados com um longo tapete entre eles que corria até o púlpito.
 Na frente da sala, após poucos degraus estava um velho homem que vestia longos ropes brancos e dourados, era o líder da ordem dos paladinos e dotado da maior inteligência vista em muitos tempos. Ao seu lado direito estava um grande guerreiro de armadura clara, não possuía cabelo e em seu rosto usava um longo bigode e comprido cavanhaque, estes que cresciam até chegarem à altura do ombro, uma cicatriz no rosto de queimado o tornava ainda mais intimidador, o que mais chamava atenção era a joelheira de sua armadura que era gigante, esta parecia uma enorme escudo que subia dos pé até a altura do ombro, aquilo era algo único e chamativo. Do outro lado do senhor estava um homem com olhar perverso por trás dos óculos, cabelos cumpridos e cinzentos caíam por cima de seus longos casacos escuros que desciam até sua canela, por baixo dos braços estava um livro negro.
 Os paladinos estavam todos encostados nas paredes em quanto os civis sentavam-se nos bancos. Morphy observou aqueles três no púlpito e pela primeira vez sentiu vontade de perguntar. 
 - Quem são aqueles?
 - São os líderes da nossa ordem. - Phir respondeu. - Aquele do meio é Herefeu e é nosso líder, o grande homem ao seu lado é Juvel e comanda nossa estratégia em batalha, o outro é Deufh, o que ele faz aqui é um mistério. 
 Em meio a várias palavras o garoto escutou uma que o chamou atenção. 
 - O que é Rezuria?
 - Ela nossa rainha. - Disse sorrindo. - A mulher que rege a ressurreição de todos nós, sem ela os outros reis não poderiam reencarnar neste mundo, por isso a importância dela é crucial para o bem de todo o mundo.
 - É como uma deusa?
 -Sim, todos os reis e rainhas são nossos deuses. - Respondeu para Morphy. - Ela não significa apenas a ressurreição, mas também o recomeço, a segunda chance e o perdão. 
 Morphy abaixou o rosto pensando sobre si mesmo, sobre as coisas horríveis que fez e a forma que Phir encarava isso, seu mentor não se importava com as mortes que o garoto cometeu e apenas seguia transformando o jovem em um paladino da ordem assim como ele.
 - Existem outros reis e rainhas como Rezuria. - Explicava sem tirar os olhos dos civis. - Cada um com grandes poderes influenciam o mundo da forma que considera melhor.
 - Então pode haver reis maldosos?
 - Sim. - Phir olhou para o garoto com o canto da vista. - Eles criam nas pessoas motivos para causarem o mal e é nesse momento que duas forças devem se chocar para decidir o mundo ideal. 
 - É como o bem e o mal? 
 - É exatamente isso.


 Se passou muito tempo dês da chegada de Morphy ao templo de Rezuria, o garoto já participava de pequenas missões junto de seu tutor para cuidar dos arredores do reino. Coisas simples, mas situações reais.
 Seu objetivo agora era afastar um bando pequeno de lobos que invadia a cidade durante a noite em busca de galinhas e porcos. A fera corria entre as estradas pelo breu da noite, atrás dela estavam Morphy e Phir ao seu lado, os dois fazendo seu melhor para perseguir seu objetivo entre os estreitos becos cujo animal entrara. Eis que duas facas foram lançadas de cima acertando o lobo e o fazendo cair no chão agonizando. Do alto das casas uma garota pouco mais velha que Morphy surgiu, com um capuz sobre o rosto ela portava um casaco marrom assim como o capuz, apesar do longo casaco cobrir bem a parti de cima de seu corpo, da cintura para baixo estava apenas usando um curto short seguido de uma bota. Em sua cintura estava presa uma cabeça de lobo que provavelmente fazia parte do bando.
 - Satra, não deveria estar aqui. - Disse Phir. - Isso é assunto da ordem.
 - Matar lobos? - Ela mostrou ironia. - Pensei que vocês buscassem problemas maiores.
 - Não devia ter matado ele, nós iríamos afugentá-lo para fora daqui.
 - E depois ele voltaria outra vez. - Ela se aproximou abrindo o casaco e tirando uma adaga, aproximou a lâmina do pescoço do animal. - Você devia me agradecer...
 - Nem pense em levar a cabeça dele também. - O paladino fez a mulher parar, então ela guardou a faca e se levantou. - Vamos cuidar do corpo dele a partir de agora.
 - Esta bem, minha coleção já esta grande demais mesmo. - Comentou tomando distancia andando de costas. - E... Tomem cuidado, não deviam ficar andando por ai a noite.
 A mulher saltou para as paredes desaparecendo nas sombras em quanto as escalava habilmente. Phir removeu as duas lâminas do corpo morto do animal e levantou o lobo por cima do ombro, em seguida deixou os pés o guiarem para fora do beco escuro.
 - Quem é ela?
 - Uma mercenária, Morphy. - Respondeu. - Ela faz parte de um pequeno grupo assim como ela, todos habilidosos, mas lutam pelo dinheiro e a própria sobrevivência. Mas é normal, não são gananciosos, apenas usam o que fazem de melhor como seu emprego, sem dinheiro ninguém pode cuidar da própria vida.
 - Mas como a ordem se sustenta? Vocês lutam pelo bem do reino e não por dinheiro. 
 - Nosso templo foi entregue pelo reino, tudo o que recebemos é cortesia de lá, comida, livros, roupas e todo o resto devemos a esta cidade.
 Já estavam na estrada, outro homem os encontrou e aproximou-se, sua armadura era de um púrpuro escuro e em suas mãos estava uma comprida lança, um rosto fino usando um tiara e brincos de pena.
 - Um dos mercenários matou este lobo e mais um. - Disse Phir. - Você conseguiu espantar algum?
 - Três, fugiram para o leste e não acho que voltarão. - Sua voz era grave apesar da aparência frágil. - Acho que foram os últimos. 
 - Bom trabalho Druvh. - Elogiou sorridente como sempre. - Vamos voltar para o templo e enterrar o animal.
Os três voltaram caminhando por debaixo da noite congelante, o silêncio era o dono do ambiente escuro e uma pequena névoa começou a se erguer. 
 - Foi em uma noite como estas que enfrentamos aquele necromante. - Phir comentou. - Consegue se lembrar? 
 - Não poderia esquecer. - Diferente de Phir, Druvh era frio e de poucas expressões. - Nós podíamos ter morrido e mesmo sabendo disso lutamos contra um mago tão poderoso.
 - Éramos apenas adolescentes, não tínhamos noção do perigo. - Ele riu. - Ainda não acredito como o derrotamos para salvar aquela mulher de ser sacrificada. 
 - Somos paladinos de Rezuria, é nosso dever proteger os indefesos.
 - Você tem razão... Foi por isso que me esforcei dês de o começo. 
 Morphy não interferia, apenas escutava os paladinos recordarem de seus feitos heróicos em quanto seguiam de volta para casa, com a tarefa comprida apesar de uma forma não desejada.


 Preso a árvore estava um homem enforcado, vestes cinzentas e barba rala, parecia ter recém alcançado a terceira idade. Phir observava a garota examinando o cadáver em quanto Morphy cobria as três cabeças de Halpra para que o animal não olhasse para aquela cena mórbida.  Taiga com os olhos cobertos pelas olheiras observava o homem, levantava os braços, abria a camisa e tirava suas conclusões.
 - Não parece ter sido um suicídio. – Ela afirmou. – Ele esta com marcas de ferimentos pelo corpo, parece que se envolveu em uma briga antes e... Por causa disto eu duvido muito que tenha morrido enforcado.
 A garota apontou para um corte largo na barriga, o homem morreria de hemorragia antes de se enforcar por causa do ferimento. A conclusão era óbvia, aquilo foi um assassinato e a pessoa que o fez armou aquele suicídio.
 - Quem fez isso com certeza não era um profissional. – Ela comentou. – Eu teria incinerado o corpo com magia e apenas outro mago conseguiria resolver esse caso.
- Pode voltar para o templo. – Phir disse para a jovem. – Vou pedir para alguém levar o corpo e eu vou procurar os familiares.
 O paladino foi para uma direção com seu pupilo e Taiga para a outra, seguiram adiante pelo curto gamado amarelo saindo daquele frio ambiente.
 - O nome dele era Delos. – Disse Phir. – O conheci uma vez em uma taverna, ele estava caindo de bêbado e eu o levei para fora da estalagem, então uma mulher apareceu e disse que era a namorada.
 - Então estamos indo atrás dela agora?
- Sim. - Respondeu. – Não é muito longe daqui na verdade.
 Caminharam sem se desviar, não tinham motivo para isso. A cidade estava calma, as pessoas trabalhando normalmente e gritando para chamar clientes até seus produtos. Pipas voavam sobre as cabeças e crianças pequenas corriam entre os outros quase que se esbarrando.
 Por fim encontraram seu objetivo, Phir foi na frente e ao bater na porta a mesa se abriu sozinho, a porta só estava encostada. Olhando o interior era possível ver como o lugar estava destruído e caindo aos pedaços. Luz entrava pela fresta da janela e revelava aquele ambiente devastado. Phir fez um sinal para Morphy esperar e com cautela entrou na casa, passos silenciosos, mas não lentos. Logo o paladino viu um quarto escuro, abriu a porta e viu uma mulher ensanguentada caída ao lado de um berço, se aproximou percebendo que ela era a pessoa que procuravam, e que o berço estava vazio.
- Droga. – Murmurou saindo do lugar. – Ela também foi morta, e não acho coincidência a morte dela com a do homem.
- Esta dizendo...
- Foi a mesma pessoa. – Ele agarrou os ombros do jovem. – Morphy, preciso que me conte uma coisa... Por que você matou aqueles casais?
- Eu... – A pergunta fez um sentimento de culpa retornar. – Eu estava... Sendo manipulado.
- Por quem Morphy? – Phir se aproximou. – Preciso que conte.
- O nome dele... Era Haraphim.
- Entendo... Estamos lidando com um rei caído. – O paladino fechou os olhos. – É pior do que pensava.
-... – O garoto silenciou-se pensativo. – O que vamos fazer?
- Encontrar o assassino e então iremos fazer com que nos leve até Haraphim e... – Phir hesitou para terminar a frase. – Vamos ter que rezar para Rezuria.

 Morphy e Phir retornaram para a ordem, mas foram interceptado pelos outros paladinos do lado de dentro, Halpra logo assustado recolheu nos braços do garoto.
 - O que pensam que estão fazendo?! – O tutor de Morphy perguntou. – Sabem para quem estão levantando suas armas?!
- Não era para você Phir! – O velho Herefeu surgiu caminhando de longe. – Este garoto não pode ficar sobre nosso chão!
- O que esta dizendo! – Phir se indignou. – Morphy é meu pupilo e não aceitarei que o ofendam dessa forma!
- Não esta claro?! – A voz rouca continuava. – Os assassinatos são semelhantes aos do passado, essa criança é a culpada pelo o que recém ocorreu!
- Morphy sempre esteve ao meu lado, não aceitarei que o culpe assim. – Levou a mão para a haste da espada. – Do contrario serei capaz de manchar o solo sagrado de Rezuria em um combate sem sentido com vocês a minha volta.
- Levanta sua voz contra o nosso líder? – Do alto da sacada estava o grande Juvel. – Você pagará caso levantar esta espada contra a ordem.
- Enfrentarei qualquer para proteger inocentes. – Com leveza removeu a lâmina reluzente da bainha. – Até mesmo alguém do seu nível, Juvel “O joelho celeste”.
- Não sejamos animais. – Outra voz estava no canto da sala, da penumbra se revelou Deufh com um sutil sorriso na face – Não precisamos matar nossos irmãos por um caso que nem ao menos possui provas.
 Os paladinos ao redor de Phir deram um passo atrás abaixando as armas, Juvel murmurou com os braços cruzado em quanto Deufh ajeitava os óculos. 
- Deufh, ousa me contradizer? – Herefeu se surpreendeu. – Sempre o considerei o mais sábio desta ordem.
- E por isso digo que não devemos nos adiantar dizendo que esse jovem este matando novamente. – O homem sorriu como se aquele caso fosse besteira. – Phir disse que o garoto sempre esteve ao seu lado e para mim é suficiente para excluído da lista de suspeitos, Phir é um homem que busca o bem dos outros em primeiro lugar e não existe motivo para mentir, sendo assim a palavra dele vale mais que a sua mesmo sendo o líder da ordem de Rezuria.
 Todos ficaram calados, ninguém tinha mais a razão para estar no meio daquela bagunça. Morphy engoliu em seco, todas aquelas pessoas o olhavam com desgosto como se fosse um rato sujando aquele chão sagrado.
- Voltem aos seus postos. – Juvel ordenou da sacada para os homens no andar debaixo. – Continuem trabalhando.
 O próprio Joelho celeste se retirou de cena deixando os quatro no andar inferior, Herefeu ainda estava desconfiado de Morphy, mas Phir jogava seu olhar contra os olhos do velho, Deufh parecia ver tudo àquilo como uma briga de crianças.
- Quero que diga tudo sobre Haraphim para Deufh, Morphy. – Pediu Phir com seriedade. – Não hesite em dizer nada para ele.
 O garoto acenou com a cabeça, Halpra levantou o rosto observando seu dono com olhos preocupados.


 Outro assassinato ocorreu em uma casa, esta era pouco distante do reino em uma vila. O mesmo tipo de acontecimento amador, novamente um casal provavelmente pais de uma criança. Taiga estava lá outra vez, apesar de suas deduções ainda serem exatas, a garota cambaleava de sono e mal conseguia manter os olhos abertos.
- Sem duvida foi a mesma pessoa. – Ela percebeu. – Dessa vez sem farsa de suicídio e se tinha uma criança com eles, ela já foi levada para fora daqui.
 Halpra não gostava de ver aquilo, o ambiente o causava arrepios dentro daquela casa com pouca iluminação e poeira a voar, Morphy tentava acariciar a crina do pequeno corcel, mas a pequena ainda não se acalmava.
 - Os camponeses disseram que eles tinham dois filhos. – Phir comentou. – Se Haraphim os levou onde poderiam estar agora Morphy?
- Acho que... É difícil dizer, eu estava sempre migrando. – Respondeu de cabeça baixa. – Podem ter ido para muito longe agora.
- Não acho isso. – Taiga discordou. - De uma olhada aqui.
 Havia sangue na janela estilhaçada, alguém passou por ali e se cortou, o sangue já havia coagulado e ali estava uma forma de encontrar o assassino, adiante para o lado de fora podia se ver marcas de sangue pelas paredes de outras casas e podiam ser seguidas até a floresta.
- Ele se machucou e fugiu se arrastando pela parede para se manter de pé. – Taiga explicava coçando os olhos. – Ele pode ter feito isso a muito tempo, mas machucado desse jeito não deve estar longe, se tentasse fugir para longe com um ferimento assim provavelmente morreria, pra ser sincera ele pode ter feito isso e se matado... Afinal estamos falando de um homicida que não é nem um pouco profissional.
 - Taiga, volte para o templo e peça para Druvh cuidar destes corpos. – Phir dava as ordens. – Eu irei seguir o rastro junto com Morphy.
 E assim eles obedeceram. Acariciando Halpra, o garoto percebeu algo estranho entre os pelos da pequena, então viu uma escama entre os pelos brancos.
 - Mas o que? – Morphy aproximou os olhos. – Uma escama?
- Falou comigo? – Phir virou o rosto. – Desculpe por não prestar atenção.
- Não, eu estava... – Parou com o olhar baixo. – Não é nada.

 Os dois entravam na floresta ao redor do reino, Morphy pediu para Taiga levar Haplra junto com ela, achou melhor não deixar a pequena ver nada de ruim caso ele e seu tutor encontrassem o que procuravam. Era uma fria devido ao inverno, galhos sem folhas e árvores magras.  Sangue manchando as árvores guiava os dois por debaixo daquele céu cinzento, seguiam sem temor em busca do assassino.
- Phir... – O garoto chamou. – Isso tudo é minha culpa.
- Não diga isso. – O paladino sorriu. – Você é outra pessoa agora.
- Mas... Se não fosse por minha causa aquelas pessoas poderiam estar vivas.
- Haraphim buscaria outro para escravizar da forma que fez com você. – Phir dizia serenamente. – Mas se isso acontecesse você não estaria aqui comigo, talvez fosse outra pessoa e talvez essa pessoa nem viesse comigo para o templo... Então foi bom que Haraphim tenha te escolhido.
- Eu... Matei muitas pessoas... – Morphy se envergonhava. – E possivelmente os pais desta também, é capaz dele se lembrar do meu rosto e...
- Morphy, esta tudo bem. – O homem parou de andar. – Você não era aquela pessoa, aquele era um escravo que não tinha opção a não ser obedecer.
 Um pouco mais a frente estava algo entre as árvores, eles se aproximaram e viram os restos de uma fogueira. Ao seu redor estavam ferramentas de forja e uma adaga cravada no chão.
- Estranho. – O paladino se intrigou. – A pessoa que esteve aqui simplesmente deixou tudo espalhado, talvez ele tenha fugido depois de ver alguma coisa ou... Ele vai voltar.
- Por que tem certeza disso?
- Deixou isso escondido debaixo das pedras. – Phir chutou as pedras do chão revelando um colar de prata. – Não entendo por que não quer que ninguém encontre isso.
 Morphy olhou bem para o colar, o levantou do meio das pedras e observou à ferrugem, o garoto reconheceu aquilo em suas mãos e por alguns segundos não conseguiu dizer nada, até que seus lábios puderam se mexer.
- Eu... Matei eles. – Disse que medo. – Fui eu...
 O jovem se sentiu zonzo e logo sua visão escureceu o deixando sem equilíbrio, Phir rapidamente o agarrou antes que pudesse cair no chão, sua cabeça estava perturbada e não conseguia pensar me nada a não ser aquela sensação de culpa, o garoto vomitou no chão todo o seu remorso em quanto sentia o abraço de seu tutor.
- Esta tudo bem, não foi sua culpa. – Phir tentava amenizar a dor. – Nós vamos resolver isso ok? Nós vamos derrotar Haraphim sendo ele um rei ou não.
- Sabe o que eu senti quando matei aquela família?- Morphy levantou o rosto. – Pensei que estava fazendo o que era melhor.
- Eu sei. – Phir passou a mão na cabeça de seu pupilo. – Mas agora temos que continuar o que viemos fazer aqui e impedir que outras morte aconteçam.
 Morphy acenou a cabeça os dois se separaram em quanto o garoto limpava o rosto, mas não puderam pensar quando escutaram o som de passos por perto, era uma sombra correndo para longe e tentando se distanciar. Logo fez os dois correrem pelas arvores atrás da estranha figura. Circularam pela floresta até perderem a figura de vista entrando em uma caverna encostada em uma gigantesca elevação no planalto
- É perigoso. – Disse Phir. – Quero que você de a volta e procure por outra entrada, fique lá esperando por mim.
- Esta bem.
 Morphy foi para a esquerda em quanto O paladino entrou lentamente na escuridão da caverna, o garoto deu a volta percebendo que não havia saída, ele subiu poucos metros no planalto, mas de lá também não via nada, sendo assim não podia fazer nada a não ser esperar por seu tutor. Levaram minutos e entre as árvores Morphy viu outra vez a sombra, se levantou e hesitou por um segundo, mas precisava correr atrás daquela pessoa e enfrentar seu passado.
 Seguiu a pessoa desconhecida que de perto podia se ver suas vestes escuras e o rosto encapuzado, Morphy tentava acompanhá-lo, mas não tinha certeza se queria atacar pelas costas daquele jeito. Até que o misterioso homem retornou para a fogueira apagada, não restavam dúvidas que era o filho do casal cujo Morphy assassinou aquela noite.
 O encapuzado se abaixou agarrando a adaga que estava no chão, ele se levantou observando o reflexo na lâmina então se virou em um piscar de olhos arremessando a adaga na direção de Morphy, o garoto teve o reflexo rápido e pode se esconder atrás da árvore, então o encapuzado abriu o casaco agarrando uma espada e partindo em direção a Morphy, o jovem rapidamente ergueu sua lâmina se defendendo do ataque veloz e pode ver de perto aqueles olhos verdes. O coração do garoto não estava decidido a atacar aquela vida, sua força para se defender não era suficiente e o inimigo pode empurrar Morphy para trás. Tentava se defender e não atacava, o fio da lâmina cortou o ar correndo em direção ao garoto e atingiu a ponta da espada no olhar de Morphy.
 O garoto levou a mão para a vista que sangrava e desprotegido foi golpeado com um chute forte que o fez ser derrubado no chão de grama curta, se arrastava para trás com medo de enfrentar seu oponente em quanto seu rosto se manchava com o sangue do ferimento no olho direito. O inimigo correu saltando para cima de Morphy que rolou desarmado para o lado se esquivando do ataque, outra vez o encapuzado atacou e o garoto por sua vez agarrou a espada, a lâmina cortava o couro da luva de Morphy fazendo o sangue gotejar.
 O jovem estava cada vez mais fraco e mal podia ver seu oponente devido à mancha vermelha em sua vista, Morphy não sabia como enfrentar seu inimigo, sabia que se não o derrotasse seria morto pelas mãos dele. Apertou a lâmina da espada fazendo seu ferimento se tornar mais profundo, então puxou o encapuzado para cima de si fazenda a espada perfurar o chão ao lado de seu rosto, agarrou as vestes do inimigo e o puxou invertendo suas posições ficando sobre seu oponente, o garoto levou as mãos para o pescoço do ser misterioso e com o rosto virado e olhos fechados tentava sufocá-lo, o inimigo tentava se livrar, mas Morphy não o soltava, as garras do encapuzado riscavam a armadura do jovem e logo não puderam mais se mover, abaixo de Morphy estava um homem morto. O capuz deslizou de seu roto revelando a imagem de uma jovem mulher, o garoto desesperado começou a se arrastar para longe até encontrar algo, eram as pernas de Phir. Morphy se agarrou em seu tutor manchando sua brilhante armadura com o sangue de suas mãos cortadas em quanto ali chorava desesperado por matar uma de suas vitimas.

 Phir havia retornado para o templo junto com Morphy e com ele trouxe a pessoa que havia fugido para dentro da caverna. Do lado de fora, prenderam a pessoa com amarras em um poste curto de madeira usado nos treinos dos jovens aprendizes, Phir puxou o capuz da pessoa e revelou um rosto idêntico ao que havia recém falecido. Eram gêmeas.
- Não estamos aqui para te machucar. – O paladino tentou ser gentil. – Estamos aqui para te ajudar.
-... Igual fez com minha irmã?- Dizia com pausas e sem olhar para o paladino. – Não podem entender o que fizeram conosco.
- Pelo contrario. – Disse o homem. – Eu sei exatamente o que aconteceu com seus pais.
- Isso não importa. – Ela respondeu. – Não podem mais me ajudar... Tiraram meus pais, agora minha irmã.
- Eu sinto muito por todos eles...
- Não, você não sente!- Ela gritou apertando os olhos. – Não sabe como é continuar seguindo com a vida por causa de outra pessoa e agora... Ela esta morta!
- Tenha calma, por favor...
- Eu sobrevivi a tudo por ela, me esforcei para sempre proteger minha irmã que era dócil e aos poucos se tornou algo perverso e sádico!- Ela continuava a gritar. – Eu vi a pessoa mais amada sucumbir para as trevas em uma sede de matança horrorosa... Sabe o que eu passei? Sabe o que eu passei?!
- O inferno... – Morphy respondeu de longe. Viveu ao lado de apenas uma pessoa, alguém que jurou proteger até o fim para que um dia tudo voltasse a ser como era... Arrependo-me por cada pessoa que matei, incluindo sua família... Pensei que Haraphim realmente queria me ajudar, mas ele nunca se importou, ele queria apenas construir o exercito dele usando eu, você e muitos outros espalhados pelo mundo, mas isso pode mudar... Ninguém mais deve passar por isso, se você puder ajudar a lutar contra Haraphim... Tenho certeza que sua família sentiria orgulho de uma heroína.
 A garota engoliu a própria saliva, olhava para o garoto com a face enfaixada sem saber o que contar, ele apenas abaixou o rosto com lagrimas aceitando a oferta.
- Me agradaria... – Morphy dizia. – Se me contasse seu nome.
- Elisy... Minha irmã se chamava Rinai.


Última edição por Stained in Blood em Ter 5 Jan 2016 - 16:11, editado 1 vez(es)
avatar
Stained B.
Herói
Herói


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Ter 24 Nov 2015 - 22:12

 As nuvens cinzentas se aproximavam trazendo a neve do inverno, elas eram negras e enfurecidas, cobriam tudo com escuridão. Morphy as observava da janela com o olho esquerdo, com tranqüilidade removeu a espada da bainha observando seu reflexo, levou a lâmina até as bandagens em seu rosto e cortou uma tira fazendo tudo se soltar e cair sobre seus ombros. Via o ferimento horrível em seu rosto sentindo falta de algo que jamais voltaria ter. Levou sua mão até seu cabelo o penteou com os dedos fazendo a franja escura cobrir o machucado deixando a metade direita de sua face coberta pelos vários fios. A porta daquele quarto foi aberta, por ela entrou Taiga com o pequeno cavalo em mãos.
- Vai deixar ele comigo até quando? – Ela solou Halpra no chão. -... Você ta bem?
- Desculpe, estava tão preocupado com tudo isso... – Ele respondeu com melancolia. – Acabei me esquecendo da Halpra.
- Hei... – Ela chamou fechando a porta e entrando no quarto. – Elisy esta bem, e você só fez o que precisava, era você ou ela e no fim, alguém teria de morrer.
- Se eu não tivesse matado os pais delas ninguém precisaria morrer. – Ele encostou as mãos na parede. – É tudo minha culpa.
- Não é Morphy. – Ela se aproximou. – Você vai fazer a coisa certa e juntos podemos enfrentar Haraphim
- Acha que consegue derrotar um deus?
- Phir conseguiria e por ele serei forte. – Ela admirando a janela junto do garoto. – Você também deveria.
- Eu... Eu não posso...
 Taiga agarrou o braço de Morphy se aproximando do garoto.
- Para de ser fraco Morphy!
 Ela aproximou o rosto fazendo seus lábios tocarem os de Morphy, o garoto não podia entender o porquê, seus olhos se arregalaram em quanto os da garota se fecharam. O ato não era de paixão, Morphy podia sentir que ela fazia isso para motivá-lo e mesmo assim não a recusava, ele não tinha forças para isso. Seus olhos tremiam tentando resistir ao beijo, ele tentava manter eles abertos, logo não podia mais suportar e os fechou deixando ser controlado pela garota que o empurrou contra parede agarrando as mãos de Morphy o imobilizando para impedir que o garoto fugisse de sua boca. Lentamente a menina se separou deixando uma fina linha de saliva presa entre sua boca até a boca do garoto, em seguida passou a manga da blusa no rosto.
- Não conte a ninguém. – Ela pediu com seriedade. – Ouviu bem?
 A menina virou as costas saindo do quarto e deixando Morphy sem saber o que dizer, o garoto virou o rosto vendo que Halpra estava observando a cena, o cavalinho via seu dono o deixando envergonhado.

 Outra vez estavam todos reunidos no templo, os paladinos encostados nas paredes ouvindo a missa de Herefeu para os que estavam ali. Era apenas mais uma reza se não fosse pela grande porta ter sido bruscamente empurrada, por ela passou um guarda do reino, vestido com uma capa azul e armadura de ferro com ornamentos de prata, ele ao lado de outros soldados reais caminharam na direção de Herefeu e passando a mão no fino bigode o guarda anunciou.
- Venho a mando de nosso imperador para levar dois assassinos que se abrigam neste local!– Ele dizia alto. – Quero que me tragam a garota recém trazida e o pupilo do paladino Phir, se não cooperarem serão considerados inimigos por proteger esses dois monstros!
 A multidão se desesperou ao saber que havia dois assassinos naquele ambiente, os paladinos tentaram acalmar as pessoas no templo, mas era inútil. Em meio a bagunça, Phir correu em direção ao guarda que dialogava com Herefu ao lado de Deufh e Juvel.
- Nada irá sair deste lugar. - Dizia Deufh com olhar sério. – Vocês não possuem o direito de levar duas de nossas crianças.
- As nuvens negras que se aproximam. – Ele respondeu. – Um exército sombrio sobe as colinas junto às nuvens que trazem consigo a neve de inverno, foi algo que essas crianças trouxeram consigo amaldiçoando nosso reinado.
- Mas é loucura! – Phir interrompeu. – Sabe que Morphy não é culpado por isso?!
- Nosso imperador decidiu e as criaturas foram guiadas por eles, além disso, não existe outra explicação.
- Podemos evitar isso. – O paladino fazia seu melhor. – Podemos levar as pessoas para distante daqui e...
- Foi decisão de nosso imperador, ele ordenou que entregassem as crianças e assim será.
 O guarda deu as costas caminhando entre as pessoas saindo de cena, Phir sentiu seu sangue ferver, era uma decisão absurda e não sabia como enfrentá-la, seu rosto virou na direção de Morphy imaginando o que tal guerra poderia fazer com o garoto, então fez sua escolha.
 Puxou a espada para fora da bainha com uma essência brilhante, era um poder nunca visto por Morphy, então perfurou as costas do guarda, os vários cidadãos se espantaram e a bagunça piorou quando os soldados por sua vez atacaram os paladinos, espadas se encontravam com lanças, machados acertavam escudos e lâminas encontravam o vermelho, Phir jogava suas mãos contra os inimigos e os atingia com um disparo brilhante, era como a luz de uma estrela dourada. Morphy não sabia para onde olhar naquela zona, mal se quer estava determinado a levantar sua espada, mas logo tudo se acalmou, as pessoas haviam deixado o local e os corpos mortos eram dos guardas, poucos paladinos estavam feridos, mas nenhum morto.
 Cansado Phir caiu de joelhos, sentiu um peso enorme em seu corpo e aos poucos sua bela armadura dourado perdeu a cor se tornando cinzenta, foi o preço por realizar uma carnificina desonrosa no chão de Rezuria, atacando uma pessoa pelas costas
 Independente de ser inimigo.
 - Você nos condenou! – Herefeu gritava. – Manchou este lugar sagrado com morte... Você sabe o que fez?!
 -... Sei.
 Sua armadura agora estava pesada, se levantou mesmo assim se pôs a caminhar na direção de Morphy que ainda estava assustado com tudo que ocorreu, estava imóvel olhando os mortos no chão, mas seu olhar mudou de direção quando Phir tocou o rosto do menino e o fez olhar dentro de seus olhos cor de fogo.
 - Esta... Tudo bem, ok? – O paladino dizia. – Não vou deixar que se quer se aproximem de você... Eu prometo Morphy.
 Observou o canto e viu o Druvh empurrando um soldado para fora de sua lançam, atrás dele estava Elisy sob sua proteção. Assim como Morphy a garota estava sendo caçada e a forma que Druvh se manteve a frente da jovem mostrava que não hesitará em protegê-la assim como a promessa que Phir fez a Morphy.

  Muitos paladinos deixaram o templo dês de então, estavam a favor do reinado, mas não tentaram enfrentar Phir e levar o garoto pelas promessas e juramentos que fizeram pela ordem. Houve dois ataques ao templo que foram neutralizado por Hela, Phir, Druvh e poucos outros, e em poucos dias o inverno estava sobre a colina e esta estava pintada de negro com o as sombras perturbadas que traziam com sigo a fria morte. Não era um numero gigantesco para um exercito, era algo em torno de sete centenas, mas mesmo assim possuíam um poder enorme que emanava por todo ambiente chegando a perturbar qualquer simples folha a mais de vinte metros.
 Os poucos que sobraram estavam espalhados pela entrada do templo onde ocorria os custos e missas, paladinos com armaduras belas exceto Phir que perderá seu poder, mas sua habilidade continuava excelente e perfeita, isso era visto na forma que defendeu o templo de Rezuria contra os soldados reais.Estavam Hela, Druvh, Phir, Morphy, Elisy, Taiga, Deufh, Juvel, Herefeu, três aprendizes e outros dois paladinos todos em silencio, o reino seria atacado primeiro pelo leste e então o próximo alvo seria a ordem dos paladinos.
 - Chega, não vou ficar aqui? – Phir caminhava em direção a porta. – Podem ter nos atacado, mas salvarei esse reino.
- Isso é loucura! – Herefeu criticou. – Eles disseram que somos seus inimigos e não devemos mais nada para eles!
 - Mas ele esta certo. – Com o sorriso, Deufh ajeitou os óculos. – De que adiantará ficar aqui se seremos o próximo alvo?
 - Não importa o motivo. – Juvel foi ao lado de Phir e cruzou os braços. – Uma luta é uma luta, eu irei com você.
 - Já passamos pelo fim do mundo. – Druvh deu um passo adiante. – Passaremos outra vez meu amigo.
 - Não é mais meu aprendiz. - Hela pôs as mão a cintura. – Mas não vou deixar meu garoto sozinho.
 - Eu também irei!- Taiga se pôs a ajudar. – Enfrentarei qualquer coisa até o fim!
 - Não Taiga. – O paladino negou. – Ficará aqui, todos vocês iram ficar a proteção de Herefeu;
 - Mas...
 - Não desobedeça. – Deufh aconselhou. – É essencial que todos vocês fiquem aqui.
 - Deufh... – Juvel chamou. – Irá vir conosco para esta guerra?
 - Claro. – Ele caminhou até a porta em quanto seus robes rastejavam pelo chão. – O que vocês seriam sem mim?
 Os outros dois paladinos acenaram com a cabeça e foram até a frente, retiraram seus elmos esse revelaram um homem e uma mulher de cabelos castanhos curtos e uma marca de nascença em ambos os rostos. Cada um vestia armadura aposta sendo uma branca e outra negra, em suas mãos estavam uma espada curta e um escudo com a pintura de dragões.
 - Os irmãos Darjin. – Phir os observou. – Ajudarão?
 - Tenha certeza disso. – Respondeu a mulher. – Eu e Ghota não tememos a morte.
 - Não seja tão dramática, Mecik. – Ele sorriu. – Nós conseguiremos.
As portas foram abertas e a neve já alcançava a todos apesar de estar fraca, a medida que entravam na nevasca desapareciam da visão de quem se manteve dentro do templo, Morphy estava indeciso, mal conseguia falar, apenas via o rosto de Phir o ver mais uma vez antes de enfrentar o ambiente congelante e sombrio.

 O grupo adentrou na cidade vendo muitas pessoas fugirem em quanto soldados corriam na direção oposta, entre eles um viu o grupo e logo correu com a espada em punho.
 -Vocês! – Gritou com ameaça; - Não podem estar aqui!
 - Me parece que a sua situação não é das melhores. - Deufh riu passando reto pelo soldado. – Quer mesmo recusar nosso reforço?
 - Droga! - O soldado se intrigou, não sabia o que responder e pôs a espada à bainha outra vez. – Não somos muitos, todas as tropas estão se posicionando em frente ao muro, ainda existem arqueiros na muralha, mas são poucos, muitos de nossos homens fugiram.
 - Estamos aqui, somos a ordem de Rezuria. – Hela aproximou do soldado. – Creio que poderemos ter chance.
 - Ou morrer com honra no campo de batalha. - Juvel citou. – De qualquer forma não somos covardes de nos esconder e fugir como os outros.
 Juvel seguiu a frente até ficar ao lado de Deufh cruzando as ruas de pedra do reino, logo os outros foram atrás dos lendários paladinos da ordem de Rezuria; Deufh e Juvel.
  A neve ficava mais e mais forte, se tornando uma bruta nevasca e que atacava de maneira o local com fúria, e lá estava a passagem dos portões com vários soldados a frente dele, mesmo assim era pouco para enfrentar o exercito sombrio que descia a colina e já era possível veras tenebrosas fera sombria com olhos brilhantes, um brilho azul e ameaçador. Os soldados abriram caminho, muitos possuíam armaduras de ferro simples, mas outros mais a frente usavam armaduras com capas e veludos, seriam como capitães. Todos com olhares fixos nos paladinos que foram considerados traidores, mas nenhum os tacava, não queria enfrentá-los naquela situação.
 Phir se vu na frente de todos ao lado de seus companheiros que o seguiram para a horrível guerra, o paladino de armadura cinzenta levantou sua espada.
 - Não importa quantos sejam porque não importa quantos somos! Morreremos por aqueles que amamos e que agora fogem em busca da sobrevivência! – Phir gritava para a pequena resistência. – Não importa quantos serão, pois nenhum encostará um dedo se quer naqueles cujo nosso sacrifício salvará! Não importa quantos somos... Porque nesta noite de frio, “Não vai ter garçom parado, nem puta triste!“ 
 Todos gritaram em resposta, Gritos motivados a enfrentar o que viesse a sua frente, olhos fortes que demonstravam coragem diante do medo, diante da morte. As sombras usavam armaduras com o brilho negro que apesar de assimétrica ainda cobria o corpo inteiro com um visual sinistro e perturbador, armas mal feitas, todas tortas e sem atenção, mas ainda eram armas. Entre eles haviam inimigos com pouco mais de dois metros de altura, assim como haviam criaturas estranhamente deformadas chegando a serem desmembradas. Os monstros eram cobertos pela neve e por onde passavam deixavam seu rastro negro, caminhavam com passos firmes que ecoavam até os ouvidos de Phir, causavam um medo descomunal, mas agora os soldados não hesitariam em atacar as criaturas.
 O floco de neve tocou a face de Phir, o paladino passou a mão pelo rosto sentindo os dedos cobertos pela fria armadura, levou o olhar para a mão vendo a mesma úmida pelo floco de neve, então viu a sua frente o grito de caos distorcido e todos os inimigos correram contra os soldados a frente da muralha.

 Juvel foi à frente e então ergueu sua perna para assim pisar com uma extrema força no chão coberto pelo branco da neve, da enorme joelheira da armadura uma luz dourada surgiu e então a figura da joelheira foi copiada como uma aura de luz e que voou até os inimigos e os acertou com uma poderosa energia de luz que correu entre eles os derrubando e ferindo gravemente.
 - Seu poder continua impecável. – Deufh elogiou. – Sem dúvida ainda é o “Joelho Celeste”.
 - Me mostre que você também continua o mesmo. – Pediu Juvel. – Mosre-me que ainda é o “Leitor Diabólico”.
 O sorriso se alargou em Deufh, ergueu o livrro para fora de seus braços com a mão direita, com a outra passou por cima e o livro escuro se abriu sozinho com uma energia sombria emanando de si, o homem de cabelos cinzentos então atirou sua mão de baixo para cima e do chão brotaram-se crânios rodeados de uma chama púrpura, esses crânios então se atiraram contra muitos inimigos os golpeando tão forte quanto os poderes de Juvel.
 - Luz e sombras. – Dizia Hela de longe. – Juvel e Deufh, não é a toa que são paladinos lendários.
 - Eles podem fazer um estrago enorme. – Respondeu Mecik. – Talvez tenhamos uma chance com eles ao nosso lado.
 - Mesmo assim. – Ghota aconselhava. – Não seja iludido por essa vantagem, a batalha ainda será complicada.
 - Não interrompa minha alegria. – O irmão respondeu. – Você continua tão chata.
 - Vou considera como elogio. – Ela disse. – Prefiro ser chata a perder a cautela.
 Deufh e Juvel se mentiam a frente de todos, em quanto as tropas inimigas avançavam com fúria, Deufh então folheou o livro mesmo sem tocá-lo e conjurou a partir dele uma luz que elevou ao redor de seu corpo e essa criou uma imagem repetida sua ao seu lado, uma copia escura e destorcida esta que ergueu o livro assim como Deufh e o folheou junto com o leitor original, ambos então criaram usando a força das paginas uma rajada de flechas que atacou as sombras do exercito e junto a isso Juvel pôs seu joelho a frente criando raios dourados que caíram do céu, esses dois ataques aéreos derrubaram mais sombras, mas apesar de seus esforços para manter-los distante, ainda sim os inimigos estavam cada vez mais próximos.
 Continuaram a atacar o possível de inúmeras formas e feitiços diferentes, e mesmo os atrasando a chagada era inevitável, Deufh pôs o livro sobre a joelheira de Juvel a energizando e outra vez o grande homem disparou uma aura de luz esta que se tornou negra e poderosa, o escuro clarão atingiu os inimigos mais próximos e transformou em cinzas em quanto se incineravam com o poder da luz.Ambos se sentiram cansados, mas continuaram até as trevas chegarem ao sua frente, e as duas lendas foram afogadas pelos inimigos que os contornaram ficando a sua volta em quanto muitos outros ainda avançavam contra a resistência, mesmo assim era possível ver as luzes de poder que vinham entre o exercito lutando por espaço, os dois continuavam a lutar mesmo mergulhados na morte.

  - Agora, preparem-se! – Hela alertou aos soldados. – Arqueiros!
 Os soldados na muralha puxaram o fio do arco e levantaram suas pontas para o céu, soltaram as flechas sobre os inimigos e assim continuaram. As forças inimigas estavam próximas, os paladinos entraram em postura para combater seus oponentes e os soldados fizeram assim como o exemplo de coragem. As criaturas podiam ser vistas com tanta clareza que Phir podia ver suas histórias através dos olhares sedentos por sangue e destruição, a nevasca forte ficou intensa com a aproximação das trevas. O rosto de Phir virou-se para a direita vendo Druvh e Hela, depois para o outro lado vendo Mecik e Gotha. Todos prontos ao seu lado para enfrentar seu destino como guerreiros de Rezuria. O grito de todos ecoou contra a nevasca e saltaram com passos brutos para frente em direção ao ataque das criaturas sombrias, prontos para salvar aquele reino e as pessoas que ali viviam ou morrer para a fuga delas, não existia mais nada além desse pensamento e assim se colocaram a frente do ceifeiro sem dúvidas em seus corações seguidos dos soldados que não temiam seu sacrifício, mas temiam pelos corações das crianças e outros que saíram daquele reino em busco de proteção a perigosa nevasca.
 Finalmente os dois lados se encontraram, e um show de poderes pela parte dos paladinos seguido do grito das espadas de soldados e monstros ao se enfrentarem foi como rugidos de esperança que gritava para fora dos corpos de toda a resistência.
 Mesmo sem seus poderes, Phir era extremamente habilidoso me mio a todos os inimigos e fazia seu melhor para afastá-los da muralha. Cortes com precisão vitais fazendo as criaturas sangrarem um liquido vermelho quase negro e especo com lodo. Todos se colocavam um ao lado do outro e não deixava ninguém passar adiante, mas logo vira as criaturas maiores e mais distorcidas se aproximarem, a dificuldade aumentou e aos poços tiveram de começas a recuar. A lança de Druvh dançava ao redor da armadura deixando um rastro no ar e permitindo o escuro borrar seu rosto, Hela mantinha duas de suas espadas dentro da bainha a deixava uma a sua mão em quanto usava magias de luzes semelhantes as que Phir usou contra os soldados no templo, os irmãos lutavam um ao lado do outro em um perfeito dueto com as espadas cobertas por uma aura esverdeada.
 Druvh rodopiou a lança ao redor de seu pescoço, então a agarrou e fez um ataque na horizontal, isso fez uma onda escura correr pelos inimigos os cortando a altura da cintura mesmo não sendo tocados pela lâmina. Hela cortou a palma da mão deixando o sangue escorrer pelo fio da espada, este que brilhou deixando a arma ainda mais poderosa, a mulher então por finalizar cravou a lâmina na neve e em resposta a luz explodiu em uma grande área destruindo outros inimigos. Os irmãos trocaram de lugar cortando ao mesmo tempo o ar de baixo para cima e assim dois dragões espirituais foram invocados correndo através dos inimigos os atingindo brutalmente e depois as feras se ergueram e partiram para o céu.
 Mesmo com poderes forte, eram obrigados a se afastar para trás em quanto viam os soldados morrerem ao seu lado e tornado a resistência mais fraca mesmo apesar do esforço dos arqueiros para salvar os soldados em solo. 

 Em meio a tudo aquilo, uma criatura diferente surgiu, em suas costas estava  uma espécie de canhão, o enorme mostro ficou como quadrúpede e outro conjurou a arma a fazendo atirar nos arqueiros, foi um disparo poderoso e sombrio que causou uma enorme fenda na muralha e matando mais de quatro arqueiros próximos. Druvh olhou para Phir e ambos trocaram idéias através de seus olhos, mais um inimigo foi morto pelo lanceiro então ele passou  a pular sobre os soldados os usando para se manter em uma alta altura até que chegou em Phir que colocou sua espada a baixo dos pés de Druvh e o impulsionou para o alto, o lanceiro pode ver o canhão pronto para disparar outra vez e arremessou sua arma contra o canhão atingindo seu disparo antes de ser atirado e causando uma grande explosão naquela área, assim que tocou os pés no chão ele já conjurou outro feitiço com as duas mãos fazendo o vento empurrar outro inimigo para longe, não era seu forte, mas agora Druvh estava desarmado e poderia lutar apenas dessa forma.
 Um gigante correu entre os inimigos os empurrando descontroladamente e passando por cima de Hela caindo sobre a mulher, era uma fera colossal e desfigurada, a mulher se viu com a besta gigantesca atrás da barreira que a resistência tentava manter em pé. O monstro atacava Hela, mas ela era ágil e se desviava, mesmo assim quando tentava atacar seus cortes não faziam efeito naquela coisa irrefreável.
 A lâmina do paladino cortou o ar se jogando contra outro inimigo, Phir mantinha seus olhos fixos naqueles se aproximavam, o fio da espada acertou um floco de neve antes de se cravar no pescoço de outra criatura, puxou a arma para trás fazendo o morto cair sobre seus pés, a quantidade de inimigos era absurda, o paladino não podia ver nada além de escuridão a sua frente, mal conhecia outra cor se não o negro das trevas daquele momento. Outro passo para trás e a resistência se viu mais frágil, as criaturas pareciam não ter fim descendo a colina, se não fosse o poder dos paladinos ali todo aquele conflito já teria sido perdido com a destruição dos soldados.

  Em meio a tantas sombras, Juvel e Deufh se mentiam juntos a lutar de forma rápida e sem pausa, os olhos sarcásticos do leitor e a fúria no rosto do enorme homem permaneciam contra as ondas sombrias daquele mar de inimigos horrendos, luz para um lado, explosões para o outro e nenhum inimigo podia-se aproximar deles eles mesmo vindo de todas as direções.
 O enorme monstro agarrou Hela em um abraço pelas costas e a levantou para cima apertando forte a mulher, Hela por sua vez puxou a lâmina respirando fundo e fechando os olhos com força, levou a ponta da espada para seu corpo atravessando a si mesmo banhando o fio com seu sangue tornando a espada mais poderosa e iluminada atingindo a criatura e a fazendo solta-la, a força da luz foi fatal derrubando a criatura, mas a mulher caiu de joelhos apoiada na espada, levou a mão para boca em quanto sentia o sangue subir pela garganta e responder como um vomito vermelho na neve em suas mãos. Mais soldados caíram na resistência e Phir virou os olhos vendo o estado de sua mentora, o paladino viu que a resistência estava enfraquecida de mais.
 - Recuar! – Ele gritou. – Para dentro dos muros!
 Todos deram as costas muitos sendo atingidos, Phir correu até Hela e a ergueu sobre o ombro, a mulher soltou a espada ali e puxou outra da bainha em quanto era levada pelo paladino para dentro do reino junto aos que restaram. 

  Dentro do templo era possível ouvir os gritos da muralha, Morphy mantinha Halpra em seus baços adormecida e roncando, o silêncio tomava conta e o sentimento de impotência corria a todos ali, não podia fazer nada além de esperar e olhar para as paredes, Mophy não queria se sentir inútil, mas estava com medo de sair em busca de seu mestre, além disso, foi uma ordem que permanecesse ali ao lado dos outros. Taiga estava ansiosa, balançava a perna cutucando o pé no chão de madeira, a garota não parava quieta em quanto se via em uma situação odiada por si mesma, ela queria sair a qualquer.
 - Hei... – Elisy chamou. – Eles vão ficar bem, todos eles.
 - Eu deveria estar lá. – Respondeu fechada. – Não neste lugar monótono enquanto pessoas morrem do lado de fora.
 - Eles preferem você a os outros. – Dizia se encostando-se à parede ao lado de Taiga. – Por isso pediram que ficasse aqui, esta protegida assim como a gente.
 - E quem é você pra saber disso? – Taiga sorriu com ironia. – Chegou aqui a pouco tempo.
 - Me chamo Elisy. – Respondeu já sorrindo. – Você também não me disse seu nome.
 -... – A garota virou o rosto, mesmo assim não pode evitar responder. – Me chame de Taiga, é... É um prazer.
 Algo chama a atenção de Herefeu, o velho se dirige até a porta e a puxa ara o lado de dentro, a gigantesca abertura mostra a saída para o inferno do lado de fora, junto com a branca nevasca que entrava no templo levando as roupas de Herefeu, estava um céu manchado pelo vermelho da destruição. O reino estava em chamas, mesmo que muitos tivessem fugidos e os únicos ali fossem o minúsculo exercito comandado pelos paladinos, as sombras negras estavam a devastar tudo em seu caminho cobrindo casas com fogo e chamas.
 - Rezuria... – O velho tremia. – Salve-nos.

  Estavam todos encolhidos no meio de trevas, muitas baixas ao seu redor, Phir via muitos caírem ao seu lado, muitos outros a sua direita, mas ele não se deixava ser atingido por nada, se mantinha contra o mal. Viu um inimigo atacá-lo, a lâmina de sua espada o defendeu, mas outro correu por outra direção, rapidamente ele conseguiu contra atacar matando este e já retornava a arma contra o outro inimigo, mas algo o impediu de terminar, o alvo foi morto antes por uma faca que foi atirada do alto. Sobre uma casa estava a mercenária, Satra estava com o casaco aberto já retirando outra adaga de dentro dele e atirando outra de suas lâminas com precisão.
  Os arqueiros na muralha já estavam derrubados e os soldados eram pouquíssimos, a formação foi comprometida e os homens se espalharam pela cidade de forma desorganizada e morrendo de forma fácil pelas trevas. Druvh saltou para o lado de Phir, tentavam proteger um ao outro da melhor forma possível.

  - Pelo menos vamos estar lado a lado. – O lanceiro comentou. – Foi uma honra conhecê-lo.
 - Ainda não é hora de dizer isso. – Sorriu com otimismo. – Não vou parar até ver nosso lado vitorioso.
 - Acredita que vamos conseguir?
 - Não tenho dúvidas. – Efetuou outro ataque. - não permitirei que nenhuma dessas coisas chegue ao templo, não importa o que tenhamos que enfrentar.
 Entre as criaturas algo aconteceu, uma energia sombria se elevou como um manto negro que então se abaixou como uma figura negra horrenda e assombrosa. Os monstros abriram caminho desistindo de atacar a dupla isolada mostrando a rei caído a caminhar como uma sombra na direção de Phir.
 - Haraphim... – O paladino apertou o punho com a espada. – O rei das trevas retornou.
 - Mesmo com tanta força, com certeza não esta no seu auge. – Druvh percebeu. – Acha que podemos?
 - Claro, vamos superar qualquer coisa. – Respondeu com seriedade. – Eu já disso isso.
 Com passos leves sobre a neve, a criatura sinistra se aproximava com lentidão, seus olhos mostravam toda sua força, toda sua capacidade, seu desejo por destruição, vingança e poder.
 Parou a pouco antes de encontrar os seus inimigos.
 - Paladinos de Rezuria. – A voz era perturbadora. – Vou destruir tudo o que ela representa para esse mundo começando por este reinado.
 - Não pense que será tão fácil. – Phir levantou a voz. – Vou impedir.
 - Criatura imunda, não pode fazer nada contra mim, não pode me tocar. – O rei elevou uma energia ao seu redor e seu corpo sombrio tomou forma se transformando em algo similar a um humano. – Ousa me dizer tal absurdo, punha-se no seu lugar criatura humana, você é insignificante, até mesmo o pó abaixo de minhas unhas me incomoda mais que sua arma banalmente simples.
 - Acho que alguém esqueceu a humildade. – Phir riu. – Vou mostrá-lo como esquecer o narcisismo.
 Haraphim agora semelhante a um carnal,era um esguio homem com rugas pelo rosto, uma barba negra moldurando seu queixo e lisos cabelos que caiam pelo pescoço. O deus possuía roupas escuras e compridas que se arrastavam pela neve, um cinto largo de ouro e anéis em todos os dedos, um colar de ouro e mais jóias pelas vestes. Uma face arrepiante de raiva e desgosto, era imponente e forte, seu olhar era raivoso e sua Iris possuía um tom púrpura que estava sempre a se movimentar como se fosse uma alma presa naquele espaço minúsculo
  A espada cortou o vento dançando nas mãos do paladino, então se preparou para seu oponente, esperando por qualquer ataque que Haraphim fizesse. Um grito rouco ecoou entre os lábios do rei caído, jogou as mãos para o alto e uma horrível onde negra cresce do solo se jogando contra os paladinos, Phir pôs sua lâmina a frente na tentativa de defender-se das sombras, e foi arrastado para trás mesmo conseguindo se mantiver de pé. Jogou a espada para o lado criando uma abertura entre as ondas escuras, por ela Druvh saltou e se viu de frente para o inimigo, o lanceiro desarmado partiu em direção a Haraphim, mas o deus por sua vez rebateu Druvh com a palma, antes mesmo de encostar a mão no lanceiro já avia conseguido jogá-lo para o chão. Phir viu rachaduras se espalhar pela lâmina em quanto tentava afastar as sombras, colocou toda a energia de seu corpo nas mãos passando a luz que restava para a espada e então empurrou o fio da mesma para baixo destruindo as sombras em sua frente, entretanto a espada terminou a se desfazer nas mãos do paladino e desaparecer em uma explosão de luz chegando a destruir sua luva de metal.
 - Tolos e patéticos. – Haraphim continuava a menosprezar. – Insistem em me desafiar com seus corpos frágeis e armas inofensivas, jamais encostarão se quer um dedo na sola de meus pés.
 O lanceiro se ergueu do chão e junto a Phir saltou contra o rei caído, mas foram ataques em vão quando o inimigo rebateu os punhos se defendendo usando sombras, paredes feitas de trevas faziam o impacto dos punhos serem jogados de volta para Phir e Druvh e jogando de volta para trás.
 Mesmo assim eles não desistiram, continuaram a avançar cada vez mais e mais, outra vez e mais uma, entretanto, o deus sempre podia combater os paladinos com formas e maneiras diferentes, mas todas envolvidas a sombras. Phir correu a frente, atrás dele Druvh junto uma aura em sua mão esquerda, uma luz escura que energizou sua pelo seu braço e começou a tomar forma, Phir outra vez tentou atacar, mas Haraphim o jogou para o lado com somo se fosse tele-cinese, então o deus levou o olhar para o lanceiro e o viu com uma lança moldada com luz negra, Druvh a atirou em direção ao inimigo, mas o deus acertou a lança com a palma da mão, então esticou o outro braço e a arma negra retornou contra o lanceiro.
 A ponta tocou a armadura, perfurou o metal escuro atingindo a carne e se penetrando cada vez mais no lanceiro, seus olhos voltaram para seu amigo, olhos surpresos e assustados. Druvh era um homem de poucas expressões, mas seu rosto mostrava seu medo, o temor da morte inevitável. A arma terminou de atravessá-lo, suas pernas não conseguiam sustentar seu corpo, caiu para o chão afundando o corpo na neve com a visão escurecida, sua respiração era rápida e desesperada, manter seus olhos abertos era a maior batalha que já havia lutado.
 Ao redor de Phir, o mundo se silenciou vendo a queda de seu amigo, era como se pudesse ver os batimentos do coração de Druvh acelerarem com medo da morte. Ergueu-se do chão e foi até Druvh correndo e se jogando ao seu lado, passou o braço pelas costas de seu amigo o levantando vendo um rosto tão pálido que poderia se misturar a neve, os lábios do lanceiro estavam escuros que tremiam, seus estavam olhos arregalados e lacrimejantes.  
  - Phir eu... – Não conseguia falar. – Eu não quero morrer.
 - Você não vai. – Respondia com tom forte. – Não posso deixar!
 - Phir... Phir me ajuda. – Nunca esteve tão desesperado. – Fica comigo.
 - Você vai ficar bem. – Ele apertou a mão do lanceiro. – Vou te salvar Druvh.
 - Eu te amo amigo... – Parou de tremer, mudou a expressão para algo mais sínico. – Você sabe disso.
 - Não, espera Druvh... – Phir via seu amigo desistir e entrava em desespero. – Não Druvh, acorda Druvh!
 Silencio foi a resposta de um cadáver, terminou a vida com os olhos abertos e fixos no rosto de seu melhor amigo.
 - Também te amo amigo.
 - Vai me levar para o templo agora, paladino? – Haraphim se aproximava. – Ou pretende morrer com ele?
 - Você nunca vai entender... – Phir mostrava um rosto raivoso. – O valor da vida que protegemos me submeter a você é mesma coisa que me matar, é a mesma coisa que desistir de quem eu sou!
 - Humano igual a todos os outros. – Haraphim levemente sorriu. – Não sabe a insignificância da vida.
 - Cala a boca! – Gritou, seu sangue fervia e ao redor de seu corpo uma energia cresceu, mas era diferente da energia natural de Phir. – Eu jurei proteger as vidas cuidadas e abençoadas por Rezuria, você não vai passar por mim!
 O deus mostrou seus olhos furiosos, então disparou uma rajada negra na direção do paladino, esta que explodiu em uma nuvem de fogo da cor preta. Entre as chamas surgiu um clarão vermelho, então pode se ver entre o fogo negro o paladino sem um ferimento, o cabelo estava como chamas assim como a Iris luminosa dos olhos, ao seu redor emanava uma aura vermelha e seu poder ecoou por toda a cidade.
  - Nunca imaginei que você estaria aqui. – Haraphim mostrou desgostou. – Você reencarnou no corpo de uma frágil criatura patética.
 - Você não mudou nada. – Era como duas vozes juntas, uma era de Phir e a outra era feminina. – Continua arrogante e invejoso.
 - Rezuria... – O deus revelou o nome da sua adversário com nojo. – Foi um erro ter escolhido me enfrentar com esse corpo.

 Longe da batalha, a energia passou pelo templo e todos puderam sentir o frio na espinha, ninguém sabia o que era aquela força tão poderosa. Assuatada, Taiga saltou para a entrada do templo, mas Morphy correu até ela preocupado.
 - Espera! Ele pediu pra gente ficar aqui.
 - Já mandei você parar de ser fraco! – Ela estava nervosa. – Olha lá fora, eles estam morrendo e você quer ficar sem fazer nada?!
 - Eu... – Não sabia como responder a garota. – Antes disso tudo eu só tinha a Halpra e agora vocês todos são minha família, eu não quero ver você se machucar lá fora.
 - Mas pode suportar que Phir e os outros lá fora morrão?!
 - Não!                                                                         
 - Então por que não faz nada?!
 - Eu estou com medo Taiga, medo de sair lá fora. – Respondeu quase chorando. – Eu quero ajudar, mas nunca vi algo assim antes, todos esses... Monstros e criaturas, e tudo tão escuro... Taiga, fica aqui, fica comigo, por favor.
 - Não Morphy.
  A garota correu em disparada para fora do templo. Herefeu foi até a porta, mas não pode impedir a jovem de fugir até a guerra. Morphy hesitou, mas logo se decidiu e correu para fora atrás da garota entrando na tempestade debaixo dos céus vermelhos.
   Sombras por toda parte, Taiga corria entre os soldados e as bestas sem medo, Morphy porem hesitou,parou de frente a guerra na cidade vendo as horríveis criaturas em seu caminho. O garoto foi visto por uma criatura, esta que lançou-se em direção ao jovem com um enorme mangual em mãos, vestindo uma gastada e pesada armadura negra que cobria seu corpo inteiro. Morphy assustado com o tamanho da fera deu dois passos para trás tropeçando na neve e caindo de costas, o inimigo dançou o mangual pelo ar e terminou abaixando a espera de espinhos contra o garoto, Morphy se jogou para o lado se vendo enfrentando um oponente monstruoso, algo que não iria hesitar para tomar sua vida sem nenhum sentimento de remorso.
 Colocou-se de pé em quanto via a criatura puxar o mangual para fora do chão, puxou a espada para fora da bainha e engoliu em seco, o que lhe salvaria agora seria os ensinamentos de Phir em todos esses meses de treino. O monstro saltou com a arma no ar, então a jogou contra o garoto na horizontal, Morphy por sua vez se abaixou passando por baixo do ataque, mas ainda temia seu adversário, a cada passo adiante do inimigo Mophy recuava ainda mais com a lâmina em mãos.
 Outra vez a fera desferiu sua arma contra o garoto, a esfera investiu contra o vento forte daquela nevasca na direção de Morphy, o menino deu um passo atrás deixando a ponta da esfera atingir a superfície de sua armadura. Então puxou a arma para perto de si outra vez. O inimigo correu com deixando o mangual dançar em torno de seu corpo, a investida fez com que Morphy se assustasse e não reagisse a tempo do ataque de seu oponente, o monstro golpeou o menino investindo seu largo ombro e derrubando o garoto no chão. Ao encostar o rosto na neve, imediatamente sentiu a falta se sua espada que foi solta durante a queda, o garoto logo passou a procurar por sua arma em meio a neve em quanto o inimigo se aproximava.
 A criatura sombria rodopiou o mangual sobre a cabeça e finalizou seu movimento atacando Morrphy na vertical. A mão pode sentir o couro da haste, puxou a lâmina levantando a neve para o ar rebatendo a esfera com o brilho de sua espada, o mangual foi atirado para a esquerda de Morphy e o enorme monstro foi puxado pelo peso de sua própria arma, então desequilibrado se viu desprotegido. A criança saltou para fora do chão em direção ao seu inimigo com a espada em mão e perfurou o aço negro com dificuldade de varar a armadura do oponente, o peso de seu corpo sobre o monstro derrubou ambos para o chão.
 Ergue o rosto vento a criatura morta em baixo de si, soltou a haste da lâmina vendo o que fizera com aquela alma com o sentimento horrível de culpa pela coisa que havia matado. Morphy se ergue deixando a espada presa ao monstro, com o abdômen da armadura coberta de sangue continuava a manter seus olhos assustados na estranha criatura com remorso de ter tomado mais uma vida.
 Outra onda de energia se expandiu vinda logo abaixo da colina devolvendo a atenção de Morphy para seu caminho até o reino, desarmado pôs se a caminhar tomando fôlego e logo a correr para o meio das várias sombras.

 A luz luminosa do fogo atravessava as nuvens escuras em um confronto de deuses, chamas e faíscas lutavam contra trevas e sombras, ambos os lados furiosos como dois lados de uma guerra. Haraphim comandava seus ataques com as mãos fixo no mesmo lugar da mesma forma que sua adversária o fazia, os reis mantinham suas posturas firmes com olhares fixos em seus objetivos, o rosto irônico e risonho de Rezuria deixava a face de Haraphim cada vez mais irritada de desgosto por sua oponente.
 As sombras se moldaram como um gigante pássaro, este que alçou vôo contra Rezuria, a mulher por sua vez fez uma ave de chamas voar contra o poder do rei sombrio e ambas as feras se encontrarem em uma baralha bruta contra a outra, era como uma gigantesca fênix em brasa contra um enorme corvo raivoso.
 O corvo foi derrubado, mas logo se transformou em outra coisa se tornando um enorme tigre agarrando a fênix com as garras, por sua vez a fênix contra atacou se tornando um leão abocanhando o pescoço do inimgo. Eram várias feras tomando forma, os dois reis tinham dificuldade para manter suas criaturas a se enfrentarem de forma irrefreável.
 Por fim o fogo se espalhou sobre a sombra e ambos se tornaram uma esfera se explodindo e se desfazendo em fumaça e cinzas.
 - O tempo mexeu com você. – Rezuria provocava. – Você luta como um velho.
 - Não substime o meu poder! – Haraphim se irritou. – O poder sombrio devorará sau vida por me insultar!
 - Eu mal comecei a fazer isso. – Ela riu do outro lado. – Você não vai começar a chorar agora, né?
 - Insolente! Como pode ser uma rainha?! – Ele deu um passo à frente esticando a mão. – É tão desprezível... Imatura!
 A partir da mão de Haraphim, se ergueu uma foice, a lâmina de prata já gasta e aparentemente sem corte seguida de seu bastão de madeira velha. A arma emanava uma estranha energia ao seu redor, era algo assustador e ao mesmo tempo deprimente, como se aqueles ao seu redor perdessem a vontade de fazer qualquer coisa.
 - Vou lhe mostrar um verdadeiro poder. – Haraphim dizia. – O poder da escuridão!
 - É pra ter medo? – Sorriu. – Não costumo ter medo do escuro.
 A foice cortou o ar e a onda de energia correu até a deusa que ergueu em sua frente uma muralha de fogo, esta que foi partida e Rezuria foi golpeada em seguida, a armadura de Phir em seu corpo foi perfurada e o corpo humano foi atingido. O golpe fez o sangue escorrer do corpo frágil, a rainha caiu ao chão de joelhos surpresa e com o mão sobre a ferida.
 - Esta bem... – Ela dizia com fraquezas. – Acho que descobri o que a criança ganhou de natal...
 - Continua a contar piadas?! – Haraphim ficou ainda mais furioso. – Você selar sua boca para sempre!
 - Vai colocar... O que na sua boca? – Mesmo caída e com dores, mantinha seu sorriso.
... Desculpa, mas sabia que eu sou mulher?
 Outra vez um corte contra o vento vindo da arma, mas esse na vertical, a neve foi jogada para longe pela onda de energia até se aproximar de Rezuria. A deusa ainda ferida saltou para o lado terminando por rolar na neve e disparar uma bola de fogo contra seu inimigo, esta que foi partida em duas partes pela foice desaparecendo no ar.
 Outra ataque de Haraphim, a onda correu até seu alvo, mas a deusa se jogou por baixo da onda horizontal, Rezuria saltou na direção de seu oponente com a mão em chamas, atacou o punho em Haraphim, mas o deus das trevas se defendeu com a foice, outro ataque de Rezuria com o outro punho, mas este também foi falho. Logo ambos estavam se atacando a curta distancia, os dois punhos da deusa encontraram a foice e os dois ataques ficaram a se empurrar forçando a queda de seu inimigo. Os dois reis puderam se olhar nos olhos, estavam tão próximos que podiam sentir a respiração do inimigo.
 - Você não ta velho pra isso? – A deusa comentou. – Devia parar de brigar de lutinha... Até porque eu não posso machucar gente velha.
 - Vou fazer você morder a língua. – Respondeu com ódio. – Vou...
 - Eu não preciso de você pra isso. – Interrompeu Haraphim. – Eu já fiz e sei que dói.
 - Criança maldita! – Gritou. – Mostre respeito diante de mim!
 - Ta me chamando de mal criada? – Respondeu risonha. – Só porque você é velho não quer dizer que tem esse direito.
 Haraphim jogou a foice para o lado junto com os punhos de sua inimiga, aproveitando a chance golpeou Rezuria realizando um corte na horizontal, o corpo da deusa se virou de costas graças ao ultimo ataque de Haraphim então a foice passou outra vez pelas suas costas a derrubando de joelhos no chão, o deus sombrio terminou por atingida outra vez a de cima para baixo a fazendo cair afundando o rosto na neve.
 Haraphim viu sua oponente caída, finalmente pode deixar para trás seu olhar de fúria e agora estava estabilizando sua postura, ele se virou para todas as sombras que batalhavam ao seu redor contra os guerreiros do reino e viu sua vitória garantida contra a deusa.
 
 Correndo entre batalhas, gritos de dor e desespero, o ecoar de espadas preenchia seu trajeto até encontrar o campo aberto onde estava o deus das sombras, mas ainda estava longe e precisava descer mais a colina para chegar até lá. Taiga conseguia ver Phir caído ao chão, mas nem imagina que aquela era a reencarnação da deusa de sua ordem.
  A garota já estava pronta para correr atrás de Phir quando foi agarrada pelo braço e puxada para trás.
 - Se for até lá ele vai te matar. – Morphy impedia. – Eu já pude ver a força de Haraphim.
 - Me solta! – A garota não dava ouvidos. – Ele vai matar o Phir!
 A garota puxou o braço e se soltou, correndo em direção a seu objetivo.

  O deus caminhava para frente com a foice em mãos em quanto as criaturas continuavam a lutar e cada vez mais derrubar os soldados que tentavam proteger o reino. Haraphim ainda tinha que destruir o templo de Rezuria, matar a reencarnação da deusa foi um presente que tornava sua missão ainda mais completa, assim ele poderia enfraquecer um de seus inimigos com maior facilidade.
 Haraphim afundou um ultimo passo na neve, ergueu a foice em sua frente observando o reflexo, o deus sombrio abaixou as sobrancelhas e mostrou os dentes, podia ver através do reflexo da lâmina Rezuria de pé outra vez.
 - Por que você não morre?! – Ele se virou cortando o vento com a foice. – Maldição!
 A energia da arma correu entre a nevasca em direção a rainha, a mulher que viu as trevas irem a sua direção, seu rosto cansado ainda mostrava olhos determinados apesar dos ferimentos pelo corpo. O fogo se ergueu ao redor da rainha, entre o fogo saltou um pássaro preenchido pelas chamas, a ave cruzou as sombras da foice de forma rápida e saiu com ferimentos do outro lado deixando uma trilha de sangue pelo caminho que traçou, mesmo assim continuou o bater de asas até encontrar-se de frente a Haraphim, o deus tentou atingir o pássaro com a arma em suas mãos, mas foi em vão, o pássaro se tornou chamas e terminou por se transformar em Rezuria que caiu com as mãos no pescoço de seu inimigo.
 - Você não pode... – O vilão reclamava. – Eu sou... mais forte
 - Você fala de mais. – Respondeu sorrindo.
 Chamas saltaram para fora dos olhos as deusa, logo seu corpo começou a ser coberto por fogo e então a rainha se desfez em um explosão de fogo que engoliu tudo ao seu redor, as chamas se espalharam com velocidade cobrindo as criaturas que vieram junto com Haraphim sem causar dano aos soldados que ali lutavam.
 O fogo preencheu tudo levando muitas casas e logo se estinguiu desaparecendo levando com sigo toda a neve branca e a substituindo por cinzas negras.


 Os poucos soldados que ali estavam se entre olharam percebendo que não existiam mais inimigos e então soltaram um urro de vitória. Finalmente Morphy alcançou Taiga, a garota estava ajoelhada em meio as cinzas negras no chão, ele olhava fixamente para frente observando o local onde Rezuria se desfez junto com o corpo de Phir, a garota pode ver a cena de perto e não pode fazer nada.
 Morphy ainda não compreendia Poe seu atraso, mal conseguia se aproximar de Taiga por vê-la daquele jeito.
 - Ele... – A garota tentava dizer. – Phir morreu...
 O corpo de Morphy ficou imobilizado pela noticia, ele tremia de medo, um medo que se repetia, o pavor da solidão. O garoto não sabia o que fazer, não havia o que fazer, o único sentimento que sobrou foi o remorso de não ter se juntado ao seu tutor, mesmo que fosse impossível enfrentar um deus, ele poderia estar lá, mas seu medo da morte o tornou fraco.


Última edição por Stained in Blood em Qua 10 Fev 2016 - 10:16, editado 1 vez(es)
avatar
Stained B.
Herói
Herói


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Stained B. em Ter 9 Fev 2016 - 16:23

 Horas se passaram, o que sobrou do lar muitos soldados não se passava de cinzas agora, a multidão se juntava na ordem de Rezuria, soldados e mais soldados reunidos trocando conversa em quanto paladinos discutiam no fundo do salão.
 Morphy estava apoiado na parede com olhos para Halpra que deitara encostado na perna do jovem, o animal esfregava sua cabeça na armadura do garoto. Talvez se não deixasse ser preso na catedral seu tutor poderia ter recebido ajuda quando precisou, não importa-se quantos viessem para manter o resultado que Morphy estaria lá ao lado de Phir, não existia outro pensamento em sua mente que não fosse o quanto era fraco, o quanto era impotente e inútil.
 
 Longe dos barulhos, deitada com em seu quarto no segundo andar da catedral Taiga se desmanchava em lagrimas, passava por emoções incompreensíveis que circulavam por seu corpo, muitos pensamentos ao mesmo tempo e nada fazia sentido. Sentia ódio, tristeza, remorso, coisas que não acompanhava pois mal sabia o que aconteceu, mas Phir morreu e Druvh não foi encontrado, talvez tenham sidos as duas únicas baixas da ordem.
 Cinzas entravam pela fresta da janela e ficavam sobre a neve que entrou pela mesma fresta durante a batalha. A garoto sentiu seu coração acelerar, aquilo não era apensas uma dor sentimental, mas passou a afetar seu físico. Lançou-se para fora da cama e furiosa derrubou a prateleiras de livros, arrancou as gavetas do criado mudo, tudo onde guardava seu material de leitura foi jogado ao chão do quarto, todos os livros que lia durante noites e dias sem folga. A menina exausta se apoiou na parede observando todas as paginas que voaram soltas serem cobertas pelas cinzas negras cobrindo o papel branco de preto.
 Outra emoção dominou seu corpo, caiu em meio aos livros jogando-os para um  lado e para o outro os revirando até encontrar uma agenda negra semelhante a uma bíblia, passou pelas paginas com agressividade quase arrancando as folhas até encontrar o que buscava, colocou a mão sobre as letras escritas a mão e jogou todos os sentimentos desequilibrados daquele momento dentro daquelas palavras. Das inscrições surgiu uma luz negra, esta tentava se levantar, mas nada ocorria, o livro brilhava, entretanto não fazia mais que isso.
 - Não vai conseguir trazer uma deusa de volta a vida. – A porta estava aberta. – Deuses não morrem, apenas reencarnam.
 - Sai de perto de mim! – Exclamou enfurecida. – O que você sabe?!
 - É magia negra. – Respondeu tirando os óculos. – E mesmo eu não poderia fazer o que esta tentando.
 - Eu falei pra sair! – A garota lançou o livro contra Deufh, mas o mago agarrou o mesmo antes de atingi-lo.
 - Precisa controlar seus sentimentos se quiser colocá-los em feitiços. – Abriu o que recém agarrara para ver do que se tratava. -... E eu posso lhe ensinar.
 
 No salão principal Herefeu, Hela e Juvel discutiam, precisavam decidir para onde deveriam ir agora que não restava nada.
 - Não entendo como podem ficar aqui. – Hela reclamava. – Nós podemos alcançar os outros.
 - Todos os recursos estão com eles. – Juvel respondeu. – Se formos atrás deles nossos soldados não conseguirão agüentar neste estado, nós não temos suprimentos e estamos todos exautos.
 - Alem disso, é provável que nem eles conseguiram seguir o caminho por debaixo da neve. – Herefeu resmungou. – Precisamos dar valor ao que temos aqui e buscar o melhor nos destroços.
 - Mas isso é egoísmo! – Hela se irritou. – Esta com medo de sair e morrer de fome.
 - Você não percebe que temos homens para cuidar aqui?! – Herefeu ergueu a voz. – Se sairmos eles irão morrer.
 - Se ficarmos iremos morre! – Hela gritou. – Não sobrou nada para nós e eles estão sozinhos do lado de fora com uma escolta de poucos soldados!
 - Não importa como eles estão! – O velho gritou mais alto. – Precisamos cuidar de nós primeiro e talvez um dia reencontrá-los se não estiverem mortos na neve agora.
 - Para com isso. – Pediu uma voz, Elisy interrompeu. – Essas pessoas têm família, e essas famílias estão lá fora imaginando que todos aqui podem estar mortos assim como nós aqui podemos pensar assim... Talvez um marido nunca possa ver sua esposa outra vez ou seus filhos independente se estiverem mortos ou não.
 - Você é só uma criança. – Juvel cruzou os braços. – Como pode saber de algo.
 - Ela é órfã. – Morphy surgiu em meio a tudo, Halpra estava ao seu lado. – Perdeu os pais, a irmã e agora todo esse lugar que acolheu ela esta me desordem... Ela tem mais voz sobre o assunto que você.
 - O pupilo de PhIr. – Percebeu Herefeu. – Você assim como ele trouxe caos a esse chão!
 - Ele salvou vocês! – Morphy se sentiu indignado. – Como pode ainda contradizer ele que morreu para salvar a vida dessas pessoas aqui dentro e as pessoas lá fora? !Meu mestre deu a vida por esse lugar inteiro e você quer deixar as pessoas aqui dentro esperarem achar algo no meio das cinzas até morrer?! Você vai deixar as pessoas lá fora seguirem sem suas famílias, sem proteção? Para que serve a morte de Phir?!
 O último grito fez todos ali virarem o rosto, a atenção estava voltada para a discussão. Herefeu e Juvel se entreolharam e o guerreiro deu um passo na direção dos soldados.
 - Meus homens, irmãos de guerra! – O grandalhão pronunciava. – Vocês podem ficar aqui e morrer em busca de comida e água ou podem seguir suas famílias para dividir os suprimentos levados e morrerem no caminho! Quem quiser que vá e para aqueles que ficarem desejamos boa sorte!
 O enorme homem se colocou a passos largos em direção a porta e sem hesitar foi para o lado de fora caminhando com sua pesada armadura de forma imponente e poderosa, uma figura motivadora. Muitos colocaram os elmos e o seguiram passando pela porta.
 - Espero que tenha sido uma boa decisão. – Herefeu disse insatisfeito. – Do contrario vocês irão nos condenar.
 - Nós já estamos condenados. - Hela respondeu. – Isso quer dizer que você vem?
 O velho caminhou atrás dos soldados e atrás dele a mulher foi logo atrás. Morphy olhou para os lados, procurava por Taiga, mas não conseguia vê-la me nenhum lugar.
 Disse para Elisy acompanhar Halpra e partiu a correr pelos corredores buscando pelos salões até encontrar a porta de seu quarto aberto, mas o lado de dentro estava vazio, entrou observando a bagunça que Taiga deixou antes de sair.
 - Você deveria ir. – A garota disse da porta do quarto. – Esta aqui para me chamar?
 - Claro! – Morphy virou-se vendo a garota do lado de fora do quarto. – Por que você ainda não foi aliais?
 - Morphy, eu não vou com vocês. – Ela disse sem importância. – Eu vou pra outro lugar.
 - O que quer dizer?! – Ele se assustou. – Nós todos viemos desse lugar, como pode se separar de mim? Quero dizer da Hela, Elisy, e todos os outros? Esta não é a família que construímos com Phir.
 - Eu vou estar com Deufh. – Respondeu como se não escutasse as palavras de Morphy. – Não quero que ninguém mais nos acompanhe.
 - Eu não posso aceitar que vá Taiga. – Morphy estava com os olhos marejados. – Eu já pedir minha família uma vez, hoje eu perdi meu tutor e ninguém mais vai ir embora da minha vida!
 A garota se afastou, olhando para a direita do corredor vendo seu acompanhante se aproximar trazendo com sigo uma pequena bolsa.
 - Esta pronta? – Ele tocou o rosto da jovem. – Já se despediu?
 A lâmina se ergue contra o Leito Diabólico, Morphy com lagrimas escorrendo pelo rosto se colocou contra o mago.
 - Você não vai levá-la.
 - Ela escolheu seu caminho, você não pode mudar a decisão que foi tomada por ela mesma.
 - Cala a boca!
 - Se você a valoriza... – O mago puxou o livro negro do cinto. – Você vai deixá-la seguir sem interferir.
 O livro nas mãos de Deufh começou a flutuar e passar as páginas por conta própria, o mago não subestimava o paladino a sua frente mesmo sendo uma criança. O jovem apertou a haste da espada, mas não conseguia se mover, não tinha coragem para atacar seu oponente.
 O livro de Deufh parou e flutuando voltou de volta para o sinto do leitor, o homem passou o braço pelo ombro de Taiga de forma calorosa assim como um padrinho e seguiu pelo corredor deixando o paladino caindo de joelhos em meio aos livros deixados por Taiga no chão.
 
 - Para de ser fraco Morphy... – Dizia para si mesmo. – Não vou deixar.
 Outra vez se colocou de pé se apoiando na espada, o garoto andou até fora do quarto rapidamente vendo os dois no fim do corredor, estava determinado a trazer a garota para longe de Deufh, ele não iria errar deixando outra pessoa se afastar.
 Com passos rápidos caminhou pelo corredor e logo passou a correr, saltou contra o mago atirando a lâmina da espada contra ele, mas uma força negra desviou seu ataque para baixo encravando a espada no piso. Deufh e Taiga não pararam, mas mesmo assim Morphy tentou outra vez puxando sua arma e atacando mais uma vez, porem foi em vão da mesma forma, o ataque foi rebatido jogando o paladino no chão.
 Morphy se ergueu e se preparou outra vez, em seu corpo circulava sua essência, a íris rosada de seus olhos ganharam uma cor forte e sua armadura branca brilhava em sintonia com sua energia. O garoto atacou pela terceira vez, a lâmina de sua espada deixou um rasto pelo ar até acertar outra vez a barreira de Deufh, entretanto desta vez as duas energias não puderam se superar, ambas estavam se enfrentando e o Leitor Diabolico foi obrigado a se virar e levantar seu livro, dessa forma seu poder se ampliou fazendo sua barreira empurra Morphy para o chão outra vez.
 - Está bem garoto. – Deufh se colocou diante de Morphy. – Não me deixa alternativa melhor se não confrontá-lo.
 Com o auxilio da lâmina o paladino levantou ainda com o par de íris brilhando ao redor de sua pupila, a ombreira de sua armadura caiu em pedaços devido ao último golpe de seu adversário. Seu corpo estava ferido, mas sentia a energia o colocando de pé de frente ao inimigo, sua essência emanava para fora de seu corpo, seu poder não conseguia se manter dentro do recipiente. Deufh deixou as paginas do livro folhear por conta própria em sua mão direita, a aura negra do leito contornou seu corpo e das paginas um raio púrpura correu pelo corredor na direção de Morphy. Por usa vez o garoto ergueu a lâmina como um escudo de frente para o raio, usou a espada para redirecionar a magia para longe atingindo as paredes, estas foram destruídas deixando os destroços caírem pelo caminho e levantarem poeira.
 Em meio ao pó, Morphy saltou contra seu oponente, o inimigo jogou o livro contra a lâmina e o fechou para segurar o ataque. Após imobilizar a espada, Deufh torceu para direita partindo a lâmina pela metade, puxou o braço ara o lado golpeando o rosto do garoto com a capa dura. O paladino recebeu o golpe dando um passo para trás desprotegido, o leitor aproveitou a abertura e colocou seu livro aberto contra o peito do paladino, dele surgiu uma energia sombria que logo explodiu deixando uma nuvem de fumaça.
 Morphy foi arremedado para trás com a explosão, em meio a queda sua armadura que brilhava começou a rachar e logo foi destruída em pedaços desaparecendo como brilho deixando a mostra suas roupas de couro. O garoto caiu entre os escombros do corredor tentando respirar, o coração de seu peito estava acelerado como se tivesse recebido o golpe por dentro deste. Seus pulmões se contraiam tentando encontrar ar, mas tudo o que havia era fumaça e pó.
 - Você recebeu essa armadura e esta espada da ordem. – Deufh fechou os olhos desapontado. – Imagine como estaria seu mentor se o visse dessa maneira tão horrível.
 O corpo do garoto já não mostrava a energia de antes, mesmo assim ele tremia tentando se erguer.
 - Para o seu bem, espero que você fique no chão desta vez, não vai agüentar outro ataque como este sem sua armadura.
 Com a respiração pesada e ofegante o garoto se moveu, colocou as mãos sobre o joelho se levantando com o que sobrara de sua espada, seus olhos mostravam a mesma determinação de quando decidiu atacar o Leitor Diabólico. Com dificuldade deu um passo a frente, mal conseguia manter o equilíbrio, todo seu corpo tremia desejando cair e descansar, mesmo assim Morphy se obrigava a continuar dando um segundo passo.
 - Que deprimente, eu sinto pena de você garoto.
 Deufh deixou seu livro flutuando a sua frente, este se abriu em outra pagina, o leitor passou a realizar um feitiço recitando rimas e versos, logo o livro foi banhado com a energia sombria e um disparo correu pelo corredor atingindo Morphy e atirando o garoto para longe com tanta força que o fez chegar ao fim do corredor atravessando as paredes e caindo para fora da catedral, caiu em meio a neve com os olhos voltados para cima, olhos que negavam se fechar, mesmo com tanta dor, mas era inevitável.
 
 Taiga abaixou o rosto tentando evitar olhar para o corredor destruído. Deufh estendeu seu braço para o quarto de sua nova aluna e deste vários livros começaram a voar para perto do leitor, todos associados a magia negra, corrupção, entre outras artes sombrias.
 Ambos preparados deixaram o campo de batalha e partiram em sua jornada independente, para outro caminho longe dos demais soldados e paladinos, longe dos membros da ordem.

  Estava tão frio, o garoto não tinha forças para se erguer mesmo depois de ter se passado tanto tempo. Sentia-se fraco, não poderia mais alcançar os soldados e com certeza não alcançaria Taiga, ela não permitiria.
 Sentiu algo atingir a sola de seu pé, mas não respondeu. Outra vez foi atingido como um chute e dessa vez abriu os olhos vendo a mercenária.
 - Você dorme em trabalho? – Satra abriu um sorriso, mas parecia malicioso. – Não deveria estar cuidando dos soldados?
 -... O que você faz aqui? – Perguntou se sentando na neve. – Deveria ter ido há muito tempo.
 - Não vai nos agradecer? – Respondeu. – Se não fosse por nós você estaria soterrado na neve.
 - Nós? – Morphy observou melhor e viu três homens atrás de Satra. – Vocês... Obrigado, eu acho.
 - Você não tem muita escolha se não vir com a gente agora. – Ela sorriu. – Ou prefere ficar aqui sozinho.
 Morphy se colocou de pé com fraquezas, olhou a sua volta até encontrar sua espada encravada na neve.
 - Você vai mesmo levar isso? – Satra via o garoto pegando sua arma. – Esta aos pedaços.
 - Eu sou um paladino. – Ele respondeu. – Devo honrar o que foi dado a mim e proteger inocentes usando isso.
 - Esta bem, odeio papo de religioso. – Ela foi até os outros homens. – Deveriam se apresentar para o menino, não seria bom vocês não se conhecerem já que provavelmente vai ser um caminho longo.
 Um dos três sorriu caminhando, assim como Satra todos pareciam ter alguma perversidade no olhar. O homem que se aproximou portava um cajado com uma esfera em um lado e uma lança no outro, vestia-se com uma armadura incompleta avermelhada eu cobria seu tronco e apenas sua perna direita.
 - Astaroth. – Ele fez uma saudação formal abaixando a coluna, uma das mãos foi levada ao peito e o pé esquerdo para trás. – Filho de D’Gard, trabalho com piromancia.
 - É um prazer. – Respondeu, sem graça diante de toda aquela formalidade. – Me chamo Morphy e sou filho de um fazendeiro.
 - Sua origem é maravilhosa para um guerreiro do seu nível.
 - Qualquer pode se tornar um paladino se tiver um bom coração. - Respondeu. - Alem disso, eu ainda não sou um paladino.
 - Mas nem todos tem um bom coração. – Ele simpatizou. – Você esta em meio a mercenários, não pode duvidar que você será a pessoa mais pura deste grupo.
 Outro homem grande estava observando, esse vestia uma armadura que cobria seu corpo inteiro e em sua mão direita estava um machado enorme apoiado na neve. Com uma das mãos o brutamonte removeu o elmo mostrando seu rosto, era a cabeça de um leão grisalho, talvez seu corpo inteiro fosse como a fera.
- Van. – Se apresentou, falava como uma pessoa. – Seu valor a espada mesmo estando pela metade é um sentimento vindo de verdadeiros guerreiros.
 - Obrigado. – Observava a fera. – Me desculpe, mas eu nunca vi alguém como você.
 - Esta se referindo aos mestiços? Parte de meu sangue é composto por uma quimera, um ancestral distante. – Explicava como se não fosse a primeira vez. – O sangue de Astaroth é ainda mais precioso, sua mistura é incomum.
  Ainda faltava uma apresentação, o ultimo homem parecia distante da situação, estava de costas para os outros. Vestia um casaco branco que cobria até seus joelhos e um enorme chapéu circular que cobria seu rosto, calças escuras e largas, por cima delas estava um par de botas de couro.
  - Lobo, você vai mesmo ficar de fora? – Astaroth reclamou. – Não tente ser diferente.
 O ultimo homem se virou erguendo o rosto, o chapéu descobriu Lobo mostrando um rosto azul preenchido por uma barba lisa apesar de curta, olhos verdes e orelhas compridas.
 - Vocês já disseram meu nome. – Respondeu com frieza. – Não vou precisar.
 - Você não precisa ser frio com todos. – O piromante insistiu. – Parece que você quer impressionar.
 - Não estou...
 - Tudo bem. – Morphy aceitou. – É um grande prazer em conhecer todos vocês.
  Lobo abaixou o rosto para a sombra do chapéu outra vez. Van colocou seu elmo observando o horizonte, Astaroth e Satra encaravam o mestiço esperando algo.
 - Vamos para o sul. – Ele disse. – Podemos encontrar algo na floresta.
 - Mas os outros foram para o norte em busca dos reinos visinhos!
 - Veja garoto. – O felino chamou. – Para aquela direção eu não vejo nada alem de neve, mas para o sul eu vejo cavernas, arvores e animais.
 - Mas vamos estar sozinhos. – Morphy não entendia. – Vocês não se importam com eles?
 - Temos que sobreviver. – A resposta não agradou. – Se você quer ouvir algo otimista... Eles podem sobreviver, e um dia você vai poder reencontrá-los.

  Atravessavam a neve que caia sobre os galhos secos de forma calma, todos afundando os pés até o tornozelo enfrentavam o frio ainda sem medo, não sentiam fome ou cansaço. Um som rápido e a faca foi arremessada, o pequeno barulho por menor que fosse condenou uma lebre.
 - Você matou... Uma lebre? – Morphy se assustou. – Como pode causar mal a uma criatura tão pequena?!
 - Foi erro dela. – Satra se defendeu. – Não deveria passar em nosso caminho.
 - Mas ela não te fez nada!
 - Não importa. – Respondeu rindo da inocência de Morphy. – Você não vai encher seu estomago de vendo.
 - Mas...
 - Eu compreendo o que você sente. – Van interrompeu. – É injusto que ela morra para nosso beneficio, mas entenda que em algum momento a morte dela não será em vão.
 - Eu não vou comer ela. – Estava decidido.
 - Faça o que quiser. – Satra pegou a faca de volta, então cortou a cabeça da pequena lebre. – Não acredito que vou ter que começar tudo de novo.
 - Tantas coisas pra colecionar... – Astaroth coçou a cabeça. – Isso é tão nojento.
 - O que é isso no seu pescoço? – Se referia a perola no colar do piromante. – Não é um olho de filhote de dragão? Depois eu que sou nojenta.
 - Eu já disse que era do meu irmão. – Pareceu irritado. – Lobo, diz pra ela, você estava lá.
 - Eu não estava.
 - Podia pelo menos mentir.
 - Eu não podia.
 - Vocês vão mesmo discutir outra vez? – Van suspirou. – Estou cansado da imaturidade de vocês.
 - Eu não fiz nada.
 - Claro que não. – A garota já amarrava a cabeça no tornozelo. – Você sempre é um bloco de gelo.
 - Eu não...

 - Dá pra parar?!
 Após o chamado de Van, todos finamente ficaram quietos, por alguns segundos todos ficaram quietos, mas o próprio felino então examinou o ambiente.
 - Deveríamos acampar aqui mesmo. – Ele removeu o elmo. – Assar a lebre e dividir.
 Morphy ainda não gostava da idéia, abaixou o rosto evitando olhar para o corpo do animal. Satra abriu o casaco onde guarda as inúmeras facas, adagas e punhais e improvisou a estrutura de uma fogueira com elas, Astaroth então abriu a palma da mão e dela surgiu uma chama pequena, esta se guiou para o centro das lâminas, o piromante usou a lança para perfurar a lebre e a deixou no fogo.
 
  O garoto observava os outros se alimentando, se sentia desconfortável entre eles, os mercenários não eram como os paladinos que conviveu e aprendeu, seus olhares eram outros, talvez fossem olhos impuros de pessoas más, porem Morphy não conseguia dizer o que via em seus olhos. Imaginava se eles seriam uma boa companhia ou se o trairiam se fosse preciso, imaginava se eles o deixariam para trás em algum momento.
 - Deveria comer. – Van apontou para o que sobrou da lebre. – Não queremos alguém pra carregar na viagem.
 - Não, eu consigo continuar.
 - Ótimo! – Satra apanhou o restante da lebre com a faca. – Se você não se importa...
 - Agora eu descobri de onde vem todo esse peso. – Astaroth comentou.
 - O que você disse? – Ela respondeu. – Inveja do meu corpinho?
 - Corpinho? – O piromante riu. – Nem eu posso queimar toda essa gordura.
 - Eles sempre brigam? – Morphy falou com Van. – Parecem crianças.
 - Se eu pudesse ficar surdo eu não me importaria.
 - Eu posso te ajudar.
 - Não Lobo, eu fui irônico. – Van suspirou. – Como eu ainda suporto eles?
 - Você parece um bom líder. – O paladino elogiou. – Talvez seja um pai pra eles.
 - Foi uma comparação bonita, mas não acho que eles me vejam como nada alem de um líder.
 Astaroth e Satra continuavam a discutir, o mestiço quase que nem dava mais atenção para o que estava acontecendo, o elfo diferente parecia uma estatua de tão sínico. O céu já estava coberto por estrelas e nada podia ser visto além do que a fogueira iluminava, a chama de Astaroth não usava nada para se sustentar alem do oxigênio a sua volta e se mantinha fixo entre as adagas.

 Já se havia passado um tempo e estava ficando tarde demais, o piromante colocou a esfera do cajado na neve e as chamas percorrerão o solo aquecendo a região, ali mesmo ele se deitou sobre a neve escurecida. 
  - Serio? – A garota reclamou. – Você só vai fazer isso pra você?
 - Se o Lobo quisesse, eu faria pra ele. – Respondeu. - Ele pelo menos ocupa menos espaço.
 - Prefiro a neve fria.
 - Vocês não podem só dormir? – O mestiço reclamou e fez o silencio acontecer. –... Eu vou fazer o primeiro turno.
 Satra tirou o casaco e o jogou na neve, então se deitou sobre ele como um travesseiro, sem o capuz dava para ver o curto cabelo ruivo vermelho da garota, sua pele tinha um bronzeado natural e vestia uma regata branca.

 Logo todos fecharam os olhos virando de costas um para o outro, menos van que ficou de pé apoiado em seu enorme machado observando a noite estrelada. A neve já não caia mais das nuvens, o ambiente estava plano e estava mais claro para ver apesar da especa noite.
avatar
Stained B.
Herói
Herói


Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O Curandeiro da Alvorada

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 :: Home. :: Flood. :: Fanfics.

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum